
O Budismo
é uma filosofia de vida baseada integralmente nos profundos ensinamentos do
Buda para todos os seres, que revela a verdadeira face da vida e do universo.
Quando pregava, o Buda não pretendia converter as pessoas, mas iluminá-las.
É uma religião de sabedoria, onde conhecimento e inteligência predominam. O
Budismo trouxe paz interior, felicidade e harmonia a milhões de pessoas
durante sua longa história de mais de 2.500 anos.
O Budismo
é uma religião prática, devotada a condicionar a mente inserida em seu
cotidiano, de maneira a leva-la à paz, serenidade, alegria, sabedoria e
liberdade perfeitas. Por ser uma maneira de viver que extrai os mais altos
benefícios da vida, é freqüentemente chamado de "Budismo Humanista".
O Buda
O Budismo
foi fundado na Índia, no séc. VI a.C., pelo Buda Shakyamuni. O Buda
Shakyamuni nasceu ao norte da Índia (atualmente Nepal) como um rico príncipe
chamado Sidarta.
Aos 29 anos
de idade, ele teve quatro visões que transformaram sua vida. As três
primeiras visões – o sofrimento devido ao envelhecimento, doenças e morte
– mostraram-lhe a natureza inexorável da vida e as aflições universais da
humanidade. A quarta visão — um eremita com um semblante sereno –
revelou-lhe o meio de alcançar paz. Compreendendo a insignificância dos
prazeres sensuais, ele deixou sua família e toda sua fortuna em busca de
verdade e paz eterna. Sua busca pela paz era mais por compaixão pelo
sofrimento alheio do que pelo seu próprio, já que não havia tido tal experiência.
Ele não abandonou sua vida mundana na velhice, mas no alvorecer de sua
maturidade; não na pobreza, mas em plena fartura.
Depois de
seis anos de ascetismo, ele compreendeu que se deveria praticar o "Caminho do
Meio", evitando o extremo da auto-mortificação, que só enfraquece o
intelecto, e o extremo da auto-indulgência, que retarda o progresso moral. Aos
35 anos de idade (aproximadamente 525 a.C.), sentado sob uma árvore Bodhi, em
uma noite de lua cheia, ele, de repente, experimentou extraordinária
sabedoria, compreendendo a verdade suprema do universo e alcançando profunda
visão dos caminhos da vida humana. Os budistas chamam essa compreensão de "iluminação".
A partir de então, ele passou a ser chamado de Buda Shakyamuni (Shakyamuni
significa "Sábio do clã dos Shakya"). A palavra Buda pode ser traduzida
como: "aquele que é plenamente desperto e iluminado".
A
fundação do budismo
O Buda não
era um deus. Ele foi um ser humano que alcançou a iluminação por meio de sua
própria prática. De maneira a compartilhar os benefícios de seu despertar, o
Buda viajou por toda a Índia com seus discípulos, ensinando e divulgando
seus princípios às pessoas, por mais de 45 anos, até sua morte, aos 80 anos
de idade. De fato, ele era a própria encarnação de todas as virtudes que
pregava, traduzindo em ações, suas palavras.
O Buda
formou uma das primeiras ordens monásticas do mundo, conhecida como Sangha.
Seus seguidores tinham as mais variadas características, e ele os ensinava de
acordo com suas habilidades para o crescimento espiritual. Ele não exigia crença
cega; ao contrário, adotava o "venha e experimente você mesmo", atitude que
ganhou os corações de milhares. Sua, era a senda da autoconfiança, que
requeria esforço pessoal inabalável.
Após a
morte de Shakyamuni, foi realizado o Primeiro Concílio Budista, que reuniu
500 membros, a fim de coletar e organizar os ensinamentos do Buda, os quais são
chamados de Dharma. Este se tornou o único guia e fonte de inspiração da
Sangha. Seus discursos são chamados de Sutras. Foi no Segundo Concílio
Budista em Vaishali, realizado algumas centenas de anos após a morte do
Buda, que as duas grandes tradições, hoje conhecidas como Theravada e
Mahayana, começaram a se formar. Os Theravadins seguem o Cânone Páli,
enquanto os Mahayanistas seguem os sutras que foram escritos em sânscrito.
