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Ensinamentos Fundamentais do Budismo Ch'an |
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Queridos e Veneráveis Amigos no Dharma, Há mais de dois mil e quinhentos anos Buda Shakyamuni "nasceu neste mundo para a causa e condição de uma missão maior." Esta missão, esta causa e condição, é a que hoje, comumente, nos referimos como o "Dharma budista", a Verdade realizada por Buda. Os ensinamentos budistas diferem da investigação e do conhecimento acadêmico. A investigação acadêmica habitual enfoca explicações sobre as aparências; é uma interpretação baseada no nome e na forma do fenômeno. O budismo, por outro lado, enfatiza o entendimento profundo da natureza do fenômeno; é definitivo e completo. Para exemplificarmos, falemos de minha mão. O conhecimento comum assegura que se trata de uma mão. A ciência médica a vê como uma estrutura formada de ossos, músculos, nervos e células. A literatura define a mão em termos de estilo, gesto e expressão. A interpretação filosófica da mão é a personificação do destino e da amizade. Na física, os movimentos de distensão e de contração da mão significam força e movimento. Além disso, a mão é considerada real, como algo que realmente existe. A visão budista de minha mão, por outro lado, é semelhante a uma radiografia profunda, onde a mão é, na verdade, apenas uma forma ilusória, de natureza instável e que eventualmente se deteriorará e desaparecerá. É apenas um fenômeno que, em última análise, é vazio em sua natureza. Digamos que eu abra e feche minha mão. O conhecimento e o intelecto comuns diriam que eu apanhei um pouco de ar e algumas partículas de pó. Trata-se de um movimento e um gesto. Sob a perspectiva budista, o fechar de minha mão é "como um sonho, uma ilusão, uma bolha, uma sombra, como o orvalho e o raio." É apenas um fenômeno que existe pela combinação de determinadas causas e condições. Podemos, então, concluir que as perspectivas humanas são estreitas e limitadas, dificultando muitas vezes a visão do mundo no esplendor da sabedoria última. A felicidade e o sofrimento mundanos não possuem uma existência absoluta por si mesmos. Surgem apenas por causa das diferenciações que fazemos em nossas percepções e cognições. Quando começamos a entender e aceitar os ensinamentos budistas, é necessário que mudemos nossas perspectivas. Devemos ir além do fenômeno superficial para a realidade última da "fenomênica", iluminar nossa sabedoria do Prajna e plantar as sementes de Bodhi. Só então a água do Dharma do Samadhi fluirá nos campos espirituais de nossos corações.
Um dia ela conheceu um monge que ficara muito curioso para saber porque estava sempre chorando. Ela explicou-lhe seu problema. O monge sorriu ternamente e disse: "Senhora, não é necessário se preocupar mais. Vou lhe mostrar o caminho da felicidade e a senhora não precisará mais se lamentar." A senhora chorona ficou muito excitada. Pediu que o monge lhe mostrasse imediatamente que fazer. O mestre respondeu: "É muito simples. A senhora precisa apenas mudar sua perspectiva. Nos dias ensolarados, não pense na sua filha mais velha que não pode vender guarda-chuvas, mas na sua filha mais jovem que pode secar seu macarrão. Com o sol bom e intenso será capaz de produzir grandes quantidades de macarrão e suas vendas serão excelentes. Em dias de chuva, pense na loja de guarda-chuvas de sua filha mais velha. Com a chuva, todos terão que comprar guarda-chuvas. Ela venderá uma porção deles e sua loja prosperará." A velha senhora enxergou a luz. Seguiu as instruções do monge. Após certo tempo, não mais chorou; ao contrário, sorria todos os dias. A partir de então passou a ser conhecida como "a senhora sorridente." Quando tivermos preocupações e problemas, se formos capazes de imitar a "senhora chorona" e mudarmos um pouco nossas perspectivas, seremos capazes de transformar preocupações e problemas em felicidade e fortuna. Isto não requer nenhum poder mágico. Se pudermos compreender, por um minuto apenas, o maravilhoso Dharma do budismo e aplicá-lo efetivamente durante os momentos críticos de nossas vidas, seremos capazes de ampliar nossa compreensão. Transformaremos a tolice em sabedoria e a ignorância em iluminação. Qualquer um que tenha o mais leve conhecimento do budismo sabe que Buda Shakyamuni atingiu a iluminação ao contemplar as estrelas à noite, debaixo da árvore Bodhi, em seu "trono de diamante." No momento em que a luminosa estrela cadente riscou o céu, o que foi que o Buda realizou? Ele viu a realidade última do universo e da vida. O que é então a Verdade realizada pelo Buda? É a lei de causa e condição, a lei da gênese condicionada. Se pudermos compreender a lei da causa e condição, a lei da gênese condicionada, e se pudermos viver de acordo com essa verdade, seremos exatamente como o Buda. Seremos capazes, então, de abandonar todas as dores e ansiedades, que estão associadas a essa existência terrena