discriminativa, da equanimidade, que é como um espelho]. As características de um buddha (tib. sang-gye) são:Introdução | Tibet | Vajrayana | Tantra | Vajra & Gantha | Yidam | Mudra | Mantra
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Textos | Refúgio e Bodhichitta
Há dois tipos de objetos de refúgio, que são [1] o objeto de refúgio causal e [2] o objeto de refúgio resultante.
O objeto de refúgio causal: Dentro do objeto de refúgio causal, há novamente duas categorias, [1.1] a do objeto de refúgio mundano e [1.2] a do objeto de refúgio transcendente.
- [1.1.1] O objeto de refúgio mundano inferior: O Buddha Shakyamuni disse que muitos seres tomam refúgio nos montanhas, florestas e árvores, e em seres poderosos como líderes e reis. Estes não são objetos de refúgio superiores porque não poder dar a proteção absoluta. Depender destes objetos de refúgio não pode nos liberar do medo.
- [1.1.2] O objeto de refúgio mundano superior: Apesar deste objeto de refúgio ser as Três Jóias (o Buddha, o Dharma e a Sangha), aqueles que tomam refúgio neste nível fazem isso sem um entendimento verdadeiro.
[1.2] O objeto de refúgio transcendente: este objeto de refúgio são as Três Jóias. De acordo com o Mahayana, há três tipos principais dentro desta categoria: o objeto de refúgio sublime e realizado; os objetos materiais que fornecem foco para o refúgio; e o objeto de refúgio absoluto.
- [1.2.1] O objeto de refúgio sublime e realizado: estes objetos de refúgio são os Buddhas que são desde o início não-obscurecidos e primordialmente puros, e que possuem os quatro kayas [nirmanakaya, sambhogakaya, nirmanakaya, svabhavikakaya] e as cinco sabedorias [do Dharmadhatu, que tudo realiza,
[O buddha] despertou (sang) do sono ignorante
E expandiu (gye) todo o conhecimento da sabedoria imensurável
Como um lótus imaculado.O Dharma real são os fenômenos puros das bênçãos dos Buddhas, os muitos sons, palavras e a fala cheia do significado do Dharma que dá surgimento à liberação. Os dois aspectos do Dharma são: o Dharma transmitido através da fala; e o Dharma da realização. O Dharma transmitido através da fala é a fala e os sons que sempre são beneficiais apenas e que dão surgimento ao Dharma da realização, a realização completa que vem das bênçãos da fala dos Buddhas.
A Sangha são os seguidores do Buddha e de sua fala, que entraram no caminho até atingirem a iluminação. De acordo com o Hinayana, estes são os realizadores solitários e os ouvidores. De acordo com o Mahayana, estes são os bodhisattvas. De acordo com os praticantes da tradição tântrica [Vajrayana], estes são os vidyadharas [tib. rigdzins, detentores do estado desperto] que não são seres completamente iluminados mas que estão praticando no caminho a fim de atingir a iluminação completa.
O objeto de refúgio resultante: Através das bênçãos recebidas da devoção e das preces ao objeto de refúgio causal, sua própria mente de sabedoria, que é a essência dos três kayas de todos os Buddhas imensuráveis, ou as Três Jóias, um dia desabrochará completamente e você permanecerá lá. Este é o resultado. O Yeshe Drubpa (O Tantra da Realização da Sabedoria) afirma:
Não há liberdade da obtenção da pureza porque sua própria sabedoria é o Buddha completamente iluminado.
A mente do estado desperto imutável e imaculado é o Dharma.
Todas as qualidades e virtudes perfeitas da sabedoria imensurável, perfeitamente realizados, são a Sangha.
Sua própria mente de sabedoria são as Três Jóias supremas.
De acordo com o Vajrayana, o objeto de refúgio a quem se pede bênçãos é o Buddha ou o Lama. O Lama é o Buddha porque ele corporifica Buddhas imensuráveis a fim de ensinar os seres e de guiá-los até a iluminação. Sem o lama, não se pode nem mesmo ouvir o nome do Buddha. Sem o Lama, apesar de haver incontáveis Buddhas, seríamos incapazes de vê-los. O objeto de refúgio a quem se pede siddhis [realizações espirituais] é o Dharma ou o Yidam. O objeto de refúgio a quem se pede atividades do Dharma é a Sangha, que são as dakinis e os protetores do Dharma
(Dharmapalas).
