Método de SeteIntrodução | Tibet | Vajrayana | Tantra | Vajra & Gantha | Yidam | Mudra | Mantra
Mandala | Iniciação | Sadhana | Escolas | Biografias | Textos | Home
Textos | O
O alicerce para se praticar o método de sete pontos de causa e efeito é cultivar a mente serena. Sem este alicerce, você não estará apto a ter uma visão altruística imparcial, pois sempre se voltará aos interesses de parentes e amigos. Perceba que não se deve sentir preconceito, ódio e desejo por inimigos, amigos ou pessoas neutras, estabelecendo, portanto, um
forte alicerce de equanimidade.Para isto, como recomenda o texto, primeiro visualize uma pessoa neutra e totalmente desconhecida. Ao imaginá-la claramente, descobrirá que você não sente oscilação emocional alguma; não lhe quer bem nem a odeia — é indiferente. Depois visualize um inimigo; quando visualizá-lo, naturalmente sentirá ódio e manifestará desejos ruins. Em seguida,
visualize um amigo ou parente que lhe seja próximo. Com esta visualização, a reação natural será de afeição e vínculo.Ao visualizar o inimigo, você se verá um pouco distante e também sentirá raiva e repulsa. Considerei inimigos como os chineses, que destruíram o Dharma, que não tiveram compaixão e somente prejudicaram os outros, que governam um país por métodos totalitários, desprezando a qualidade humana da confiança. Reflita sobre a justificativa de reagir a eles de forma tão negativa. Embora seja verídico o fato de terem causado muito prejuízo e destruição, será que sempre agiram dessa forma? Descobrirá que não foi sempre assim: no passado, podem ter-se envolvido em ações benéficas. Mas agora não têm fé na doutrina e causam a destruição de muitas pessoas. Eles quase não têm controle sobre si. Por estarem sob influência da ignorância, da raiva, e assim por diante, apresentam
imperfeições; mas esta não é sua essência.Reflita sobre as delusões em sua mente. Embora possa haver diferença na força destas angústias, estas não deixam de ser tormentos. Perceba que não deve reagir emocionalmente às pessoas que você caracterizou como inimigos.
A seguir, examine como reage a seus parentes e amigos. Pense que são muito bons para você, que o beneficiam. Quando muito próximos, você sente, até mesmo, que sacrificaria a vida por eles. Mas embora seja verdade que têm sido bons com você nesta vida, no passado podem ter sido seus inimigos e, até mesmo, ter chegado ao extremo de lhe tirar a vida. Eles podem ter causado prejuízo e destruição a outros seres vivos. Por isso, não há por que se apegar a tais indivíduos, classificando-os como seus amigos e parentes.
Portanto, conclui-se que não há muita diferença entre inimigos e amigos. Em vidas passadas, as pessoas podem tanto tê-lo beneficiado como prejudicado. Não há por que ser parcial com relação a elas.
Por isso, desenvolva a mente de igualdade voltada a todos os seres vivos. Este estado não pode ser alcançado através de uma ou duas meditações; ao contrário, a prática deve ser repetida por meses ou anos.
O primeiro passo do método de sete pontos de causa e efeito é cultivar o reconhecimento de todos os seres conscientes como sendo sua mãe. Para isso, é necessário, primeiro, refletir sobre suas vidas neste ciclo da existência e que, de fato, em todas elas, você precisou ter uma mãe. Não há um só ser que se possa identificar como não tendo sido sua mãe no passado. Perceber todos os seres conscientes como sendo aquele que o deu à luz. Uma vez que os seres conscientes são inúmeros e infinitos, pode-se desejar saber se todos eles podem ter sido sua mãe. Mas considere que assim como os seres conscientes são inúmeros, também suas vidas no ciclo da existência o são. Ainda poderá refletir que, embora outros seres conscientes tenham sido sua mãe, eles o foram no passado, e não na vida presente. Mas, e sua mãe do passado não é mais sua mãe?
Compreendendo o ciclo vicioso da vida, entenderá que assumiu várias formas — ovípara e uterinas — que requerem a figura materna. Descobrirá que não há ser consciente que, no passado, não tenha sido sua mãe. Isto é de difícil compreensão. Pode-se iniciar com a abordagem contrária — a exclusão dos que, na sua opinião, não foram sua mãe. Ou seja, você pode achar que alguns seres conscientes não podem ter sido sua mãe; mas quem você pode apontar, com total segurança, não o ter sido?
