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Textos | Os Mantos Monásticos Tibetanos


Antigamente, os monges tibetanos vestiam-se no estilo indiano, sem muitos trajes para a parte superior do corpo. Como o Tibet é muito frio, foi criado o dhönka, um traje feito de tecido castanho e amarelo, ou simplesmente castanho. As mangas representam a juba do leão, o rei das feras, que não tem medo e permanece relaxado e pacífico. Do mesmo modo, aquele que segue o Vinaya (as regras monásticas) não precisa temer o renascimento em reinos de sofrimento porque está no caminho da liberação.

A linha azul ao redor das mangas tem um significado histórico. No século VI, o rei Langdarma assassinou seu irmão mais novo, que era rei antes dele e que propagou o buddhismo no Tibet. Langdarma governou por muitos anos e tentou destruir o buddhismo. O Vinaya praticamente desapareceu e apenas três monges conseguiram fugir para o Amdo, próximo à fronteira com a China.

Estes três monges quiseram reviver o Vinaya e ordenar novos monges, mas deveria haver pelo menos cinco monges completamente ordenados para realizar a cerimônia. Por isso, eles convidaram mais dois monges, chineses, para fazer a ordenação. Como naquela época os monges chineses usavam trajes azuis, os mantos tibetanos passaram a ter estas linhas azuis como lembrança de sua colaboração.

Sob os braços, nas costas, o corte do tecido lembra duas presas de elefantes, representando o Senhor da Morte e a impermanência da vida.


O shemdap é feito de pedaços de pano castanho. Originalmente, o pano era cortado em pedaços e estes seriam então costurados, mas hoje em dia apenas são feitas as costuras. Por não parecer algo de boa qualidade, mas sim remendado, o shemdap simboliza o desapego.

Na tradição Gelug, as dobras têm um significado. As dobras da direita vão para trás, o que significa que aquele que segue o Vinaya a deixou para trás as preocupações mundanas, assim como as ações negativas. As dobras da esquerda vão para frente, simbolizando o caminho do Buddhadharma e as atividades virtuosas cujo objetivo é progredir — ir para frente. Às vezes, as três dobras na frente simbolizam diferentes aspectos, como os Três Refúgios, mas seu objetivo é o de facilitar na hora de sentar.


O chögu é um manto feito de pedaços de pano amarelo, usado geralmente em cerimônias de confissão ou em ensinamentos. O namjar também é amarelo, porém maior. Ele é feito com mais pedaços de pano, e no Tibet era às vezes feito com seda.

No dia-a-dia, não se usa o chögu ou o namjar, mas sim o zen, um manto mais simpples, feito como o mesmo tecido castanho do shemdap.


O dingwa é feito de lã e colocado em cima da almofada.

Hoje em dia ele não é tão usado, mas apenas em ensinamentos e cerimônias, para evitar causar qualquer coisa no assento dos outros.


O chapéu é usado durante cerimônias especiais. Uma parte branca simboliza Avalokiteshvara, o bodhisattva da compaixão; uma parte vermelho - alaranjada simboliza Manjushri, o bodhisattva da sabedoria; e uma parte azul simboliza Vajrapani, o bodhisattva dos meios hábeis. Os fios em cima representam os mil buddhas desta era sobre o topo da cabeça. A cor amarela do chapéu representa a pureza dos ensinamentos, similares ao ouro livre de máculas.

(Adaptado de um artigo do Geshe Lhündrup Sopa para a revista Mandala)


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