imperfeita. A escritura diz: "Todos os fenômenos surgem em função das causas e condições; todos os fenômenos cessam devido às causas e condições." O que queremos dizer com causas e condições? Causas e condições são nada mais que interações e relacionamentos humanos. Os relacionamentos podem ser amáveis e respeitosos, antagônicos e competitivos, bons e maus. Se pudermos captar a fundo a lei de causa e condição, seremos capazes de compreender a ascensão e queda da prosperidade dos seres sensíveis, a origem e a extinção da existência, a realidade do universo e da humanidade. Há normalmente quatro maneiras de se considerar o aparecimento e o cessar das causas e condições. Sem causa, sem condiçãoNormalmente, nossas convicções sobre a vida incluem predeterminação, acaso e desígnio divino. Estas perspectivas não consideram a vida do ponto de vista da causa e condição. Por exemplo, as pedras normalmente não produzem óleo, mas digamos que, certa vez, alguém tenha acidentalmente extraído óleo de um fóssil. Em lugar de analisar o óleo de fóssil e procurar a causa de sua formação, a pessoa simplesmente conclui ser uma ocorrência ocasional. Quando uma criança come demais, empanturrando-se até morrer, em lugar de se evitar a alimentação excessiva, seus familiares simplesmente lamentam o fato como obra do destino. Uma tentativa fracassada de roubo transforma-se em assassinato; a família da vítima simplesmente culpa a predeterminação. As pessoas mais dignas de pena são aquelas que jogam toda responsabilidade às portas dos deuses. Negam o valor da escolha, o significado dos esforços e a importância da autodeterminação. Esta confiança total no destino nega o significado do esforço pessoal. É uma visão errônea e unilateral que não está em conformidade com a lei de causa e condição. Sem causa, mas com condição
Com causa, mas sem condiçãoMuitos consideram causa e condição separadamente. Atribuem suas circunstâncias a causas, mas não a condições. Não consideram a interação maravilhosa e dinâmica existente entre causa e condição. Exemplos de fracasso de indivíduos talentosos, que falharam em viver à altura de seus potenciais, são resultados da falta de condições adequadas que não se manifestaram. Ao procurarem o primeiro emprego, buscam locais que exigem profissionais experientes. Já maduros, buscam trabalho em locais que exigem indivíduos recém-formados. Essas situações acontecem todo tempo. Alguns consideram causa e condição separada e independentemente. Em certos momentos acreditam na causa, não na condição. Em outros, só aceitam a existência da condição. Eles não percebem que causa e condição não são estáticas, estão sempre se transformando no contínuo espaço-tempo, não para à espera de ninguém. Há um antigo ditado que ilustra bem esse ponto: "O bem gera bênçãos; o mal será castigado. Não é que não haja efeitos para nossos atos; é apenas uma questão de tempo." Os três modos de ver descritos acima são parciais e não refletem a interpretação correta da visão budista de causa e condição. No budismo acreditamos que causa, efeito, recompensa e castigo estão todos entrelaçados, um dando origem ao outro. Todas as circunstâncias acontecem em função da "existência de causas e condições." Com causa e com condiçãoNo budismo, o traço comum para todo o Dharma é a lei de causa e condição, não importando tratar-se da escola Mahayana ou Theravada, ou que seja visto sob o ângulo de princípios ou fenômenos ou se a perspectiva é mundana ou transcendental. Todas as existências fenomenais são a mistura apropriada de causas e condições. Está escrito no Shurangama Sutra: "Todos os ensinamentos sagrados, do mais elementar ao mais profundo, não podem se afastar da lei de causa e condição." É como construir uma casa. Precisamos de tijolos, madeira, cimento e outros materiais. A construção só poderá ficar completa quando todos os materiais essenciais e todos os pré-requisitos forem satisfeitos. Se quisermos dar uma festa, por exemplo, há muitas condições a considerar. Conhecemos bem nossos convidados? Será que eles poderão vir? Podemos achar acomodações adequadas? Apenas quando todas as causas e condições apropriadas estiverem presentes, a festa poderá ser um sucesso. Caso contrário, será um fracasso. Certa vez, um homem rico deu uma festa. Quando a metade dos convidados já havia chegado, o chefe da cozinha perguntou-lhe se poderia começar a servir. O homem disse que esperasse um pouco mais. Depois de esperar algumas horas, muitos dos convidados mais importantes ainda não tinham chegado. Impaciente e irritado, ele deixou escapar algumas palavras involuntárias : "Oh! Não é fácil dar uma festa. Aqueles que deveriam ter vindo, não vieram; os que não deveriam estão todos aqui." Os convidados que estavam sentados ficaram chocados. Pensaram: "Sabe de uma coisa? Eu não fui realmente convidado. Se não sou bem-vindo, posso muito bem ir para casa." Um por um, eles foram se retirando silenciosamente. Ao ver