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Textos | Versos de Dudjom Rinpoche


Uma Grinalda de Pontos Essenciais aos Estudantes
Coração-essência dos Grandes Mestres

Lama-raiz, precioso e muito bondoso,
Senhor da mandala, único refúgio infalível e duradouro,
Acolha-me com sua compaixão!
Trabalho apenas por esta vida, sem manter a morte em mente,
Desperdiçando este livre e bem-dotado nascimento humano.

A vida humana, durando um instante, como um sonho —
Pode ser feliz, pode ser triste.
Sem desejar a alegria, sem evitar a tristeza,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Esta vida humana, como uma lamparina ao vento —
Pode durar muito, ou não.
Não deixando que a prisão do ego se intensifique,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Uma vida de luxúria, como uma aparição enfeitiçadora —
Pode vir a acontecer, ou não.
Com os modos dos oito Dharmas mundanos lançados como restos,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Todos estes subalternos, como um bando de pássaros numa árvore —
Podem me rodear, ou não.
Sem deixar que os outros me guiem pelo nariz,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Este corpo ilusório, como uma casa podre de cem anos —
Pode durar, pode virar poeira.
Sem me esforçar para conseguir comida, roupas ou remédios,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Este comportamento de Dharma, como um jogo de criança —
Pode continuar, pode parar.
Sem ser enganado por coisas que não importam,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Todos esses deuses e espíritos, como os reflexos em um espelho —
Podem ajudar, podem prejudicar.
Sem ver minhas próprias visões deludidas como inimigos,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Toda essa tagarelice confusa, sem vestígios como um eco —
Pode ser interessante, ou não.
Com as Três Jóias e minha própria mente testemunhando,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

As coisas que provam ser inúteis em tempos de necessidade,
Como os esgalhos de um cervo —
Posso conhecê-las, ou não.
Não colocando minha confiança apenas nas artes e ciências,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Estes presentes e dinheiro dados pelos fiéis, como um veneno mortal —
Posso recebê-los, ou não.
Sem gastar minha vida tentando acumular lucros vis,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Este posto elevado, como excremento de cachorro enrolado em cetim —
Posso tê-lo, ou não.
Conhecendo minha própria podridão, de primeira mão,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Amigos e família, como viajantes que se juntam para uma feira —
Podem ser cruéis, podem ser amáveis.
Cortando a firme corda de apego do coração,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Todas estas posses, como a riqueza achada em um sonho —
Posso tê-las, ou não.
Sem usar o tato e a lisonja para convencer os outros,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Este posto na hierarquia, como pequeno pássaro empoleirado num ramo —
Pode ser alto, pode ser baixo.
Sem me fazer miserável ao desejar uma posição melhor,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Praticando os feitiços da magia negra, como armas mortais —
Posso ser capaz de lançá-los, ou não.
Sem comprar a lâmina que corta a minha própria garganta,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Fazer orações, como um papagaio dizendo Om Mani Padme Hum
Posso fazê-las, ou não.
Sem me gabar do que eu faço,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

A forma pela qual se ensina o Dharma, como água corrente —
Posso ser perito, ou não.
Sem pensar que mera eloqüência é Dharma,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

O intelecto que faz diferenciações rápidas, como um porco apodrecido —
Pode ser inteligente, pode ser estúpido.
Sem permitir que surjam as rebarbas do ódio e apego inúteis,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

As experiências de meditação, como a água do poço no verão —
Podem aumentar, podem diminuir.
Sem perseguir arco-íris, como fazem as crianças,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Esta percepção pura, como uma chuva no topo da montanha —
Pode surgir, ou não.
Sem tomar a experiência ilusória como sendo real,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Estas liberdades e condições favoráveis, como uma jóia que realiza desejos —
Se não estão presentes, não há como realizar o Dharma sagrado.
Sem desperdiçar o que já está na minha própria mão,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

O lama glorioso, como uma lamparina que ilumina o caminho da liberação —
Se não puder encontrá-lo, não há como realizar a verdadeira natureza.
Sem pular de um penhasco quando sei por qual caminho prosseguir,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

