
Dugpa Rinpoché tinha uma visão "perfeitamente adaptada ao nosso mundo moderno". O fulgor das réplicas do mestre, a sua maneira precisa de responder a cada pergunta, como a flecha atinge o alvo, fazendo cair a ilusão e resolvendo o problema, fizeram com que numerosos refugiados tibetanos o considerassem um homem milagroso.
Dugpa Rinpoché seguiu S.S. Dalai Lama na sua fuga do Tibete, por altura da invasão chinesa, e, depois de ter estado em Dharamsala, escolheu viver em Nagarkot, Nepal, a três mil metros de altitude, à vista dos seus três cumes lendários: o Annapurna, o Melung Tse e a cordilheira do Everest, coroados de neve.
O mestre do Vajrayana não se perdia em longas teorias sobre os benefícios da meditação, sobre a técnica das visualizações. A cada pergunta feita, respondia com uma visão rápida, perfeitamente ajustada ao problema, ao inquérito. A sua resposta revelava sempre o essencial, tocava o coração, e era como se muralhas de escuridão fosse derrubadas. Cada uma das suas respostas engrandecia o espírito, comunicava uma nova maneira de ver, imediata.
Dugpa Rinpoché escreveu os seus preceitos a tinta, em páginas brancas que enrolava de seguida, e que evocavam os antigos rolos das orações tradicionais. Aplicava-se com a minúcia dum calígrafo, para traçar os sinais, e meditava no seu texto ao mesmo tempo que escrevia. Dugpa Rinpoché faleceu em Dharamsala em 1989.
Selecção: Sherab Chotso (Helena Mello) — Portugal