A seguir, examine se você tende a ganhar ou a perder reconhecendo isso. Uma vez que está preocupado em cultivar a bodhichitta, a aspiração altruística, você deve reconhecer que sem o fator básico do reconhecimento dos outros como figura materna não obterá êxito no exercício. Então, sem esta realização, tende a perder. Se não acreditando que todos os seres conscientes foram sua mãe tendesse a ganhar, tudo bem; mas isto não é verdade. Considerando-se o círculo vicioso do ciclo da existência, todos os seres podem tê-lo dado à luz.
O reconhecimento de outros como pessoas que você preza não precisa se limitar a percebê-los como sua mãe. Como recomenda Maitreya em seu
Abhisamayalamkara, pode-se visualizá-los como sendo seus melhores amigos e seus parentes. Você pode imaginar todos os seres conscientes como seu pai, por exemplo, se com ele você se relaciona melhor do que com sua mãe, ou como uma criança de quem se sente próximo e por quem tem afeição. O importante é causar um efeito em sua mente e desenvolver um estado que lhe permitirá perceber todos os seres vivos como objetos mais próximos da afeição e da bondade. É assim que se cultiva o reconhecimento de todos os seres vivos como a figura materna.No texto, levantam-se argumentos como, por exemplo: se todos os seres conscientes tivessem, realmente, sido sua mãe, você não deveria lembrar deste fato? Replica-se que a falta de lembrança não constitui prova, pois mesmo nesta vida algumas crianças não reconhecem suas mães devido à passagem do tempo. Então, da mesma forma que sua mãe desta vida é muito boa e objeto de amor e afeição, todos os seres vivos devem, igualmente, ser objetos de amor e afeição.
A meditação seguinte é sobre a lembrança da bondade dos seres. Para isso, visualize a pessoa de quem se sente mais próximo — seja ela sua mãe ou seu pai — muito idosa. Visualize-se claramente em uma idade em que depende da cooperação e assistência dos outros. Fazer isto tem significado especial, uma vez que tornará sua meditação mais poderosa e eficaz.
Depois pense que sua mãe, por exemplo, também foi sua mãe em outras vidas. Nesta, em particular, sua bondade foi imensurável na hora do parto, pois durante a gestação passou por todo tipo de provação e, mesmo depois do seu nascimento, a afeição dela foi tanta que abdicou de sua própria felicidade e prazer por você. Quando você nasceu, ela se sentiu tão alegre quanto se tivesse encontrado um tesouro, e o protegeu, cuidando, até mesmo, de sua higiene. Portanto, você recebeu proteção até poder andar com as próprias pernas.
Essa bondade também é vivenciada quando se renasce como um animal — pássaro, cachorro, etc. Observe-os: embora a afeição desses animais não seja duradoura como a dos humanos, na hora do nascimento a mãe demonstra grande amor e afeição. Seu afeto e compaixão pelos filhotes rechaça mais o eu do que no caso de seres humanos, pois estes são influenciados pelo pensamento egoísta de que a criança, mais tarde, retribuirá tal afeição.
Os pássaros, por exemplo, alimentam seus filhotes matando insetos, e assim por diante. Determinadas espécies, quando protegem sua cria, se sacrificam muito e fazem isto individualmente, e não vivendo em comunidade como o fazem os seres humanos. A forma como criam os filhotes é realmente tocante. Quando sua cria é ameaçada por predadores, se preciso, sacrificam até mesmo a vida para salvá-la. Basicamente, fazem isso a partir do apego, mas ainda assim seu ato é de grande bondade; então, não é somente quando se renasce como ser humano que a bondade da mãe não tem limites. Sua bondade não se limita ao período de uma vida. Este tipo de contemplação fará forte efeito em sua mente.
Após refletir sobre a bondade de quem o deu à luz, principalmente sobre a da sua mãe atual, deve visualizar outros seres que considera distantes e repulsivos, mesmo animais, e tomá-los como seu objeto de visualização. Pense que embora estes inimigos sejam prejudiciais, em outras vidas podem ter sido seus pais: podem tê-lo protegido e salvo sua vida inúmeras vezes.
A meditação sobre a lembrança da bondade deve ser acompanhada daquela sobre a retribuição do bem. O pensamento de se retribuir a bondade das mães surgirá, naturalmente, quando se conseguir lembrar desse sentimento — ele deve vir do fundo do seu coração. Não retribuir a bondade seria injusto e um ato de ingratidão. Por isso, você deve fazer o possível para beneficiar os outros; esta é uma forma de compensação.
