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Textos | A Natureza da Instrução


O Buddha Shakyamuni fez grandes esforços para fazer surgir e realizar a mente da iluminação a fim de beneficiar os incontáveis seres sencientes. Registros de seu treinamento podem ser lidos nas histórias Jataka, assim como em vários sutras e trabalhos posteriores. Após atingir a iluminação, ele girou a Roda do Dharma para os seres de boa fortuna, revelando o que deve ser superado e o que deve ser realizado a fim de transcender os estágios e níveis que conduzem ao renascimento superior, à liberação e à perfeição onisciente. Na prática, seus ensinamentos são como um olho através do qual podemos ver todos os níveis da realidade, um remédio fabuloso capaz de abrir as portas da sabedoria convencional e última.

Estes métodos adamantinos foram transmitidos e clarificados por uma corrente inquebrantável de mestres indianos como Nagarjuna e Asanga. Eventualmente, eles se espalharam através da Índia, Sudeste Asiático, China, Japão, Coréia, Nepal, Tibet e por toda a Ásia Central. Em todos estes países, o Dharma puro foi moldado de acordo com as experiências dos mestres de linhagem, que expressaram os ensinamentos nos modos mais adequados ao tempo, cultura e disposições daqueles que treinam sob eles. Assim o buddhismo veio a ter muitas faces; mas a essência de todas as transmissões válidas permanece a mesma: superar a negatividade, aumentar a bondade, cultivar e liberar a mente.

O buddhismo foi transmitido através algumas linhagens no Tibet [Nyingma, Kagyü, Sakya e Gelug]. Apesar de cada uma destas linhagens manifestar modos um pouco diferentes de apresentar os ensinamentos, de acordo com as necessidades dos discípulos, do tempo e das áreas do Tibet onde as linhagens foram introduzidas, todas elas aceitam os quatro selos da doutrina buddhista [impermanência, não-eu, sofrimento e nirvana], todas praticam o caminho combinando o Sutrayana e o Vajrayana, e todas possuem métodos pelos quais a iluminação pode ser realizada em uma única vida, [portanto] as diferenças não são importantes. Novamente, há diferenças nos detalhes de prática dentro do buddhismo theravadin, chinês, japonês e tibetano, porém o fio essencial com o qual eles foram tecidos é a substância fundamental da fala de ouro do Buddha.

As diferenças estão mais no modo dos ornamentos colocados em cima do tecido, a fim de deleitar ainda mais os praticantes com necessidades específicas. Não precisamos de uma única forma de buddhismo, assim como o mundo não requer apenas uma religião. Apesar de todos os humanos serem iguais, cada um de nós tem o seu background individual, seu modo único de ver e apreciar as coisas, seus próprios sabores espirituais e filosóficos. Do mesmo modo como se desenvolveu uma variedade de comidas para satisfazer os gostos individuais de diferentes pessoas, a variedade de religiões e de assuntos dentro das religiões é algo positivo, fornecendo caminhos para um maior espectro de praticantes. No Tibet, encorajávamos este tipo de liberdade religiosa pessoal a ponto de lá surgir o ditado, "Cada lama é sua própria religião". A diversidade é tanto bela quanto necessária.

(Dalai Lama. The Path to Enlightenment. Compilado, editado e traduzido por Glenn H. Mullin;
traduzido com Tsepak Rigzin e Lobzang Dawa. Ithaca; Snow Lion Publications, 1995. Pág. 25-26.)


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