O Dharma sagrado, como um remédio que cura doenças —
Se não o ouço, não há como saber o que deve ser feito e o que não deve.
Sem engolir o veneno quando posso distinguir o benefício do malefício,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

O ciclo mutável da alegria e da tristeza, como as estações do ano —
Se isto não é visto, não há como alcançar a renúncia.
Como um tempo de sofrimento certamente virá ao meu redor,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

O samsara, como uma pedra que caiu profundamente na água —
Se não sair agora, não sairei mais tarde.
Erguendo-me pela corda das Três Jóias compassivas,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

As boas qualidades da liberação, como uma ilha de jóias —
Se não são conhecidas, não há como começar a fazer esforços.
Tendo visto a vantagem da vitória permanente,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

As histórias das vidas dos grandes mestres, como a essência do néctar da imortalidade —
Se não são conhecidas, não há como a confiança surgir.
Sem escolher a autodestruição quando posso distinguir a vitória da derrota,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

A mente da iluminação, como um campo fértil —
A não ser que seja cultivada, não há como atingir a iluminação.
Sem ficar ocioso quando há uma grande meta a ser realizada,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Minha própria mente, como as brincadeiras de um macaco —
Sem manter guarda, não há como evitar emoções conflitantes.
Sem agir irrestritamente, como um lunático,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

O ego, como uma sombra com a qual se nasce —
Até que seja abandonado, não há como alcançar um lugar de felicidade verdadeira.
Como o inimigo está em minhas garras, por que tratá-lo como amigo?
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Os cinco venenos, como brasas quentes entre as cinzas —
Até que sejam destruídos, não se pode descansar no estado natural.
Sem alimentar filhotes de víboras em meus bolsos,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Este fluxo mental, como a pele dura de um saco de manteiga —
Se não é domado e suavizado, não se pode misturar mente com Dharma.
Sem mimar criança é nascida por si mesma,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Estes maus hábitos arraigados, padrões kármicos, como as fortes correntes de um rio —
Se não são eliminados, não se pode evitar agir contrariamente ao Dharma.
Sem vender armas a meus inimigos,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Estas distrações, como ondas sem fim —
Se não são abandonadas, não há como se tornar estável.
Quando posso fazer aquilo que gosto, por que praticar o samsara?
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

As bênçãos do lama, como a primavera aquecendo o solo e a água —
Se elas não entram em mim, não há como ser introduzido à natureza da mente.
Quando há um atalho, por que tomar o caminho mais longo?
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Este retiro na selva, como o verão em um lugar exuberante onde crescem ervas —
Se não permanecer aqui, não há como nascer as boas qualidades.
Quando estiver no topo das montanhas, não retorne às cidades escuras.
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

O desejo pelo prazer, como um espírito de má sorte entrando na casa —
Se não estou livre dele, nunca pararei de trabalhar pelo sofrimento.
Sem fazer oferendas a fantasmas vorazes como meus deuses pessoais,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

A atenção, como a tranca do portão de um castelo —
Se não existir, não se pode parar os movimentos da ilusão.
Quando o ladrão certamente está vindo, por que esquecer de trancar a porta?
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

A natureza verdadeira, imutável, como o céu —
Até que seja realizada, não podemos resolver completamente as dúvidas da visão.
Não me deixando ser acorrentado por teorias,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

A consciência, como um pedaço impecável de cristal —
Até que seja vista, a meditação intencional não pode se dissolver.
Quando há uma companhia inseparável, por que procurar por outra?
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

A face da mente comum, como um velho amigo —
Se não é vista, tudo o que se faz é enganoso.
Sem procurar às cegas na escuridão de meus próprios olhos fechados,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Em resumo, sem abandonar as preocupações desta vida,
Não há como realizar os ensinamentos sagrados após a morte.
Tendo decidido mostrar grande bondade a mim mesmo,
Possa tudo o que eu fizer ser para o Dharma.

Possa eu não desenvolver visões errôneas sobre o lama que tem dado instruções de acordo com o Dharma.
Possa eu não perder fé na divindade meditacional quando os infortúnios acontecerem.
Possa eu não relaxar na prática quando as circunstâncias forem difíceis.
Possa não haver obstáculos para atingir a realização.