Budismo
chinês
Os ensinamentos do Buda foram
transmitidos pela primeira vez, fora da Índia, no Sri Lanka, durante o reinado
do Rei Ashoka (272 – 232 a.C.). Na China, a história registra que dois
missionários budistas da Índia chegaram na corte do Imperador Ming no ano
68 d.C. e lá permaneceram para traduzir textos budistas. Durante a Dinastia
Tang (602 – 664 d.C.), um monge chinês, Hsuan Tsang, cruzou o Deserto Ghobi
até a Índia, onde reuniu e pesquisou sutras budistas. Ele retornou à China
dezessete anos depois com grandes volumes de textos budistas e a partir de
então passou muitos anos traduzindo-os para o chinês.
Finalmente,
a fé budista se espalhou por toda a Ásia. Ironicamente, o Budismo
praticamente se extinguiu na Índia em, aproximadamente, 1300 d.C. Os chineses
introduziram o budismo no Japão. A tolerância, o pacifismo e a equanimidade
promovidos pelo Budismo influenciaram significativamente a cultura asiática.
Mais recentemente, muitos países ocidentais têm demonstrado considerável
interesse pelas religiões orientais e centenas de milhares de pessoas vêm
adotando os princípios do Budismo.
Ensinamentos
do Buda
O Buda foi
um grande professor. Ele ensinou que todos os seres vivos possuem Natureza Búdica
idêntica e são capazes de atingir a iluminação através da prática. Se
todos os seres vivos têm o potencial de tornar-se iluminados, são todos,
portanto, possíveis futuros Budas. Apesar de haver diferentes práticas
entre as várias escolas budistas, todas elas abraçam a essência dos ideais
do Buda.
Karma e a Lei de Causa e Efeito
Uma pessoa
é uma combinação de matéria e mente. O corpo pode ser encarado como uma
combinação de quatro componentes: terra, água, calor e ar; a mente é a
combinação de sensação, percepção, idéia e consciência. O corpo físico
— na verdade, toda a matéria na natureza – está sujeito ao ciclo de formação,
duração, deterioração e cessação.
O Buda ensinou que a interpretação
da vida através de nossos seis sensores (olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo
e mente) não é mais do que ilusão. Quando duas pessoas experimentam um mesmo
acontecimento, a interpretação de uma, pode levar à tristeza, enquanto a da
outra, pode levar à felicidade. É o apego às sensações, derivadas desses
seis sentidos, que resulta em desejo e ligação passional, vida após vida.
O Buda ensinou que todos os seres
sencientes estão em um ciclo contínuo de vida, morte e renascimento, por um número
ilimitado de vidas, até que finalmente alcancem a iluminação. Os budistas
acreditam que os nascimentos das pessoas estão associados à consciência
proveniente das memórias e do karma de suas vidas passadas. "Karma" é uma
palavra em sânscrito que significa "ação, trabalho ou feito". Qualquer ação
física, verbal ou mental, realizada com intenção, pode ser chamada de karma.
Assim, boas atitudes podem produzir karma positivo, enquanto más atitudes
podem resultar em karma negativo. A consciência do karma criado em vidas
passadas nem sempre é possível; a alegria ou o sofrimento, o belo ou o feio,
a sabedoria ou a ignorância, a
riqueza ou a pobreza experimentados nesta vida são, no entanto, determinados
pelo karma passado.
Neste ciclo contínuo de vida, seres
renascem em várias formas de existência. Há seis tipos de existência: Devas
(deuses), Asuras (semideuses), Humanos, Animais, Pretas (espíritos famintos) e
Seres do Inferno. Cada um dos reinos está sujeito às dores do nascimento, da
doença, do envelhecimento e da morte. O renascimento em formas superiores ou
inferiores é determinado pelos bons ou maus atos, ou karma, que foi sendo
produzido durante vidas anteriores. Essa é a lei de causa e efeito. Entender
essa lei nos ajuda a cessar com todas nossas ações negativas.
Nirvana
Através da prática diligente, do
proporcionar compaixão e bondade amorosa a todos os seres vivos, do
condicionamento da mente para evitar apegos e eliminar karma negativo, os
budistas acreditam que finalmente alcançarão a iluminação. Quando isso
ocorre, eles são capazes de sair do ciclo de morte e renascimento e ascender
ao estado de nirvana. O nirvana não é um local físico, mas um estado de
consciência suprema de perfeita felicidade e liberação. É o fim de todo
retorno à reencarnação e seu compromisso com o sofrimento.
