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Textos | O Relacionamento
entre Mestre e Discípulo
A Explicação do Relacionamento entre Mestre e Discípulo, Como Seguir o Mestre, e Como Ensinar e Seguir o Dharma.
Enquanto [permanecer no mundo, é difícil ouvir] o ensinamento do Vitorioso, que é a fonte de benefício e felicidade. Quando entrar [no ensinamento], com o objetivo de fazer com que o seu lazer e oportunidade sejam dignos, no início procure e então siga o mestre de sabedoria.
Seguindo [mestres] inferiores, você vai degenerar; seguindo aqueles que estão no mesmo nível, você continuará o mesmo. Seguindo alguém superior, você obterá a santidade. Portanto, você deve seguir alguém superiora você.
Procure a justificativa [para seguir um mestre de sabedoria] através das escrituras, do raciocínio e do exemplo.
As categorias gerais [de mestres de sabedoria] são: a pessoa comum; o bodhisattva; a emanação [nirmanakaya] e o completo [sambhogakaya], que estão relacionados com as quatro circunstâncias próprias.
As características do [mestre de sabedoria] que é uma pessoa comum são [dadas como] oito, quatro ou duas boas qualidades. [As oito boas qualidades são: possuir a moralidade do bodhisattva; ser muito instruído no Bodhisattva Pitaka; ter alguma realização pessoal; ser totalmente compassivo e amoroso; ter coragem; ser paciente; ser sem tristeza; ser hábil para usar palavras. As quatro boas qualidades são: faz ensinamentos extensivos porque é muito instruído; corta as dúvidas dos outros por causa de sua grande sabedoria; é louvável porque se engaja na atividade de um homem santo; é capaz de mostrar as características reais tanto dos fenômenos afligidos quando dos completamente purificados. As duas boas qualidades são: é sempre instruído no significado do Mahayana; e nunca abandonará a excelente conduta do bodhisattva, mesmo ao custo da própria vida.]
As categorias específicas são o [mestre] pratimoksha, o [mestre] bodhisattva e o [mestre do mantra] secreto, explicados seqüencialmente.
Os cinco [tipos de mestre pratimoksha são]: o preceptor ou khenpo, o mestre [do ritual], o instrutor privado, o [mestre] de confiança ou de leitura, e o mestre [do monge noviço].
Eles são louvados como mestres que possuem moralidade; que conhecem os rituais do Vinaya; são compassivos para uma pessoa doente; têm seguidores puros; se esforçam para fazer benefício no Dharma e nas coisas materiais; e dão instruções oportunas.
Siga o mestre que domou [a própria mente]; [que reside] pacificamente; que pacificou [a delusão]; que tem nobres qualidades significantemente [maiores do que a suas]; que tem diligência; que, em [conhecimento das] escrituras, é rico; que realiza totalmente a talidade; que fala com habilidade; cuja natureza [é cheia de] cuidado; e que elimina a depressão.
Além disso, se ele for dotado com as doze qualidades de ser instruído e assim por diante, é ainda melhor. [As doze qualidades são: ser muito instruído; ser dotado de grande sabedoria; não se esforçar pelo ganho material; não se esforçar pela fama; ter bodhichitta; ter grande compaixão; ser tolerante com a dificuldade; ser tolerante com a depressão inferior; ter recebido muitas instruções orais especiais; ter sido liberado pelo caminho; ser hábil para ensinar apropriadamente cada família de seres; conhecer suas faculdades.]
O mestre-vajra é firme; [sua mente é] domada, inteligente, paciente e sem decepção. Ele conhece a prática do mantra do tantra; ele tem compaixão e bondade amorosa pelos outros; ele é instruído [nas escrituras]. Ele completou os dez pontos essenciais, é hábil na atividade [de desenhar a] mandala e sabe como explicar o mantra.
Alternativamente, [o mestre do voto Vajrayana] tem os três tesouros, o rio completo [das iniciações], avidez para procurar os vasos adequados. Ele é sábio no tantra, dotado na atividade [do ritual] e mantém o [sinal de] realização.
Resumindo, ele tem a linhagem [inquebrántvel], samaya [não enfraquecido], instruções orais especiais, e sabe o significado dos tantras. Dos três tipos, o [mestre que é um] monge completamente ordenado é o melhor.
Em particular, o "mestre glorioso" é capaz de gerar no fluxo mental [do discípulo] a união e a sabedoria primordial indestrutível.
Extraviar-se das características [acima] é ter a falha [de não ter um mestre de sabedoria qualificado]. Abandone [tal mestre]. Também, é raro que todas [as qualidades] sejam completas. [Portanto, deve-se] tomar um mestre com as mais nobres qualidades.
Alguém que é um vaso [adequado] para os votos de pratimoksha é [uma pessoa] sem obstáculos aos votos.
O discípulo dotado com as seguintes [características] deve ser conhecido como sendo dotado do atributo da diligência e deve permanecer nos votos [de pratimoksha]: devoção ao mestre; toma corretamente o código moral; concentração meditativa; diligência na recitação; uma [mente] ordenada e disciplinada; e paciência.
