Jetsün Mila - O Poeta do Tibet

Canção dos Sete Ramos


Ó mestre Marpa que, aos olhos dos buscadores impuros,
Aparece de diversas formas e,
Para a assembléia de bodhisattvas puros,
Manifesta-se como o buddha sambhogakaya — eu o saúdo.
Fazendo soar os sessenta tons do Brahma celeste,
Você fala sobre o ensinamento sagrado em seus oitenta e quatro mil aspectos
Que foram compreendidos pelas pessoas, cada uma em seu próprio idioma;
Prostro-me à sua fala,
Que é inseparável de sua vacuidade inata.
No espaço claro e lúcido do dharmakaya,
Não há mácula de discriminação,
Porém abarca todo o conhecimento;
Saúdo a mente do dharmakaya imutável.
Residindo no palácio da vacuidade pura,
A imutável Damema, com o corpo ilusório,
É a mãe que dá a luz aos buddhas dos três tempos.
Damema, prostro-me aos seus pés.
Mestre, com verdadeiro respeito, eu saúdo
Os filhos espirituais que carregam seus comandos
E a multidão de seus seguidores.
Ofereço meu corpo a vocês
E tudo o que for digno de se oferecer
Em todos os reinos do universo.
Arrependo-me de todos os meus erros, um a um.
Regozijo-me nos atos virtuosos dos outros.
Imploro a vocês para que girem a roda do Dharma em toda a sua extensão,
Rogo que o mestre supremamente perfeito possa viver
Enquanto existirem seres sencientes presos no samsara.
Que os meus méritos espirituais possam beneficiar a todos os seres sencientes.

Milarepa, 1040-1123


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