que sua festa estava desmoronando, o homem rico novamente deixou escapar algumas palavras involuntárias: "Oh! Não é fácil dar uma festa! Aqueles que deveriam ir embora, não vão. Os que não deveriam partir estão todos indo embora. Depois destas palavras, todos os convidados levantaram-se aborrecidos e deixaram a festa ofendidos. Mediante causas e condições adequadas, esforços serão bem sucedidos. Se destruirmos nossas próprias causas e condições, se não formos capazes de aproveitar o momento dado por nossas causas e condições o sucesso dificilmente virá. Permitam-me construir algumas boas causas e condições com vocês todos hoje, e deixem-me explicar a visão budista sobre causa e condição nos seguintes quatro pontos. Causa e condição e o relacionamento humano
Se desejarmos possuir um negócio próspero, é necessário que tenhamos capital suficiente, que pesquisemos o mercado e façamos investimentos. Se fizermos nossa lição, nosso negócio prosperará; caso contrario, falhará. Este planejamento e organização são as causas e condições do negócio. Devemos aprender a ser humildes e compreensivos com os relacionamentos que mantemos com as outras pessoas. A arrogância inviabiliza as melhores causas e condições. Um exemplo disso é o encontro de Bodhidharma com o Imperador Wu. O venerável Bodhidharma, primeiro patriarca da escola Ch'an, foi da Índia para o Catão, China, pelo mar, na era Ta-Tung do Imperador Wu, durante a Dinastia Ling. O Imperador rapidamente mandou enviados especiais para acompanhar Bodhidharma à capital. O Imperador Wu, ávido em exibir seus feitos, orgulhosamente perguntou a Bodhidharma: "Construí numerosos templos, publiquei muitas escrituras e apoiei a Sangha. Quanto mérito você acha que acumulei? Refreando o entusiasmo do Imperador, Bodhidharma respondeu friamente: "Nenhum." O Imperador ficou muito aborrecido. Perguntou ainda: "O que você quer dizer? Fiz tanto bem e importantes atos de benevolência." Bodhidharma respondeu: "Majestade, tratam-se de causas imperfeitas e só lhe trarão recompensas menores no reino humano e celestial. São tão ilusórias quanto sombras. São apenas fenômenos vazios. "Bem! Então o que são os méritos reais?" "Não se prenda ao nome e à forma dos méritos", sorriu Bodhidharma. "Santifique seus pensamentos. Realize a natureza última da vacuidade. Abstenha-se da cobiça e não procure recompensas terrenas." O Imperador não foi capaz de perceber esse profundo significado. Para exibir sua sabedoria como Imperador de seu povo, perguntou em seu tom arrogante habitual: "Entre o céu e a terra, quem é o mais santo?" Bodhidharma viu a vaidade do Imperador. Imediatamente respondeu: "Entre o céu e a terra, não há nem santo, nem o ordinário." O Imperador Wu perguntou em voz alta: "Você sabe quem sou eu?" Bodhidharma esboçou um sorriso, balançou a cabeça e disse: "Eu não sei...." O Imperador sempre se julgou um grande benfeitor do budismo. Era convencido e não verdadeiramente sincero para aprender a Verdade. Como poderia receber tal desfeita de Bodhidharma? Imediatamente usou seus poderes de Imperador e rudemente mandou Bodhidharma embora. Assim agindo, ele perdeu a causa e condição para aprender o Ch'an de Bodhidharma ; perdeu a excelente oportunidade para a metamorfose pelo budismo Chinês. Embora tenha mais tarde lamentado seu próprio comportamento e tentado chamar Bodhidharma de volta, já era tarde demais. Como o Imperador era egoísta e sedento por fama, ele ficou aprisionado pelo nome dos méritos e foi lançado longe do Caminho do Meio. Não foi capaz de realizar a verdade última que está "além do verdadeiro ou do falso, e do bem ou do mal." Como a causa foi imprópria e as condições pobres, não era de admirar que o encontro não desse em nada. Está escrito no Avatamsaka Sutra: "Mesmo que toda água dos oceanos seja consumida, que todos os pensamentos momentâneos, inumeráveis como partículas de poeira, sejam contados, todo espaço medido, todos os ventos parados, ainda assim, o reino de Buda não poderá jamais ser completamente descrito." Assim, para sua elucidação, descreverei um episódio que envolve o Sexto Patriarca Hui Neng, que poderá melhor ilustrar a lei de causa e condição. Quando Hui Neng era jovem, viajou durante trinta dias do Cantão para Hupeh, visando aprender o Dharma com o Quinto Patriarca. Ao se encontrarem pela primeira vez, o Quinto Patriarca soube imediatamente que Hui Neng era possuidor de grande potencial, que as causa e condições estavam amadurecidas. Perguntou: "De onde você é? O que está buscando." "Vim de muito longe, de Ling Nan. Minha única meta é ser um Patriarca e tornar-me um Buda." Ouvindo esta resposta, o Quinto Patriarca impressionou-se. Desejou testar se Hui Neng havia cultivado as condições corretas e indagou-lhe incisivamente: "Você é só um bárbaro do sul. Como ousa desejar tornar-se um Buda?" Hui Neng calma e confiantemente respondeu: "As pessoas podem ser do sul ou do norte; a natureza de Buda não é