O conceito de sofrimento
O Buda Shakyamuni
ensinou que uma grande parcela do sofrimento em nossas vidas é auto-infligido,
oriundo de nossos pensamentos e comportamento, os quais são influenciados
pelas habilidades de nossos seis sentidos. Nossos desejos – por dinheiro,
poder, fama e bens materiais – e nossas emoções – tais como, raiva,
rancor e ciúme – são fontes de sofrimento causado por apego a essas sensações.
Nossa sociedade tem enfatizado consideravelmente beleza física, riqueza
material e status. Nossa obsessão com as aparências e com o que as outras
pessoas pensam a nosso respeito são também fontes de sofrimento.
Portanto, o
sofrimento está primariamente associado com as ações de nossa mente. É a
ignorância que nos faz tender à avidez, à vontade doente e à ilusão. Como
conseqüência, praticamos maus atos, causando diferentes combinações de
sofrimento. O Budismo nos faz vislumbrar maneiras efetivas e possíveis de
eliminar todo o nosso sofrimento e, mais importante, de alcançar a libertação
do Ego do ciclo de nascimento, doença e morte.
As quatro nobres verdades e o nobre
caminho óctuplo
As Quatro Nobres Verdades foram
compreendidas pelo Buda em sua iluminação. Para erradicar a ignorância,
que é a fonte de todo o sofrimento, é necessário entender as Quatro Nobres
Verdades, caminhar pelo Nobre Caminho Óctuplo e praticar as Seis Perfeições
(Paramitas).
As Quatro
Nobres Verdades são:
1. A Verdade do Sofrimento.
A vida está sujeita a todos os tipos de
sofrimento, sendo os mais básicos nascimento, envelhecimento, doença e morte.
Ninguém está isento deles.
2. A Verdade da Causa do Sofrimento.
A ignorância
leva ao desejo e à ganância, que, inevitavelmente, resultam em sofrimento. A
ganância produz renascimento, acompanhado de apego passional durante a vida, e
é a ganância por prazer, fama ou posses materiais que causam grande insatisfação
com a vida.
3.
A Verdade da Cessação do Sofrimento.
A cessação
do sofrimento advém da eliminação total da ignorância e do desapego à ganância
e aos desejos, alcançando um estado de suprema bem-aventurança ou nirvana,
onde todos os sofrimentos são extintos.
4.
O Caminho que leva à Cessação do Sofrimento.
O caminho
que leva à cessação do sofrimento é o Nobre Caminho Óctuplo.
O Nobre
Caminho Óctuplo consiste de:
- Compreensão Correta. Conhecer as Quatro Nobres Verdades de maneira a
entender as coisas como elas realmente são.
- Pensamento Correto. Desenvolver as nobres qualidades da bondade amorosa e da
aversão a prejudicar os outros.
- Palavra Correta. Abster-se de mentir, falar em vão,
usar palavras ásperas ou caluniosas.
- Ação Correta. Abster-se de matar, roubar e ter
conduta sexual indevida.
- Meio de Vida Correto. Evitar qualquer ocupação que prejudique os
demais, tais como tráfico de drogas ou matança de animais.
- Esforço Correto. Praticar autodisciplina para obter o controle da
mente, de maneira a evitar estados de mente maléficos e desenvolver estados de
mente sãos.
- Plena Atenção Correta. Desenvolver completa consciência de todas as ações
do corpo, fala e mente para evitar atos insanos.
- Concentração Correta. Obter serenidade mental e sabedoria para
compreender o significado integral das Quatro Nobres Verdades.
Aqueles que
aceitam este Nobre Caminho como um estilo de vida viverão em perfeita paz,
livres de desejos egoístas, rancor e crueldade. Estarão plenos do espírito
de abnegação e bondade amorosa.
As seis
perfeições
As Quatro Nobres Verdades são o
fundamento do Budismo e entender o seu significado é essencial para o
autodesenvolvimento e alcance das Seis Perfeições, que nos farão atravessar
o mar da imortalidade até o nirvana.
As Seis
Perfeições consistem de:
Caridade. Inclui todas as formas de
doar e compartilhar o Dharma.
-
Moralidade.
Elimina todas as paixões maléficas através da prática dos preceitos de não
matar, não roubar, não ter conduta sexual inadequada, não mentir, não
usar tóxicos, não usar palavras ásperas ou caluniosas, não cobiçar, não
praticar o ódio nem ter visões incorretas.
-
Paciência.
Pratica a abstenção para prevenir o surgimento de raiva por causa de atos
cometidos por pessoas ignorantes.
-
Perseverança.
Desenvolve esforço vigoroso e persistente na prática do Dharma.