Após cultivar a imparcialidade e o reconhecimento de todos os seres conscientes como sua mãe, os perceberá com afeição e estima. E quanto mais forte seu afeto, maior sua aspiração de libertá-los do sofrimento para que desfrutem de felicidade. Então, o reconhecimento dos outros como figura materna é alicerce para as meditações subsequentes. Com a base apropriada, relembre a bondade e desenvolva genuíno desejo de retribuição, e assim alcançará um estado em que se sentirá próximo de todos os seres vivos. Agora, reflita sobre o fato de que, embora todos os seres conscientes desejem naturalmente a felicidade e queiram evitar o sofrimento, são atormentados por angústias inimagináveis. Pense, então, que eles são como você no que diz respeito a almejar o contentamento, mas este lhes falta. Tendo assim refletido, cultive a bondade dedicada.
Ao meditar sobre compaixão, reflita sobre a forma em que todos os seres vivos vivenciam os sofrimentos. Primeiro, para desenvolver um sentimento de pesar pela dor alheia, visualize um ser passando por tormentos ativos. Como recomenda o texto, visualize vívida e claramente um animal destinado à morte, por exemplo. Imagine em que estado mental tal ser estaria nesta situação. Depois deseje que ele se liberte das aflições.
Você pode visualizar os sofrimentos dos outros seres vivos. Ao viajar de trem pela Índia, por exemplo, vê-se o sofrimento de muitas criaturas nas estações — cachorros e outros animais, e, até mesmo, seres humanos. Imagine estas criaturas e pense que, embora passem por sofrimentos óbvios e manifestos, são iguais a você no que diz respeito ao desejo natural de ser feliz e de evitar a dor. Os seres humanos empregam animais para todos os propósitos; e geralmente os utilizam para a prática de trabalhos árduos. É comum ver muitos touros em cidades e vilas. Embora a sociedade indiana evite a sua matança, esses animais, quando adultos, não são mais considerados úteis pela comunidade; são rejeitados. Na Índia, é muito comum encontrar mendigos — cegos, surdos, mudos, etc. — e pessoas muito pobres. Ao invés de lhes prestar ajuda com compaixão, as pessoas tendem a evitá-los ou a intimidá-los, mesmo quando estão longe. Em qualquer estação ferroviária, pode-se ver isso.
Imagine qualquer situação considerada intolerante. Fazer isso lhe permitirá ter piedade e tornará mais fácil o desenvolvimento da genuína compaixão universal.
Depois pense nos seres vivos em outros níveis; neste momento, podem não estar passando por sofrimentos manifestos, mas devido ao envolvimento em ações negativas certamente vivenciarão, no futuro, conseqüências indesejáveis.
O desejo de que todos os seres vivos aos quais falta felicidade sejam dela dotados é o estado da mente universal chamado amor, e o desejo de que todos os seres se libertem do sofrimento é chamado de compaixão. Estas duas meditações podem ser empreendidas ao mesmo tempo, até que surja efeito ou mudança na mente.
O cultivo do amor e da compaixão não deve ficar no nível da imaginação ou do desejo; ao contrário, um senso de responsabilidade e uma genuína intenção de se envolver na tarefa de aliviar todos os seres vivos de seus sofrimentos e de lhes proporcionar felicidade devem ser desenvolvidos. É importante que o praticante trabalhe por esta realização. Quanto mais forte a compaixão, mais se sentirá responsável. Devido à ignorância, os seres conscientes não têm conhecimento dos meios apropriados para alcançar seus objetivos. Os que possuem este saber têm a responsabilidade de trabalhar para o seu próprio benefício.
Este estado mental é chamado de atitude extraordinária ou especial, atitude incomum. É assim chamado porque tal força de compaixão, incumbindo o indivíduo dessa responsabilidade, não se encontra em treinandos de capacidade mais baixa. Como explicam as tradições orais, provido desta atitude, o indivíduo terá a incumbência de realizar o objetivo. É como fechar um negócio ou assinar um contrato.
Após gerar a atitude extraordinária, pergunte a si mesmo se, embora tenha coragem e determinação de trabalhar para o bem de outros seres vivos, você realmente possui a capacidade de lhes trazer felicidade genuína. Somente mostrando aos seres o caminho que leva à onisciência, e deixando-os eliminar a ignorância, é que eles estarão aptos a alcançar felicidade duradoura. O mesmo se aplica a você: se deseja alcançar a liberação, é sua a responsabilidade tomar a iniciativa de se livrar da ignorância.
Como mencionei, você também deve mostrar o caminho correto aos seres vivos — para isto, primeiro, deve se conhecer. Há diferentes formas de adquirir conhecimento; uma delas é desenvolvendo o intelecto, mas a forma mais profunda é compreendendo através da experiência.
