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Textos | Os Quatro Pensamentos
que Transformam a Mente

A Importância dos Quatro Pensamentos | 1. O Nascimento Humano Precioso
2. A Impermanência | 3. O Karma | 4. O Oceano de Sofrimento


O livro Portões da Prática Budista (Rigdzin Editora) é uma coletânea de ensinamentos orais da sabedoria do buddhismo tibetano apresentada a leitores ocidentais, no estilo único e acessível de Chagdud Tulku Rinpoche. De raro valor entre as introduções ao caminho espiritual, o livro entremeia estórias do Tibet com uma exploração passo a passo dos fundamentos e essência do buddhismo Vajrayana.

Chagdud Tulku Rinpoche (1930-2002) pertencia à última geração de mestres que herdaram os tesouros dos ensinamentos e métodos Vajrayana. Filho de Dawa Drolma, uma das mais célebres mulheres lamas deste século, abade do secular monastério de Chagdud Gonpa no Tibet, Rinpoche viveu os primeiros vinte anos de exílio, depois da invasão chinesa de 1959, na Índia e no Nepal. Lá serviu à comunidade tibetana como lama, médico e promotor das artes.

Em 1979, chegou aos Estados Unidos. Quatro anos depois, Rinpoche criou a Chagdud Gonpa Foundation, hoje com centros também no Canadá, Suíça e Brasil, onde reside em Três Coroas (RS). Para obter o livro Portões da Prática Budista, clique aqui.

Chagdud Tulku Rinpoche

A Importância dos Quatro Pensamentos

A contemplação dos quatro pensamentos está entre os métodos hábeis que utilizamos para reduzir os venenos da mente e criar benefícios de curto e longo prazo, para nós mesmos e para os outros. Já que não temos a boa fortuna de encontrar o Buddha Shakyamuni e aprender diretamente com ele os métodos que conduzem à liberação, é o nosso professor espiritual, quem nos introduz a esses ensinamentos. Porém, antes que passemos a confiar num mestre espiritual, é essencial que pesquisemos cuidadosamente as suas qualidades, do mesmo modo que iríamos investigar as qualificações de um médico, antes de colocar nossa vida nas mãos dele. Num certo sentido, se deixássemos de investigar um médico, isso não seria tão grave, pois um tratamento inadequado poderia nos levar a perder apenas esta vida presente. No entanto, se depositarmos nossa fé em um mestre espiritual que não seja qualificado, poderemos desenvolver hábitos contraproducentes que talvez permaneçam conosco por muitas vidas futuras, criando enormes obstáculos ao caminho da iluminação.

Duas qualidades são necessárias a um professor: primeiro, que ele tenha ouvido, contemplado e compreendido os ensinamentos, e, segundo, que ele tenha meditado sobre os ensinamentos e tenha ganho realização de seu significado essencial. A eloqüência não é a qualidade mais importante de um mestre do dharma, pois não é tão difícil assim alguém apresentar um discurso vistoso; o crucial é que, através de uma prática autêntica e profunda de meditação, ele ou ela, pessoalmente, mantenha uma experiência direta dos ensinamentos. Caso contrário, o professor será como um papagaio que repete sem parar, "Pratiquem a virtude; afastem-se da não-virtude", mas que devora um inseto, assim que entra em sua gaiola.

Hoje em dia é difícil verificarmos as qualidades de um professor. Pelo menos uma dentre dez ou vinte pessoas alega ser um mestre com uma bagagem de grande estudo ou realização meditativa. Ninguém pendura uma placa declarando, "Eu sou um mestre ruim." O ideal seria descobrirmos, de uma fonte externa, como e onde o professor estudou o dharma e praticou meditação. Porém, é mais importante, ainda, observarmos o professor de perto, verificarmos cuidadosamente se ele possui um bom coração e, de fato, vive os ensinamentos. Seria difícil encontrarmos um professor totalmente isento de defeitos — e, mesmo que o encontrássemos, não nos daríamos conta desse fato. Apesar disso, podemos confiar em um mestre espiritual que, pela prática da meditação, tenha removido em alguma medida os obscurecimentos da mente, alcançado algum grau de realização e desenvolvido grande compaixão. Os professores de bom coração têm em mente os interesses de seus alunos, não os seus próprios interesses. Se não conseguem responder uma pergunta ou ajudar um aluno, irão encaminhá-lo a alguém que possa fazer isso. Eles não o conduzirão por um caminho errado.

É arriscado fazer um compromisso apressado demais com um mestre. Porém, uma vez que você tenha chegado a uma decisão cuidadosamente ponderada, deve seguir os ensinamentos de seu professor com diligência e senso de propósito. Usando novamente o exemplo do médico, se você está doente mas não toma a medicação que seu médico prescreve, não irá melhorar. Portanto, após procurar o professor com habilidade, você deve ouvir e se treinar com igual habilidade. Se você cuidadosamente aplicar as instruções que tiver recebido, então, lentamente, sua negatividade diminuirá, e amor e compaixão crescerão. Assim, você aprenderá o que o professor tiver aprendido. O professor é como um molde que dá forma à mente do aluno. Um aluno não conseguirá desenvolver boas qualidades diante de um mau professor, mas irá infalivelmente se beneficiar ao seguir as instrução de um bom professor.

Por essa razão, no começo da nossa contemplação dos quatro pensamentos, invocamos o mestre espiritual. Nós nos recordamos das qualidades dele e rogamos para que, pela força das suas bênçãos, os obstáculos à nossa prática se dissipem, a nossa mente volte-se para o dharma e a porta da liberação se abra para nós.

A Importância dos Quatro Pensamento | 1. O Nascimento Humano Precioso
2. A Impermanência | 3. O Karma | 4. O Oceano de Sofrimento

(Chagdud Tulku Rinpoche. Portões da Prática Budista.
Traduzido por Manoel Vidal, revisado por Cinthia
Sabbado, Marta Rocha e Maurício Sabaddo.
Três Coroas: Rigdzin, 2000. Pág. 55-57. )


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