Todas estas atividades são inúteis, como fazer uma grande viagem a um terreno baldio.
Todas estas tentativas só fazem o meu fluxo mental ficar mais rígido.
Todo este pensar só adiciona confusão na confusão.
Tudo o que parece ser Dharma para as pessoas comuns só faz mais amarras.

Tanta atividade — nada vem dela.
Tanto pensar — nenhuma finalidade nele.
Tanto querer — sem tempo algum.
Tendo abandonado tudo isso,
Possa eu verdadeiramente praticar os ensinamentos sublimes.

Se precisar fazer algo, possa o ensinamento do Buddha servir de testemunha.
Se precisar fazer algo, misturo fluxo mental e Dharma.
Se precisar fazer algo, leio as histórias das vidas dos mestres do passado.
Qual a utilidade de outras coisas? Pirralho mimado!
Pegue um assento baixo e se torne rico em contentamento.

Tente diligentemente se libertar das oito preocupações mundanas.
Possam as bênçãos do lama entrar em mim,
Possa a minha realização tornar-se igual ao céu.
Conceda-me suas bênçãos para que eu possa alcançar o trono de Samantabhadra.

Escrito por Jigdral Yeshe Dorje [Dudjom Rinpoche, 1904-1988] para suas próprias preces, condensando o significado essencial das palavras-vajra do conselho dos grandes mestres do passado.


Os Ensinamentos Essencializados dos Santos do Passado

Único refúgio certo e constante, senhor da mandala,
Bondoso e preciosíssimo Lama-raiz,
Segure-me com sua compaixão — eu que, negligente da morte,
Desperdicei este corpo precioso de liberdades e dotes com as preocupações apenas desta vida.

Esta vida humana que é como um sonho, vazia de certeza —
Se estiver feliz, tudo bem; se não, tudo bem.
Despreocupado com os objetos de felicidade e tristeza,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Esta vida humana, como uma lamparina de manteiga ao vento —
Se for longa, tudo bem; se for curta, tudo bem.
Não procurando aumentar o aperto do ego,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estas discriminações e decisões, como uma aparição desconcertante —
Se forem apropriadas e correspondentes, tudo bem; se não, tudo bem.
Com os oito dharmas mundanos lançados como muitos restos,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estes amigos e aquisições, como um bando de pássaros em uma árvore —
Se permanecerem ao meu redor, tudo bem; se formos separados, tudo bem.
Amarrando a corda do meu nariz ao redor da minha própria cabeça,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este corpo ilusório, como uma ruína caída de cem anos —
Se ele se sustentar, tudo bem; se ele se desintegrar, tudo bem.
Não me amarrando com o esforço para obter comida, roupa e remédios,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estes formas do Dharma, como o jogo de uma criança —
Se eu as tiver, tudo bem; se perdê-las, tudo bem.
Não me enganando com o não-importante,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estes deuses e demônios, como reflexos em um espelho —
Se trouxerem benefício, tudo bem; se trouxerem malefício, tudo bem.
Não tomando minhas próprias aparências deludidas como inimigos,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este palavreado confuso, como um eco descontínuo —
Se for agradável e concordável, tudo bem; se não, tudo bem.
Com as Três Jóias raras e preciosas e minha própria mente como testemunhas,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