O ensinamento que passará aos outros não lhe deve ser obscuro. Você deve ter sabedoria de julgar o quanto um ensinamento se aplica às disposições e faculdades mentais de diferentes seres. Certas coisas são profundas e você não pode ensiná-las a qualquer um; alguns ensinamentos podem se mostrar prejudiciais e não benéficos.
Para conhecer as diferentes faculdades dos seres, você terá de superar formas sutis de obstruções ao conhecimento. Um exemplo dado pelo Buddha demonstra a importância disto; um chefe de família queria se tornar monge, mas os discípulos de Buddha, como S
hariputra, achavam que ele não tinha potencial mental suficiente para receber a ordenação. Mas o Buddha, por meio da onisciência, percebeu nele uma semente. Por isso, enquanto você não for totalmente iluminado, haverá uma obstrução ao conhecimento, que tornará incompleta a sua tarefa de ajudar aos outros.Você pode achar, por exemplo, que a realização dos desejos dos outros seres conscientes e o seu bem-estar depende de iniciativa própria, e que, portanto, não há por que você trabalhar para alcançar o esclarecimento. Afinal, se os seres conscientes tomarem a iniciativa, haverá muitos buddhas a postos para ajudá-los.
Entretanto, o benefício provindo dos guias espirituais ou dos professores depende da ligação
kármica do beneficiário com esses seres. Portanto, mestres espirituais podem ser bastante eficazes e benéficos a alguns discípulos, mas não a todos. Para melhor compreender isto, leia sutras como A Perfeição da sabedoria em Oito Mil Linhas, em que os buddhas e bodhisattvas, vendo que um certo praticante tem ligação kármica mais forte com outro mestre, aconselham-no a procurá-lo. Outros seres conscientes, por sua vez, estarão aptos a ver o Buddha diretamente, mas se beneficiariam mais da integração com o mentor, por ter com ele mais vínculos cármicos. Considerando o círculo vicioso do ciclo da existência, pode-se falar de infinitos vínculos cármicos; entretanto, aqui, refiro-me aos recentes.Embora a realização do estado de onisciência possa não ser benéfica a todos os seres vivos, ela trará, definitivamente, vantagens a outros. Por isso, é muito importante trabalhar a favor do esclarecimento total. Por haver seres que dependem de direcionamento, é importante você se imbuir da responsabilidade de buscar o bem dos outros. Pensando assim, você estará apto a desenvolver forte crença de que, sem alcançar o estado de onisciência, não realizará o que se propôs a fazer nem poderá beneficiar verdadeiramente os outros.
Com base nos alicerces de amor e compaixão, gere aspiração, a fim de alcançar o estado de esclarecimento total para o bem-estar do todo. O cultivo de tal estado mental constitui a realização da bodhichitta.
Após o exercício, envolva-se na prática de cultivar a nobre aspiração que resulta no caminho. Visualize o mestre espiritual; imagine-se expressando prazer, dizendo que você é admirável e afortunado por ter gerado a nobre aspiração e por ter-se envolvido no caminho para cultivá-lo, e que o protegerá. Pense que, como resultado, o mestre se dissolve em sua cabeça e em seu coração. Depois você se dissolve no vazio e dele ressurge no aspecto do Buddha Shakyamuni. Imagine-se inseparável do mestre e da alegria. Em seu coração, visualize todas as virtudes acumuladas pela prática d
a bodhichitta. Isso emana, em forma de raios de luz, em direção a todos os seres vivos e contribui ativamente para o seu bem, aliviando-os do sofrimento, colocando-os no estado de liberação e de renascimento favorável e, eventualmente, levando-os ao estado de onisciência.Durante os períodos entre sessões, devem ser lidos os textos relacionados à prática. Com isso, conclui-se o método de se cultivar a bodhichitta em conformidade com o método de sete pontos de causa e efeito.
Compromissos da prática de transformação de pensamento
Preceitos da prática de transformação de pensamento
As dezoito infrações raiz
A não ser em casos de desistência do compromisso com aspiração altruística e, conseqüentemente, sustentação de visões pervertidas, a infração a qualquer um dos votos-raiz exige que façamos a associação com o que se chama de "quatro fatores para o embaraço total": não estar ciente das desvantagens; não reverter o desejo de se envolver na infração; sentir deleite com relação ao ato com sensação de prazer; falta de vergonha e consciência.
As quarenta e seis infrações secundárias
Sete fracassos relacionados à generosidadeIntrodução
| Tibet | Vajrayana | Tantra
| Vajra & Gantha | Yidam | Mudra
| Mantra
Mandala | Iniciação | Sadhana
| Escolas | Biografias
| Textos | Home