regional. Se a causa e as condições forem corretas, qualquer um pode se tornar um Buda. Por que não eu?" O Quinto Patriarca refletiu e respondeu: "Certo! Autorizo-o a permanecer aqui e trabalhar. Dirija-se ao moinho." Todos os dias, durante os oito meses seguintes, Hui Neng usou um machado enorme para cortar lenha. Todos os dias colocava pesos de pedra ao redor da cintura para lhe dar maior estabilidade ao moer os grãos. O Quinto Patriarca não o visitou nem uma vez; o Quinto Patriarca não lhe ensinou nem uma palavra. Hui Neng não reclamava nem ficava aborrecido. Mas um dia, já tarde da noite, o Quinto Patriarca finalmente entregou a Hui Neng seu manto e tigela, fazendo-o o Sexto Patriarca. O Quinto Patriarca explicou-se com o seguinte verso:
Eis o que o Quinto Patriarca quis dizer com este verso: "Ao chegar pela primeira vez da distante terra de Ling Nan para aprender a Verdade comigo, a causa estava amadurecida e você era sincero. O ambiente e as condições, porém, eram inadequados. Tive, primeiro, de deixar que você polisse e se cultivasse durante um certo tempo, até o ponto em que os não sencientes, não tendo o que semear, sem natureza, os frutos não colherão. Apenas no momento em que as causas e condições se encontraram, pude eu, então, lhe transmitir os ensinamentos." A partir desta história, podemos concluir como a causa e condição podem influenciar muito as pessoas a interagirem umas com as outras. Sem causa e condição apropriadas , os relacionamentos humanos serão imperfeitos e lamentáveis.. Os acontecimentos devem aguardar a maturidade da causa e condição. É como plantar flores. Algumas sementes plantadas na primavera podem brotar no outono. Outras, podem demorar um ano para brotar. Outras variedades podem até levar alguns anos para dar flores e frutos. Yu Han, um estudioso chinês famoso da dinastia Tang, foi rebaixado e transferido para a região distante de Chaochow. Esta região era muito afastada e culturalmente pouco desenvolvida, e havia poucos estudiosos instruídos com quem ele pudesse conversar. Quando soube que o mestre Ch'an Ta Tien estava pregando nessa região, foi visitá-lo. Como o mestre Ch'an estivesse meditando, Yu Han decidiu aguardá-lo do lado de fora. Após uma longa espera, como o mestre ainda continuasse meditando, Yu Han ficou inquieto, e levantou-se com a intenção de partir. O assistente do mestre disse subitamente: "Primeiro, dedique-se à concentração meditativa, então, erradique a [arrogância] com sabedoria." As palavras ressoaram como trovões fortes da primavera, fazendo com que Yu Han despertasse. Como as suas condições de tempo estivessem corretas naquele momento, Yu Han sentia-se capaz e pronto para reconhecer os ensinamentos e aprender o caminho da emancipação através do assistente do mestre. Há muitos anos, uma mulher diplomou-se na universidade, deixando Taiwan com grandes expectativas, e viajou quase a metade do mundo para fazer o doutorado nos Estados Unidos. Após um período de dois anos nos Estados Unidos, sentindo a vida vazia e sem objetivo, fez as malas e voltou a Taiwan. Em Taipei, fez um passeio de trem de duas horas para Hsinchu, e tornou-se uma monja budista. A notícia dessa história provocou grande atenção quando transmitida pela mídia. O famoso Professor Shih Chiu Liang comentou: "Se o que ela desejava originalmente era renunciar e se tornar uma munja, tudo o que tinha de fazer era dar um passeio de trem de duas horas, de Taipei para Hsinchu. Não havia nenhuma necessidade de voar para a América. Por que gastou tanto tempo lutando e não optou logo por renunciar?" As causas e condições dos relacionamentos humanos são muito semelhantes às circunstâncias dos desdobramentos relativos à renúncia desta mulher, que deixou uma vida caseira para se tornar uma monja. Os acontecimentos podem ir e vir, as pessoas podem se encontrar e partir; embora pareça por acaso, há um significado em todas as reviravoltas dos acontecimentos. A seguinte citação chinesa exemplifica bem este ponto: "Sem uma geada de congelar os ossos, como as flores da ameixeira poderiam exalar tão grande fragrância?" Todas as coisas devem ter primeiro causas corretas e condições apropriadas antes que os resultados sejam produzidos e outras condições favoráveis sejam geradas. Há uma história do mestre Ch'an Shih T'ou Hsi Ch'ien e seu mestre Ch'ing Yuan Hsing Ssu. Quando se encontraram pela primeira vez, Ch'ing Yuan perguntou a Shih T'ou se ele era um discípulo do Sexto Patriarca e se ainda tinha alguma dúvida: "O que você levou consigo quando encontrou Ts'ao Hsi pela primeira vez? "Minha natureza estava completa", sorriu Shih T'ou. "Não me faltava nada para aprender com o Sexto Patriarca em Ts'ao Hsi." "Se tudo estava perfeito, por que então você foi estudar em Ts'ao Hsi?" Shih T'ou Hsi Ch'ien respondeu categoricamente: "Se eu não tivesse ido, como teria sabido que não me faltava nada? Como poderia Ter visto através de minha natureza verdadeira e livre?"
