Jetsün Mila - O Poeta do Tibet

Canção ao Espírito da Rocha


Os rios, as pequenas ondulações, as ondas — estes três,
Quando surgem, surgem no próprio oceano;
Quando desaparecem, desaparecem no próprio oceano.

O pensamento habitual, o amor, a possessividade — estes três,
Quando surgem, surgem na própria consciência-armazém;
Quando desaparecem, desaparecem na própria consciência-armazém.

A auto-consciência, a auto-iluminação, a alto-liberação — estes três,
Quando surgem, surgem na própria mente;
Quando desaparecem, desaparecem na própria mente.

O não-nascido, o incessante, o inexprimível — estes três,
Quando surgem, surgem na natureza da própria mente;
Quando desaparecem, desaparecem na natureza da própria mente.

As visões de demônios, o apego aos demônios, os pensamentos sobre demônios — estes três,
Quando surgem, surgem no próprio yogi;
Quando desaparecem, desaparecem no próprio yogi.

Já que os demônios são fantasmas da mente,
Se o yogi não compreender que as aparências são vazias,
Ou mesmo se ele pensar que elas são reais, a meditação torna-se confusa.

Mas a raiz da delusão está na própria mente —
Pela observação da natureza das manifestações,
Ele realiza a identidade do fenômeno e do vazio,
E através desta realização, ele sabe que estes dois não são diferentes.

A meditação e a não-meditação não são dois, mas são apenas um —
A causa de todos os erros está em ver estas duas coisas como sendo diferentes.
Do ponto de vista absoluto, não há esta visão.

Se você fizer a comparação entre a natureza da mente
E a natureza dos paraísos,
Então a própria natureza verdadeira do ser será penetrada.

Realize, agora, que você vê o significado verdadeiro, que está além do pensamento;
Prepare-se para entrar na meditação imperturbável
E esteja atento à incessante sensação intuitiva.

Milarepa, 1040-1123


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