As coisas que, assim como os esgalhos de um antílope, são inúteis nas horas de necessidade —
Se eu conhecê-las, tudo bem; se não, tudo bem.
Não colocando minha fé nas várias artes e ciências,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estas riquezas e posses, como um veneno virulento —
Se vierem, tudo bem; se não, tudo bem.
Não desperdiçando esta vida humana na aquisição desonesta,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Esta aparência de grandeza, como as fezes de um cachorro embrulhadas em brocado —
Se eu a tiver, tudo bem; se não, tudo bem.
Quem quer experienciar o fedor de sua própria podridão, face a face?
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estes parentes por casamento, como encontros ao acaso na feira de um mercado —
Se forem sociáveis, tudo bem; se forem mesquinhos e desagradáveis, tudo bem.
Cortando a corda do apego a partir do coração,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Todos estes bens materiais, como tesouros encontrados em um sonho —
Se eu os tiver, tudo bem; se não, tudo bem.
Não virando as cabeças dos outros com falsas aparências e lisonja,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este posto, como um passarinho empoleirado sobre uma árvore —
Se for alto, tudo bem; se for baixo, tudo bem.
Não criando as causa de meu próprio sofrimento,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estes mantras maléficos e suas atividades associadas, como uma arma afiada —
Se funcionarem, tudo bem; se não, tudo bem.
Não comprando uma lâmina para cortar minha própria vida,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estas recitações, como um papagaio falando o Mani
Se forem feitas, tudo bem; se não, tudo bem.
Não contando as acumulações infinitas,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Esta fala exaustiva de explicações sobre o Dharma, como uma cachoeira na montanha —
Se for conhecível, tudo bem; se não, tudo bem.
Não confundindo estas tolices escolásticas com o Dharma real,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este intelecto, tão rápido para pular em conclusões, como o focinho de um porco —
Se for aguçado, tudo bem; se for estúpido, tudo bem.
Não agitando o redemoinho sem sentido da raiva e do desejo,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estas experiências yógicas, como um reio de verão —
Se aumentarem, tudo bem; se fade, tudo bem.
Não correndo atrás do arco-íris como uma criança,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estas visões puras, como uma tempestade na montanha —
Se surgirem, tudo bem; se não, tudo bem.
Não agarrando estas experiências delusivas como reais,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estas liberdades e dotes, como uma jóia que realiza desejos —
Sem elas, não há como realizar o Dharma sagrado.
Não as deixando ser desperdiçadas, agora que as tenho em minha mão,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este Lama glorioso, como uma lamparina sobre o caminho —
Se não encontrá-lo, não há como entender a natureza real de tudo que existe.
Não pulando do penhasco, agora que conheço o caminho,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este Dharma sagrado, como um remédio para curar toda doença —
Se não o ouvir, não há como saber o que deve ser e o que não deve ser feito.
Não engolindo o forte veneno, agora que conheço o que traz benefício e malefício,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Esta alternação de felicidade e tristeza, como a mudança das estações —
Se não olhar para ela, não há como atingir a renúncia.
Já que é certo que horas de tristeza me acontecerão devido à própria natureza da existência cíclica,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este existência cíclica, como um seixo caído nas profundezas da água —
Se não escapar dela agora, não haverá oportunidade para fazer isso depois.
Segurando a corda oferecida pela compaixão das Três Jóias raras e preciosas,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estas qualidades iluminadas da liberação final, como uma ilha de jóias —
Se não forem conhecidas, não há como começar a desenvolver perseverança.
Tendo reconhecido o benefício sutil na vitória permanente,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estas histórias das vidas dos perfeitamente iluminados, como um néctar quintessencial —
Se não forem entendidas, não há como a crença possa surgir.
Não comprando meu próprio sofrimento, agora que sei a diferença entre vitória e derrota,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Esta atitude da Bodhichitta, como um campo fértil —
Se eu não der surgimento a ela, não há como o estado búddhico ser atingido.
Não afundando na preguiça quando há grande um benefício a ser obtido,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Esta minha mente, como um macaco tagarela —
Se não vigiá-la cuidadosamente, não há como eu possa me livrar das emoções conflituosas.
Não apenas fazendo o que me agrada, como algum tolo,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este apego ao eu, como uma sombra com a qual se nasce —
Se não me livrar dele, não há como eu possa alcançar um lugar certo de felicidade.
Agora que agarrei o inimigo, não o ajudando,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estes cinco venenos, como brasas brilhando entre as cinzas —
Se não forem desarraigadas, não poderei permanecer no estado primordial da mente em si.
Não nutrindo serpentes venenosas em meu peito,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este meu fluxo mental, como a pele endurecida de um saco de manteiga —
Se não for amaciada e domada, o Dharma não se misturará com minha mente.
Não deixando meu próprio filho se entregar aos seus caprichos,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estes arraigados traços kármicos e hábitos ruins, como a corrente de um rio —
Se não forem cortados, não há como se separar da atividade mundana.
Não vendendo uma arma e a colocando nas próprias mãos do inimigo,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estas distrações, como as ondas incessantes sobre a água —
Se não forem abandonadas, não há como se tornar estável,
Não escolhendo praticar o samsara, agora que tenho posso fazer o que me agrada,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Estas bênçãos do Lama, como a terra e a água se aquecendo na primavera —
Se não entrarem em você, não há como poder ser introduzido à natureza da mente.
Não fazendo um grande desvio, agora que estou realmente em um atalho,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este lugar de retiro isolado, como um campo de plantas medicinais no verão —
Se não me estabelecer realmente lá, não há como as qualidades iluminadas me envolverem.
Não vagando de volta para as cidades e vilas negras, agora que estou realmente aqui nas montanhas,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este desejo por conforto e prazer, como um demônio da má fortuna entrando na morada de alguém —
Sem se separar dele, não há como parar o esforço pela gratificação mundana.
Não fazendo oferendas ao próprio demônio que procura me minar, como se ele fosse um deus,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este estado desperto atento, como a fechadura no portão de um castelo —
Se não mantê-lo, não há como parar os movimentos da delusão e do erro.
Não destrancando a porta, agora que o ladrão está em meu caminho,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Esta natureza real, como o céu imutável —
Se não entendê-la, não há como estabelecer a base para a visão correta.
Não me prendendo em meus próprios grilhões e correntes,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Este estado desperto puro, como um cristal imaculado —
Se não vê-lo, não há como dissolver o apego às meditações fabricadas.
Não procurando por outro, quando tenho esta companhia inseparável,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