No tocante às causas e condições dos relacionamentos humanos citarei um verso que geralmente pode ser encontrado nos templos, próximos às estátuas do Bodhisattva Maitreya:
Como saber se causa e condição existem?Como podemos estar certos de que causa e condição realmente existe? Como podem ser descobertas e colhidas? Tomemos, como exemplo, uma máquina numa fábrica que deixe repentinamente de funcionar. O técnico abre a máquina e descobre que um pequeno parafuso está quebrado. Este pequeno parafuso é a causa. Se causa e condição não estiverem plenamente satisfeitas, a máquina não funciona. Quando construímos uma casa, se faltar uma viga de apoio, o telhado desmoronará. A ausência de qualquer item de causa e condição poderá gerar um grande impacto nas circunstâncias de nossas vidas. O budismo ensina que nossos corpos são feitos da combinação de quatro grandes elementos: terra, água, fogo e vento. Estes quatro grandes elementos são as causas. Ficamos doentes se estes quatro elementos não estiverem em harmonia. Por que uma flor floresce? Por que uma colheita não é abundante? Poderia ser o resultado da falta de condições adequadas, como irrigação inadequada ou o uso indevido de fertilizantes. Até mesmo uma nave espacial pode atrasar por um simples problema de computador. Com o mais leve desvio na causa e condição, as circunstâncias resultantes serão totalmente diferentes. Não importa que problemas ou dificuldades possamos enfrentar. Devemos primeiro refletir, examinando a situação de perto para verificar se está faltando alguma causa ou condição. Não deveríamos simplesmente culpar os deuses ou as outras pessoas, porque estaríamos criando dificuldades adicionais para nós mesmos. Há situações em que um casal se apaixona, mas as famílias se opõe ao casamento criticando o outro parceiro como inadequado, pobre, etc. Quando as condições ou as causas secundárias estão ausentes, o casamento não será bem sucedido. Outros casais se apaixonam à primeira vista e se casam na velocidade de um raio. O desenvolvimento total do caso está além da compreensão do casal. O homem pode julgar que se trata de um caso de "A beleza está nos olhos do observador." A mulher pode atribuir o caso ao fato de que "Com as condições certas, as pessoas se encontram mesmo que estejam a uma distância de milhares de milhas." Isso é o que chamamos de condições amadurecidas. Vou relatar outra história para ilustrar a existência de causa e condição. Certa vez, o rei Milinda perguntou ao Bhikshu Nagasena: "Seus olhos são o você real?" O Bhikshu Nagasena respondeu: "Não!" O rei Milinda perguntou novamente: "E seus ouvidos?" "Não!" "O nariz é você?" "Não!" "A língua é você?" "Não!" "Então, isto significa que seu corpo é o você real?" "Não! A existência do corpo é só uma combinação ilusória." "Então, a mente deve ser real." "Também não é." O Rei Milinda ficou aborrecido e perguntou ainda: "Bem, se os olhos, ouvidos, nariz, corpo e pensamentos não são você, então diga-me, onde está seu verdadeiro eu?" O Bhikshu Nagasena riu com desprezo e respondeu com uma pergunta: "A janela é a casa?" O Rei, tomado de surpresa, lutou para responder: "Não!" "E a porta?" "Não!" "Os tijolos e as telhas são a casa?" "Não!" "E a mobília e os pilares?" "Não, claro que não!" O Bhikshu Nagasena sorriu e perguntou: "Se a janela, a porta, os tijolos, as telhas, a mobília e os pilares não são a casa, então onde está a casa real?" O Rei Milinda finalmente compreendeu que causas, condições e efeitos não podem ser separados, nem tão pouco compreendidos por uma visão preconcebida e parcial. Da mesma forma, a existência humana também requer o cumprimento de diversas condições. Se conhecermos a lei de causa e condição, acreditarmos na sua existência, plantarmos boas causas em vários lugares e cultivarmos condições vantajosas o tempo todo, o caminho de nossas vidas será suave e repleto de sucesso. Para concluir, dar-lhes-ei este verso para ponderar:
Os diferentes níveis de causa e condiçãoQuantas variedades de causas e condições existem? Podemos examiná-las sob quatro perspectivas diferentes:
Saudável ou nocivo — Causas e condições podem ser boas ou más. Causas e condições saudáveis são boas. Causas e condições nocivas são más. Vamos supor que uma pessoa viva até cem anos. Se ele, ou ela, não compreender a causa do surgimento e do cessar – a razão última da existência – e apenas compreender superficialmente causa e condição, será facilmente escravizado pela mudança de ambientes e apanhado na escuridão por causas e condições más, sem chance de libertação. Por outro lado, se a pessoa tiver uma convicção firme e correta compreensão, todas as causas e condições resultantes serão brilhantes e virtuosas. Interno ou externo — As causas e condições podem ser internas ou externas. As causas e condições externas são os fatores ambientais comumente observados. As causas e condições internas são mais relacionadas ao valor intrínseco. É como a plantação de uma fazenda. Os fatores externos podem ser idênticos, porém a colheita das diversas sementes não é. As sementes, neste caso, possuem diferentes causas e condições quanto ao valor. Filhos dos mesmos pais, por exemplo, têm diferentes temperamentos. Alunos de um mesmo professor possuam habilidades variadas. As causas e condições externas, como pais e professores, podem ser as mesmas, porém as causas e condições internas, como o talento e a aptidão, são completamente diferentes. Portanto, dizemos que causa e condição podem ser externas e internas. Embora as condições externas sejam completas, se as causas internas forem inadequadas, os efeitos resultantes deixarão muito a desejar. Correto ou errôneo — Causas e condições podem ser corretas ou errôneas. Algumas pessoas, ao ficarem doentes, sabem que a enfermidade é gerada por desordem no corpo ou na mente. Elas querem submeter-se a tratamentos e podem ficar curadas. Estas são a "causa e condição corretas." Em contraste, algumas pessoas, quando doentes, sentem-se confusas sobre a verdadeira razão de sua enfermidade. Ficam desconfiadas e atribuem suas moléstias ao castigo divino. Vão em busca de encantamentos mágicos, feitiços especiais ou ingerem cinzas de incenso; sua enfermidade só irá piorar. Estas são a "causa e condição errôneas." A vida pode ser suave ou acidentada, os obstáculos podem ser muitos ou poucos. Muitas das dificuldades da vida são baseadas em concepções errôneas sobre a lei de causa e condição. Devemos saber como aplicar o correto entendimento e evitar pontos de vista errôneos. Além disso, há quatro níveis de causa e condição. São: o entendimento correto, causa e condição, Shunyata e Prajna.