-
Meditação.
Reduz a confusão da mente e leva à paz e à felicidade.
-
Sabedoria.
Desenvolve o poder de discernir realidade e verdade.
A prática
dessas virtudes ajuda a eliminar ganância, raiva, imoralidade, confusão
mental, estupidez e visões incorretas. As Seis Perfeições e o Nobre Caminho
Óctuplo nos ensinam a alcançar o estado no qual todas as ilusões são destruídas,
para que a paz e a felicidade possam ser definitivamente conquistadas.
Tornar-se um Buda
Ao desejar
tornar-se budista, deve-se receber refúgio na Jóia Tríplice, como um
comprometimento com a prática dos ensinamentos do Buda. A Jóia Tríplice
consiste no Buda, no Dharma e na Sangha.
Budistas
laicos podem também fazer voto de praticar cinco preceitos em suas vidas diárias.
Os Cinco Preceitos são: não matar, não roubar, não ter conduta sexual
inadequada, não mentir e não se intoxicar. O preceito de não matar se aplica
principalmente a seres humanos, mas deve ser estendido a todos os seres
sencientes. É por isso que a Sangha e muitos budistas devotos são
vegetarianos. No entanto, não é preciso ser vegetariano para tornar-se
budista. O quinto preceito – não se intoxicar – inclui abuso de drogas e
álcool. O entendimento deste preceito é uma precaução, por não ser possível
manter a plena atenção da consciência e comportamento apropriado quando se
está drogado ou bêbado.
Os
budistas são incentivados a manter estes preceitos e a praticar bondade
amorosa e compaixão para com todos os seres. Os preceitos disciplinam o
comportamento e ajudam a diferenciar entre certo e errado. Através do ato de
disciplinar pensamento, ação e comportamento, pode-se evitar os estados de
mente que destroem a paz interior. Quando um budista incidentalmente quebra
um dos preceitos, ele não busca o perdão do pecado por parte de uma
autoridade superior, como Deus ou um padre. Ao invés disso, se arrepende e
analisa o porquê de ter quebrado o preceito. Confiando em sua sabedoria e
determinação, modifica seu comportamento para prevenir a recorrência do
mesmo erro. Ao fazer isso, o budista confia no esforço individual de auto-análise
e auto-perfeição. Isto ajuda a restaurar paz e pureza de mente.
Muitos
budistas montam um altar em um canto tranqüilo de suas casas para a recitação
de mantras e a meditação diária. [Um mantra é
uma seqüência de palavras que manifestam certas forças cósmicas, aspectos
ou nomes dos budas. A repetição contínua de mantras é uma forma de meditação.]
O uso de imagens budistas em locais de culto não deve ser visto como
idolatria, mas como simbologia. Enfatiza-se o fato de que essas imagens em
templos ou altares domésticos servem apenas para nos lembrar a todo momento
das respectivas qualidades daquele que representam, o Iluminado, que nos
ensinou o caminho da liberação. Fazer reverências e oferendas são manifestações
de respeito e veneração aos Budas e Bodhisattvas.
Meditação
A meditação
é comumente praticada pelos budistas para obter felicidade interior e
cultivar sabedoria, de forma a alcançar a purificação da mente e a libertação.
É uma atividade de consciência mental.
A felicidade
que obtemos do ambiente físico que nos envolve não nos satisfaz
verdadeiramente nem nos liberta de nossos problemas. Dependência de coisas
impermanentes e apego à felicidade do tipo "arco-íris" produz somente ilusão,
seguida de pesar e desapontamento. Segundo o Budismo, existe felicidade
verdadeira e duradoura e todos temos o potencial de experimentá-la. A
verdadeira felicidade jaz nas profundezas de nossa mente, e os meios para acessá-la
podem ser praticados por qualquer um. Se compararmos a mente ao oceano,
pensamentos e sentimentos tais como alegria, irritação, fantasia e tédio
poderiam ser comparados a ondas que se levantam e voltam a cair por sobre sua
superfície. Assim como as ondas se amansam para revelar a quietude nas
profundidades do oceano, também é possível acalmar a turbulência de nossas
mentes e revelar pureza e claridade naturais. A meditação é um meio de alcançar
isso.
