Jetsün Mila - O Poeta do Tibet
Canção do Cavalo
Galopante do Yogi
Prostro-me aos pés de Marpa, o tradutor!
No eremitério da montanha, que é o meu corpo,
No templo do meu peito,
No topo do triângulo do meu coração,
O cavalo, que é a minha mente, voa como o vento.Se eu tentar capturá-lo, com que laço irei pegá-lo?
Se eu tentar amarrá-lo, em que estaca irei amarrá-lo?
Se ele estiver com fome, qual alimento darei a ele?
Se ele estiver com sede, o que misturarei com sua água?
Se ele estiver com frio, entre quais paredes irei abrigá-lo?Se eu capturá-lo, será com o laço do incondicionado.
Se eu amarrá-lo, será na estaca da meditação profunda.
Se ele estiver com fome, vou alimentá-lo com os preceitos do mestre.
Se ele estiver com sede, vou dar a água do fluxo perpétuo da atenção.
Se ele estiver com frio, vou abrigá-lo entre as paredes da vacuidade.Como sela e freio, usarei os meios hábeis e a sabedoria.
Vou equipá-lo com a forte cilha da imortalidade.
Vou segurar as rédeas da energia que sustenta a vida.O filho da consciência irá cavalgá-lo.
Como elmo, ele usará a atitude iluminada do Mahayana.
Sua capa será feita com o ouvir, o questionar e o meditar.
Em suas costas, ele usará o escudo da paciência.
Ele segurará a lança da visão perfeita.
Ao seu lado será amarrada a espada do conhecimento.Se a flecha de sua consciência-armazém se curvar,
Ele a endireitará sem ódio.
Ele colocará as penas das quatro atitudes ilimitadas.
Ele colocará a ponta afiada da sabedoria.
No arco da vacuidade dos fenômenos,
Ele ajustará a profunda curvatura dos compassivos meios hábeis.Medindo a infinidade da não-dualidade,
Ele vai atirar suas flechas pelo mundo.
Aqueles que ele vai atacar são os fiéis.
Aquele que ele vai matar é o seu apego ao eu.
E assim, como inimigo, ele vai subjugar o desejo e a delusão.
Como amigo, ele protegerá os seres sencientes dos seis reinos.Se ele galopar, será nas planícies da grande felicidade.
Se ele persistir, atingirá o nível do Buddha vitorioso.
Indo para trás, ele corta a raiz do samsara.
Indo para frente, ele alcança a elevada terra do estado búddhico.
Montando tal cavalo, ele atinge a mais elevada iluminação.
Você pode comparar sua felicidade com isto?
Eu não desejo a felicidade mundana.Milarepa, 1040-1123