Podemos explicar estes quatro níveis de entendimento de um outro ângulo. Para tocar um instrumento musical, como a flauta, violino ou piano, os principiantes devem estudar primeiro escalas e notas musicais. Devem aprender inicialmente a ler as notas musicais e a se familiarizarem com seus respectivos instrumentos. Para produzir cada som, eles devem olhar para cada nota na partitura, tornar-se familiarizados com o uso do instrumento e praticar. Eles continuam com este processo de até ficarem totalmente familiarizados com a música. Este é o primeiro nível de aprendizado. Estes praticantes só são capazes de tocar olhando para a partitura. Do mesmo modo, quando ainda necessitamos olhar o fenômeno do mundo externo para compreender, estamos no nível do correto entendimento. Quando estes músicos aperfeiçoam sua prática, a partitura musical fica gravada em seus corações e mentes. Eles podem fechar os olhos e as notas aparecerão naturalmente na mente. Embora pareçam executar a música sem a presença física da partitura, suas mentes ainda estão limitadas pela existência da partitura. Ainda tocam seguindo as notas e não são capazes de, livremente, se expressar musicalmente. Este é o segundo nível de execução. Quando a compreensão interior está de acordo com o mundo exterior, temos o segundo nível de entendimento, o de causa e condição. À medida que os músicos continuam praticando, acabam por penetrar no reino onde o limite entre o externo e o interno desaparece. Eles não precisam mais olhar a partitura musical, nem tão pouco sentem a existência das notas em suas mentes. Quando tocam, tornam-se unos com a música, esquecendo-se da sensação de identidade separada. A música resultante flui de forma homogênea, suave e maravilhosamente. Embora os executores não mais se apeguem à partitura musical fisicamente ou às suas mentes, ainda estão tocando algo que aprenderam previamente, ao invés de tocar suas próprias composições. Este nível de execução corresponde ao terceiro nível de compreensão, o de Shunyata. Finalmente, quando estes praticantes conhecem e integram verdadeiramente a harmonia musical e os conceitos da composição, eles são, agora, músicos afinados com a natureza. São unos com a música, e criam belas composições musicais, de acordo com o movimento de seus pensamentos. Tudo é música. Da mesma forma, quando a pessoa alcança o nível no qual cada pensamento é Prajna, a sabedoria última, e cada gesto da mão é um discurso maravilhoso, a pessoa está no reino onde não há nenhuma distinção entre interior e o exterior, não havendo mais o se lembrar ou o não se lembrar. Este é o mais alto nível de realização do Prajna, na lei de causa e condição. A tendência das pessoas, hoje em dia, é não ter nem mesmo um entendimento correto. Freqüentemente, olhamos para o mundo de modo confuso. Consideramos fama e fortuna (causa de muitas aflições) formas de prazer. Afastados de nossa natureza original de igualdade, não dividida, ilimitada, insistimos em fazer distinções e divisões de superioridade. Quando causa e condição procuram por nosso apoio mútuo e pacífico, cooperação e coexistência, sentimo-nos desconfiados e hostis uns com os outros, gerando conflitos e disputas entre nós. Qual a razão de todos estes problemas? O único modo de libertarmo-nos é compreendendo a lei de causa e condição corretamente. Quando pudermos realizar Prajna, concentração e sabedoria, quando não formos limitados pela existência dos fenômenos e quando abandonamos a fixação de "nós contra eles", seremos capazes de estar em completo acordo com os budas, aventurando-nos nos reinos do Dharma e de sermos maravilhosamente livres. Como multiplicar e melhorar condições saudáveis
Um dos maiores tesouros da vida é "cultivar condições favoráveis." Construir boas condições é particularmente essencial para a felicidade da pessoa e para o bem-estar do público em geral. Como, então, podemos estabelecer um grande número de boas condições com os outros? No passado, para cultivar condições favoráveis com os outros, as pessoas costumavam colocar lanternas ao longo das estradas. Construíam paradas de descanso e forneciam chá gratuitamente. Construíam pontes para estabelecer boas condições com as pessoas do outro lado. Cavavam poços para proporcionar boas condições com todos. Alguém pode lhe presentear com um relógio de pulso ou de parede para manter boas condições com você. Todos estes são exemplos de condições boas e preciosas com os outros. Se você tem um coração de ouro, boas condições abrir-se-ão em todo lugar. Posso oferecer algumas sugestões de alguns métodos para estabelecer condições favoráveis com os outros. Ajuda Monetária — Podemos doar dinheiro como uma forma de construir boas condições com os outros. Não apenas faremos com que eles sintam nosso interesse, como isso pode até salvar uma vida. Por exemplo, se houver um acidente de carro na estrada, alguém pode precisar de uma moeda para chamar um socorro médico. Se você oferecer uma moeda, a