Nossas ilusões,
incluindo ciúmes, raiva, desejo e orgulho, originam-se da má compreensão da
realidade e do apego habitual à nossa maneira de ver as coisas. Através da
meditação, podemos reconhecer nossos erros e ajustar nossa mente para pensar
e reagir de maneira mais realista e honesta. Esta transformação mental
acontece gradualmente e nos liberta das falácias instintivas e habituais, nos
permitindo adquirir familiaridade com a verdade. Podemos, então, finalmente,
nos libertar de problemas como insatisfação, raiva e ansiedade. Finalmente,
compreendendo a maneira como as coisas de fato funcionam, nos é possível
eliminar completamente a própria fonte de todos os estados mentais incômodos.
Assim,
meditação não significa simplesmente sentar-se em uma determinada postura ou
respirar de uma determinada maneira; estes são apenas recursos para a
concentração e o alcance de um estado de mente estável. Apesar de diferentes
técnicas de meditação serem praticadas em diferentes culturas, todas elas
partilham o princípio comum de cultivar a mente, de forma a não permitir que
uma mente destreinada controle nosso comportamento.
A
vida humana é preciosa e, no entanto, nós a conseguimos.
O Dharma é precioso e, no entanto, nós o ouvimos.
Se não nos cultivarmos nesta vida,
Quando teremos essa chance novamente?
Características
do budismo
Bodhisattva
— Um ser iluminado que fez o voto de servir generosamente a todos os seres
vivos com bondade amorosa e compaixão para aliviar sua dor e sofrimento e levá-los
ao caminho da iluminação. Existem muitos Bodhisattvas, mas os mais populares
no Budismo Chinês são os Bodhisattvas Avalokiteshvara, Kshitigarbha,
Samantabhadra e Manjushri.
Bodhisattva
Avalokiteshvara (Kuan Yin Pu Sa) — "Aquele que olha pelas lágrimas
do mundo". Este Bodhisattva oferece sua grande compaixão para a salvação dos
seres. Os muitos olhos e mãos representados em suas várias imagens simbolizam
as diferentes maneiras pelas quais todos os seres são ajudados, de acordo com
suas necessidades individuais. Originalmente representado por uma figura
masculina, Avalokiteshvara é, hoje em dia, geralmente caracterizado, na China,
como uma mulher.
Bodhisattva
Kshitigarbha (Guardião do Mundo) — Sempre usando um cajado com seis anéis,
ele possui poderes sobre o inferno. Ele fez o grande voto de salvar os seres
que ali sofrem.
Curvar-se
em reverência — Este ato significa humildade e respeito. Os budistas
se curvam em respeito ao Buda e aos Bodhisattvas e, também, para recordar-se
das qualidades virtuosas que cada um deles representa.
Buda
— Este é muito mais do que um simples nome. A raiz Budh significa "estar
ciente ou completamente consciente de". Um Buda é um ser totalmente
iluminado.
Buda Shakyamuni (o
fundador do Budismo) — Nasceu na Índia. Em busca da verdade, deixou
sua casa e, disciplinando-se severamente, tornou-se um asceta. Finalmente, aos
35 anos, debaixo de uma árvore Bodhi, compreendeu que a maneira de libertar-se
da cadeia de renascimento e morte era através de sabedoria e compaixão – o "caminho
do meio". Fundou sua comunidade, a qual tornou-se conhecida como Budismo.
Buda
Amitabha (Buda da Luz e Vida Infinitas) — É
associado com a Terra Pura do Ocidente, onde recebe seres cultivados que chamam
por seu nome.
Bhaishajya
Guru (O Buda da Medicina) — Cura todos os males, inclusive o mal da
ignorância.
Buda
Maitreya (O Buda Feliz) — É o Buda do Futuro. Depois de Shakyamuni
ter se iluminado, ele é aguardado como sendo o próximo Buda.
Instrumentos
do Dharma — Estes instrumentos são encontrados nos templos budistas e
são utilizados por monges durante as cerimônias. O "peixe" de madeira é
normalmente colocado à esquerda do altar, o gongo, à direita e o tambor e o
sino, também à direita, porém um pouco mais distantes.
Incenso —
É oferecido com respeito. O incenso aromático purifica não só a atmosfera,
mas também a mente. Assim como sua fragrância alcança longas distâncias,
bons atos também se espalham em benefício de todos.
Flor de Lótus
— Pelo fato de brotar e se desenvolver em águas lamacentas e
turvas e, ainda assim, manifestar delicadeza e fragrância, a Flor de Lótus é
o símbolo da pureza. Também significa tranqüilidade e uma vida distinta e
sagrada.