A principal distinção entre o veículo causal e o veículo resultante é que, com mencionado acima, o veículo causal afirma que o Dharma e a Sangha são categorizados como parte do caminho e assim não são o objeto de refúgio absoluto, que é apenas o Buddha. A tradição tântrica interior do veículo resultante afirma que o Yidam, as Dakinis e os Dharmapalas são manifestações do Lama, o Dharmakaya. Aqui, Dharma e Sangha são entendidos como extremamente sublimes, realmente o mesmo com o Lama ou o Buddha. O Lama, o Yidam, a Dakini e os Dharmapalas, inseparáveis, são a mandala de sabedoria.
Como os ensinamentos tântricos dizem, "Faça do resultado o caminho." Isto é ilustrado pelo exemplo do sol. Sua mente de sabedoria, que é como o sol, está sempre presente, apesar de estar temporariamente obscurecida pelos hábitos dualistas, que são como nuvens. Através da prática e da purificação destas delusões, reconhecemos nossa mente de sabedoria. Este sol, nossa mente de sabedoria, é o mesmo sol que tem existido desde o início. Nenhum sol novo vem a ser como resultado de nossa prática. O resultado é reconhecido com presente deste o início.
A palavra "jóia" no termo "As Três Jóias" corresponde à palavra em sânscrito Ratna, que significa "Jóia [de Valor] Inestimável." "Jóia" é usado como um nome para o Buddha, o Dharma (o ensinamento buddhista) e a Sangha (a comunidade buddhista) já que estes três têm seis qualidades em comum com as jóias raras e preciosas:
Apesar de objetos materiais, como jóias, serem usadas como exemplos a fim de criar um entendimento das qualidades das Três Jóias, nada pode se comparar com as Três Jóias.
Quando ao tempo de tomar refúgio, algumas pessoas tomam refúgio nas Três Jóias até alcançarem algum nível de sucesso ou poder mundanos. Na tradição Hinayana, o refúgio é tomado até a morte. Na tradição Mahayana, tomamos refúgio até o atingimento da iluminação. Esta é a melhor atitude. A iluminação pode ser tomada logo ou pode ser alcançada em algum tempo no futuro distante. Isto depende do caminho que escolhemos
Mesmo que um estátua do Buddha possa ser feita de madeira,
Ou de qualquer outro material, o sábio as venera.
Uma vez que você tenha tomado refúgio no Dharma, você não deve passar por cima ou jogar fora nem mesmo um pedaço de papel sobre o qual os ensinamentos buddhistas estão escritos. Como o Buddha disse:
No último período e quinhentos anos,
Aparecerei na forma das palavras e textos do Dharma.
Com o pensamento de que "Isto é o Buddha!",
Desenvolva respeito diante deles neste tempo.
A fim de evitar que você mesmo crie obscurecimentos, você deve queimar esse papel com boa intenção. Uma vez que tenha tomado refúgio na Sangha, qualquer material dos mantos buddhistas
— vermelho, amarelo, laranja ou branco — não deve ser ignorado ou jogado fora, mas deve sim ser reunido e colocado em um alto lugar de honra ou disposto como as palavras do Dharma.
Por que desenvolvemos a bodhichitta (compaixão)? Já que as mentes dos seres são contínuas, suas criações dualistas sempre produzem a experiência da morte e renascimento Quando qualquer ser nasce, ele ou ela tem pais. Os pais sempre são bondosos com seus filhos. Isto é verdade até para os animais. Os seres humanos são sempre bondosos com seus filhos, exceto nos casos de karma negativo ou de perturbações psicológicas severas. Já que os pais nos mostraram esta bondade, devemos dela, mas isso não é suficiente: precisamos sua recompensar sua bondade. Há muitos modos de tentar fazer isto, como servi-los durante suas vidas, mas ainda mais importante, devemos impedi-los de cair nos três reinos inferiores e guiá-los à iluminação.
Como Shantideva disse,
Se os diferentes aspectos da bodhichitta fossem sintetizados,
Há dois aspectos: bodhichitta da aspiração e da aplicação.
Os quatro pensamentos imensuráveis constituem a bodhichitta da aspiração; as seis perfeições transcendentes constituem a bodhichitta da aplicação [ou da ação].
Os quatro pensamentos imensuráveis são o amor (grande bondade); compaixão; alegria (regozijar sem inveja na felicidade de qualquer outro ser senciente); e equanimidade (ver todos seres igualmente como os próprios pais).
As seis perfeições transcendentes são generosidade, conduta ética, paciência, diligência, meditação e sabedoria. Cada um dos seis são muito profundos e elaborados; entretanto, não descreverei estes assuntos em detalhe hoje. Espero que vocês os estudem com seus
mestres e com livros, e que assim vocês irão aprendê-los e praticá-los.
(Thinley Norbu Rinpoche)
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