pessoa pode fazer uma chamada. Paramédicos e médicos chegarão a tempo e providenciarão assistência para as vítimas necessitadas. Sua moeda construirá uma porção de boas condições com os outros. Encorajamento amável — Quando outros sentem-se frustrados, uma palavra de encorajamento pode trazer-lhes imensa esperança. Quando alguém está desapontado, uma palavra de elogio pode lhe dar uma perspectiva positiva da vida. Há uma citação que diz: "Uma palavra amável é mais valiosa que um ornamento real como presente; uma palavra áspera é mais severa que o golpe de um machado." Há momentos em que algumas palavras podem trazer grande alegria e paz para todos. Ação Meritória — Um pequeno gesto amável ou até mesmo um simples pensamento pode causar tremendo impacto. Certa vez, na Holanda, havia uma criança que, ao voltar para casa , à noite, viu um pequeno buraco em um dique. Ao observar que a água do mar estava, lentamente, se infiltrando, ela pensou, "Oh não! Que desastre! Se o buraco não for fechado imediatamente, a barreira vai rebentar antes do amanhecer e a cidade será inundada." Como ela não pôde encontrar nada para o consertar, enfiou o dedo no buraco para parar o vazamento. Ali permaneceu ao lado do dique a noite inteira, exposta à chuva e ao vento. Durante toda a noite nem mesmo uma única pessoa passou pelo dique. Pela manhã, ela foi encontrada congelada ao lado do dique, com o dedo enfiado no buraco. A cidade inteira ficou muito agradecida ao saber que seu dedo havia salvo vidas e propriedades de toda cidade. Portanto: "Não cometa um ato de atrocidade por ele ser sem importância. Não perca a oportunidade de executar uma ação virtuosa só por ela ser pequena." Um simples pensamento amável pode salvar inúmeras vidas e construir virtudes infindáveis. Educando os Outros – Podemos utilizar conhecimento e perícia para cultivar condições favoráveis com os outros. A cada dia, há mais de cento e oitenta mil professores em Taiwan que ensinam pacientemente, passando seu conhecimento às gerações mais jovens. São instrumentos geradores do intelecto nacional e do crescimento catalisador. Você mostra a alguém uma habilidade sem importância; ela pode vir a ser um meio de futura sobrevivência para ele ou ela. Você ensina a outros uma palavra de sabedoria; ela pode influenciá-los durante uma vida inteira e servir de princípio orientador de como deverá tratar os demais A Mão que Ajuda – Podemos ganhar muito respeito se formos obsequiosos com outras pessoas. O guarda de trânsito que ajuda uma pessoa idosa a atravessar a rua se torna um modelo de servidor civil. O vendedor prestativo que auxilia os compradores a encontrar o que necessitam pode tornar a experiência de compra dos clientes um real prazer. O indivíduo jovem que educadamente cede seu lugar para um idoso se sentar, nos dá confiança no futuro de nosso país. A partir do modo como auxiliamos outras pessoas na nossa vida diária, podemos avaliar se vivemos em uma sociedade verdadeiramente progressista e desenvolvida. Um Gesto de Calor – Às vezes, um sorriso, um aceno de cabeça ou um simples aperto de mão podem proporcionar condições boas e inimagináveis. Certa vez em Taiwan, um homem jovem, desempregado, vagava pelas ruas perto da estação de Taipei, desejando cometer suicídio, atirando-se na frente de um carro de uma pessoa abastada. Desse modo, sua pobre mãe poderia ganhar alguma compensação monetária para sobreviver. Quando estava a ponto de pular, uma senhora bela e graciosa que passava, lhe sorriu. Ficou tão excitado que desistiu da idéia de cometer suicídio. No dia seguinte, encontrou trabalho para sustentar sua família. Claro que não queria mais morrer. Assim, um mero sorriso foi capaz de construir grande causa e condição para o jovem rapaz. Aprender o budismo e construir méritos valem mais do que se retirar para uma montanha ou doar dinheiro. Uma palavra amável, uma boa ação, um sorriso ou um pouco de conhecimento podem ajudar-nos a construir inúmeras condições boas e proporcionar tremendos méritos. Na China, há quatro montanhas famosas. Cada montanha é um lugar sagrado para um Bodhisattva pregar o Dharma. Estes quatro bodhisattvas, a quem comumente respeitamos, são: Avalokiteshvara, Kshitigarbha, Manjushri e Samantabhadra. Conforme discutiremos nos parágrafos seguintes, cada um destes quatro bodhisattvas mantém uma causa e condição especiais conosco. O Bodhisattva Avalokiteshvara, mantém uma condição especial conosco através da generosidade e compaixão. O Bodhisattva traz salvação universal para todos. Através do coração amável e dos votos de compaixão do Bodhisattva, todos os seres sensíveis podem se beneficiar pelos ensinamentos do Dharma e concretizar o alcance de compaixão. O Bodhisattva Kshitigarbha tem uma condição especial conosco através de seu grande voto. O Bodhisattva prometeu liberar todos os seres vivos, como observa-se no verso; "Apenas quando todos os seres forem emancipados, só então alcançarei a iluminação. Enquanto