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Homenagem à Manjushrikumarabhuta!
[1] Prostro-me ao Buddha todo-poderoso,
Cuja mente é livre do apego,
Que, em sua compaixão e sabedoria,
Ensinou o inexprimível.[2] Na verdade, não há nascimento
Então, certamente não há cessação ou liberação;
O Buddha é como o céu
E todos os seres têm essa natureza.[3] Nem o samsara nem o nirvana existem,
Mas tudo é um continuum complexo
Como a face intrínseca do vazio,
O objeto da consciência última.[4] A natureza de todas as coisas
Aparece como um reflexo,
Puro e naturalmente brilhante,
Com a natureza não-dual, tal como é.[5] A mente comum imagina um eu
Onde não há absolutamente coisa alguma,
E se concebe de estados emocionais
Felicidade, sofrimento e equanimidade.[6] Os seis estados do ser no samsara,
A felicidade do céu,
O sofrimento do inferno,
São todos criações falsas, imaginações da mente.[7] Do mesmo modo, as idéias de que a ação ruim
Causa o sofrimento, a velhice, a doença e a morte,
E de que a virtude leva à felicidade,
São meras idéias, noções irreais.[8] Como um artista amedrontado
Pelo demônio que ele mesmo pintou,
O sofredor do samsara
É assustado pela sua própria imaginação.[9] Como um homem preso na areia movediça,
Se agitando e se debatendo,
Deste modo os seres afundam
Na confusão de seus próprios pensamentos.[10] Confundir a fantasia com a realidade
Causa uma experiência de sofrimento;
A mente é envenenada pela perturbação
Da consciência da forma.[11] Dissolvendo a imaginação e a fantasia
Com uma mente de sabedoria compassiva,
Permaneça na consciência perfeita
Para ajudar a todos os seres.[12] Assim adquirindo a virtude convencional,
Livre da teoria do pensamento interpretativo,
A compreensão insuperável é obtida
Com o Buddha, o amigo do mundo.[13] Conhecendo a relatividade de tudo,
A verdade última é vista sempre;
Descartando a idéia de começo, meio e fim,
O fluxo é visto como a vacuidade.[14] Então, todo o samsara e o nirvana é visto como é
Vazio e insubstancial,
Nu e imutável,
Eternamente brilhante e iluminado.[15] Como as imaginações de um sonho,
Que se dissolvem ao despertar,
Assim a confusão do samsara
Desaparece na iluminação.[16] Idealizando as coisas de nenhuma substância
Como se fossem eternas, substanciais e satisfatórias,
Envolvendo-as em uma névoa de desejo,
Surge a roda da existência.[17] A natureza dos seres é não-nascida,
Mas geralmente os seres são considerados existentes;
Tanto os seres quanto suas idéias
São crenças falsas.[18] Nada mais é do que um artifício da mente
Este nascimento em um vir-a-ser ilusório,
Em um mundo de ação boa ou ruim,
Seguidas pelo renascimento bom ou ruim.[19] Quando a roda da mente pára de girar,
Todas as coisas vêm a um fim.
Assim, não há qualquer coisa inerentemente substancial
E todas as coisas são absolutamente puras.[20] Este grande oceano do samsara,
Cheio de pensamentos deludidos,
Pode ser atravessado no barco Mahayana.
Quem pode alcançar o outro lado sem ele?
As Vinte Estrofes Mahayana (sânsc. Mahayanavimsaka, tib. Theg pa Chen po Nyi shu) foram compostos pelo mestre Nagarjuna. Eles foram traduzidos para o tibetano pelo pandita de Kashmir, Ananda, e pelo monge tradutor Dragjor Sherab (tib. Grags 'byor Shes rab).