A face do estado desperto ordinário, como um velho amigo a muito conhecido —
Se não for reconhecida, tudo o que fizer será apenas uma armadilha enganadora.
Não tentando medir as coisas com meus olhos bem fechados,
Possa eu, séria e sinceramente, colocar em prática os ensinamentos supremos.

Em resumo, se eu não abandonar os afazeres desta vida,
Não haverá oportunidade para praticar o Dharma sagrado em algum estágio posterior.
Tendo resolvido mostrar a bondade a mim mesmo,
Possa que tudo o que eu fizer se torne o Dharma sagrado.

Possa eu não ter visões errôneas quanto ao Lama que me aconselha de acordo com o Dharma,
Possa eu não perder a fé na divindade quando o karma ruim amadurecer
Ou abandonar a prática quando as condições forem difíceis.
Possam nunca surgir obstáculos à iluminação como estes.

Todas estas atividades, quaisquer que possam ser, são tão sem sentido quando viajar através uma selva.
Todo este esforço apenas faz o fluxo mental fiar mais rígido.
Todo este pensamento apenas alimenta a confusão.
Tudo o que se passa por Dharma na mente do homem ordinário apenas o amarra ainda mais.

Tanta atividade, mas nada vem dela;
Tantos pensamentos, mas não têm objetivo;
A necessidade segue a necessidade, mas nunca há tempo para satisfazê-las.
Deixando de lado o fazer, possa eu ter a força para colocar os ensinamentos orais em prática.

Se precisar fazer algo, possa eu começar a tomar as palavras dos vitoriosos como testemunhas.
Se algo precisar ser feito, possa eu misturar meu fluxo mental com o Dharma.
Se algo precisar ser realizado, possa eu tomar meu exemplo a partir das histórias das vidas e liberação dos santos do passado.
Imerso no hábito, como eu poderia fazer outra coisa?

Possa eu me manter na modéstia e humildade, tendo o contentamento como meu tesouro.
Possa eu me livrar me das amarras dos oito dharmas mundanos e me esforce com todo o coração pela realização.
Quando a bênção do Lama entra, o entendimento torna-se vasto como o céu.
Conceda-me suas bênçãos para que eu atinja o reino de Samantabhadra, o Buddha Todo Bom.

Isto foi composto por Jigdral Yeshe Dorje para sua própria recitação e prática e essencializa o significado dos conselhos imperecíveis dos santos do passado.


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