Ser um vaso para o voto de bodhisattva é ser dotado com fé, compaixão e um intelecto [para realizar a vacuidade]; aceitar realizar as práticas; não procurar o benefício da paz apenas para si; diligência; e deleite em ouvir sobre a vacuidade.
Além destas [características explicadas acima], o vaso adequado para o mantra [secreto] é devotado ao mestre; é tantricamente capaz; tem um intelecto vasto; é diligente no samaya e na realização.
Abandone as falhas. Quanto ao [discípulo com] uma mistura [de falhas e qualidades nobres, o mestre] deve-se tomar conta daquele que é dotado de fé e assim por diante.
O mestre e o discípulo, que são como jóias preciosas, devem examinar seu relacionamento.
[Com uma atitude que] deseja a liberação, [siga o mestre de sabedoria ao se aplicar em termos de] coisas materiais, honras, respeito e prática.
Ao confiar no mestre de sabedoria presente — que tem conduta pura; que é puro, não-adulterado, completo e puro — vejo-o como o testemunho da liberação do sofrimento. Assim foi feito pelo Vitorioso.
Além disso, há muitas vantagens de se seguir o amigo [espiritual].
O amigo prejudicial é de temperamento ruim, de pouca visão pura, grande no dogmatismo; mantém [sua própria visão] como a mais elevada, louva a si mesmo e denigre os outros.
Deve-se reconhecer o obstáculo de Mara e conquistá-lo com os antídotos.
Gere a fé de mente clara, confiante e desejosa.
Quanto à preparação para a explicação do Dharma sagrado: o mestre deve fazer os arranjos, aniquilar a facção de mara e purificar seu comportamento.
O discípulo deve oferecer um presente, prestar atenção à sua conduta, meditar e cultivar um humor alegre.
Há três coisas a serem aprendidas quanto ao assunto principal.
O mestre de sabedoria deve ter as duas bondades e as três paciências. [As duas bondades são: a compaixão que deseja colocar todos os seres sencientes na iluminação; e a compaixão que explica o Dharma com o desejo de beneficiar a todos os seres sencientes. As três paciência são: a paciência com a fatiga de ensinar e de fazer trabalho difícil; a paciência com os questionamentos dos discípulos; e a paciência para responder aos argumentos dos outros.]
O mestre de sabedoria explica o Dharma utilizando as seis portas da explicação. [As seis portas são: o assunto que deve ser conhecido; seu significado; a causa para conhecê-lo; completo conhecimento; o resultado do conhecimento; e o conhecimento superior que é resultado do conhecimento.]
O mestre de sabedoria primeiro descreverá a explicação geral e específica do objetivo [do ensinamento].
Há duas partes para a sinopse que tem seis boas qualidades.
[As duas parte para a sinopse são: o significado, que é uma sinopse das palavras; e a sinopse individual. As seis boas qualidades da sinopse são: ela é fácil de compreender; é claramente posta em palavras; é expressa agradavelmente; é afirmada precisamente; a explicação é igualmente pesada entre os tópicos; e é facilmente lembrada.]
O significado das palavras é explicado em três termos: o assunto a ser explicado; o que significa; e como a explicação é feita. Primeiro procure o significado dependente de palavras.
Há dois pontos para a conexão: facilmente compreendido e conectado.
As respostas para as objeções serão suportadas pela escritura e pelo raciocínio.
Para grandes intelectos, explique usando ensinamentos profundos e extensivos. Para intelectos inferiores, explique usando palavras fáceis de lembrar, simples e fáceis de compreender. Depois corte, precisa e sutilmente, as conexões que são contraditórias.
Quanto aos que são covardes, eleve-os; se suas mentes estão excitadas ou sonolentas, faça-os abandonar estas falhas.
Remova as três falhas e as seis máculas do vaso, e assim por diante. [As três falhas são: não ouvir bem o ensinamento; misturar o ensinamento com os venenos da mente; não reter os ensinamentos. As seis máculas são: orgulho; falta de fé; falta de esforço; ter a mente distraída por objetos externos; ter a mente distraída por objetos internos; ser triste.]
Então estabeleça a percepção do paciente, do remédio e do médico.
Tanto o mestre de sabedoria quanto o discípulo devem praticar os ensinamento e ouvir, em possessão das seis perfeições.
Subseqüentemente, o mestre pede perdão pelas falhas e então dedica toda a virtude e a oferece extensivamente.
[As três coisas a serem feitas] pelo discípulo são: oferecer presentes, fazer uma prece de dedicação, fazer firmes a atenção e a vigilância.
[Em geral,] as vantagens de ter ouvido e contemplado [o Dharma são cinco. Em particular, as vantagens de] ouvir, explicar, compreender o significado, colocá-lo em prática e se misturar com o Dharma são ilimitados.
Isto termina o comentário sobre a primeira seção do volume dois, divisão cinco do Tesouro do Conhecimento, explicando As Características do Relacionamento entre Mestre e Discípulo, o Método de Ensinar e Ouvir o Dharma Sagrado.(Jamgön Kongtrül Lodrö Thaye, 1813-1899)
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