o inferno não estiver vazio, juro não alcançar a condição de Buda." Durante milhares de anos, os votos do Bodhisattva Kshitigarbha, refletidos no verso acima, serviram como seta indicadora para inúmeros seres alcançarem o caminho da condição de Buda. Além disso, acendeu uma luz eterna para os ensinamentos budistas. O Bodhisattva Manjushri tem uma condição especial conosco através de sua sabedoria. O Bodhisattva usa sua extraordinária eloqüência para expor os ensinamentos últimos. Ele traz luz aos cegos e o som do Dharma ao ignorante. Com grande sabedoria, o Bodhisattva propulsionou o budismo no reino profundo e maravilhoso do grande Prajna. O budismo na China foi grandemente beneficiado. O Bodhisattva Samantabhadra tem uma condição especial conosco pela sua prática real. O Bodhisattva nos mostra o Caminho através de cada movimento das mãos e dos pés. Ao erguer as sobrancelhas ou piscar os olhos, o Bodhisattva expressa ensinamentos maravilhosos. No budismo Chinês, o Bodhisattva Samantabhadra é um modelo exemplar e estabeleceu caminhos virtuosos para o cultivo da simplicidade e a luta pela perfeição. Além destes quatro grandes bodhisattvas, há incontáveis patriarcas, mestres e praticantes budistas que cultivam condições favoráveis com outros indivíduos à sua maneira particular. Através de sua caligrafia e sustentando os preceitos, Venerável Mestre Hung Yi cultivou condições favoráveis com os outros. Para aqueles sinceramente interessados no budismo, ele freqüentemente usava a caligrafia para apresentar as palavras da sabedoria do Dharma como um meio de cultivar boas condições com eles. Pessoalmente, ele era diligente em seu trabalho e rigoroso na observância dos preceitos. Ele nunca proferiu uma palavra para menosprezar o Dharma, nem cometeu um ato de violação dos preceitos. Como "os luxuriantes ramos floridos na primavera e a lua cheia perfeita no céu", ele tornou-se um exemplo altamente considerado no budismo. Com sua concentração meditativa, o Venerável Mestre Hsu Yun nutriu condições saudáveis com os outros. Era inabalável, em sintonia com a realidade última da "fenomênica." Sua mente era focada e imperturbável. Propagou o Dharma sem falar sobre os ensinamentos. Interagiu com diferentes tipos de pessoas, contudo permaneceu verdadeiro consigo mesmo. Através da pregação do Dharma, o Venerável Mestre T'ai Hsu pôde cultivar condições favoráveis com outras pessoas. Usava palavras para expor a grande sabedoria do Prajna. Pregava os sutras para despertar os confusos. Viajou por todos os cantos da China e ajudou a reavivar o budismo Chinês que estava declinando, com uma dose efetiva de remédio. O Mestre Shan Tao cultivou condições favoráveis com os outros através da radiância iluminadora. Para aqueles fisicamente cegos, assegurou que suas mentes não se tornassem cegas. Para os mentalmente cegos, devolveu-lhes a luz da sabedoria. Clareou a escuridão e a existência humana corrompida através de sua luz iluminadora. O Venerável Mestre Yin Kuang cultivou conexões favoráveis com outras pessoas através do canto. A cada pensamento, permanecia continuamente atento, em contemplação a Buda Amitabha e cantava seu nome incessantemente durante todos os dias. Deste modo, ele guiou os fiéis para manter uma forte crença na Terra Pura e para formar causas e condições maravilhosas com o Buda Amitabha. Outros exemplos incluem O Grande Sudantta, na Índia, que dava esmolas para cultivar condições favoráveis com os outros. Era muito respeitado por ter construído o Monastério Jetavana, que veio a ser o principal ponto de trabalho missionário de Buda no norte da Índia. Mestre Ch'an Yung Ming Yen Shou cultivou condições favoráveis libertando animais capturados. Salvou vários animais e criaturas aquáticas da dor do matadouro e da tortura do fogão. O Mestre Lung K'u usou os serviços do chá para cultivar condições favoráveis com os outros. Ajudou a saciar a sede de viajantes exaustos, dando-lhes energia renovada para continuar suas longas viagens. A sociedade necessita da união de esforços para prosperar, da mesma forma que a felicidade da existência individual se baseia na integração dos seis sentidos. Nossa subsistência diária depende da cooperação íntima de todas as profissões que trabalham juntas para facilitar o abastecimento e a demanda. Desse modo, podemos viver em abundância. Deveríamos agradecer aos trabalhos de causas e condições e pela cooperação de todos na sociedade. Se quisermos ter êxito e felicidade, é necessário cultivar causas e condições favoráveis com todos os seres. E também cultivar condições de Dharma favoráveis com os budas e bodhisattvas. Devemos dar valor, construir e viver dentro de nossas causas e condições.
Finalmente, meus melhores votos a todos. Que cada um de vocês possa se tornar uma pessoa muito respeitada e amada. Que cada um de vocês tenha inúmeras e boas causas e grandes condições. Que cada um de vocês seja bem sucedido.
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