Mudra –
Os gestos das mãos que geralmente se vêem nas representações do Buda, são
chamados de "mudras", os quais propiciam comunicação não-verbal. Cada mudra
tem um significado específico. Por exemplo, as imagens do Buda Amitabha,
normalmente, apresentam a mão direita erguida com o dedo indicador tocando o
polegar e os outros três dedos estendidos para cima para simbolizar a busca da
iluminação, enquanto a mão esquerda mostra um gesto similar, só que
apontando para o chão, simbolizando a libertação de todos os seres
sencientes. Nas imagens em que ele aparece sentado, ambas as mãos estão
posicionadas à frente, abaixo da cintura, com as palmas voltadas para cima,
uma contendo a outra, o que simboliza o estado de meditação. No entanto, se
os dedos da mão direita estiverem apontando para baixo, isso simboliza o
triunfo do Dharma sobre seres desencaminhados que relutam em aceitar o autêntico
crescimento espiritual.
Oferendas
— Oferendas são colocadas no altar budista pelos devotos. Fazer uma
oferenda permite que reflitamos sobre a vida, confirmando as leis de
reciprocidade e interdependência. Objetos concretos podem ser ofertados em
abundância, no entanto, a mais perfeita oferenda é um coração honesto e
sincero.
Suástica
— Foi um símbolo auspicioso na Índia antiga, Pérsia e Grécia,
simbolizando o sol, o relâmpago, o fogo e o fluxo
da água. Este símbolo foi usado pelos budistas por mais de dois mil anos
para representar a virtude, a bondade e a pureza do "insight" de Buda em relação
ao alcance da iluminação. (Neste século, Hitler escolheu este símbolo para
seu Terceiro Reich, mas inverteu sua direção, o denominou "Suástica" e o
usou para simbolizar a superioridade da raça ariana.)
Fo Tzu (Pérolas
de Buda) — Também conhecido como rosário budista. É um instrumento
usado para controlar o número de vezes que se recita os nomes sagrados do
Buda, dos Bodhisattvas ou para recitar mantras. Se usado com devoção no
coração, ajuda-nos a limpar nossa mente ilusória, purifica nossos
pensamentos e ainda resgata nossa original e imaculada Face Verdadeira. São
constituídos de contas que podem ser de diferentes tipos: sementes de árvore
Bodhi, âmbar, cristal, olho de tigre, ametista, coral, quartzo rosa, jade,
entre outros.
Perda e
pesar
Que a vida não
é livre de sofrimento, é um fato. Sofremos com o envelhecimento, com as doenças
e com a morte. O sofrimento tem de ser tolerado pelos vivos e pelos mortos. O
propósito supremo do ensinamento do Buda é fazer-nos compreender a causa do
sofrimento e encontrar um meio correto de superá-lo.
O Buda nos
disse em seus ensinamentos que toda matéria, vivente ou não-vivente, estava
constantemente sujeita a mudanças cíclicas. As coisas não-viventes passam
por mudanças de formação, duração, deterioração e desaparecimento,
enquanto que as coisas viventes passam por nascimento, doença, envelhecimento
e morte. Mudar a todo momento mostra a natureza impermanente de nosso próprio
corpo, mente e vida. Esta impermanência que temos de enfrentar é inevitável.
O Buda
enfatizou que a principal razão do sofrimento é nosso imenso apego a nosso
corpo, que é sempre identificado como "eu". Todo sofrimento brota desse apego
ao "eu". Para sermos mais exatos, é a "consciência" que se abriga
temporariamente no corpo existente, o qual funciona somente como uma casa. Por
isso, a concepção comum de que o "eu" é o corpo físico está
equivocada. Ao invés disso, seu corpo atual é somente uma propriedade neste
tempo de vida. Quando nossa casa fica muito velha, todos nós adoramos a
idéia de mudar para uma nova casa. Quando nossa roupa está muito usada,
ansiamos por comprar roupas novas. Na hora da morte, quando a "consciência"
abandona o corpo, isso é simplesmente encarado como a troca de uma casa velha
por uma nova.
A morte é
meramente a separação de corpo e "consciência". A "consciência" continua,
sem nascimento ou morte, e busca "abrigo" em um novo corpo. Se
entendermos isso, não há razão para lamentações. Ao contrário, deveríamos
ajudar os que estão à beira da morte a ter um nascimento positivo, ou,
simbolicamente, mudar de casa.
No contexto
acima, um relacionamento de família ou de amizade existe em "consciência"
mais do que em um corpo físico. Não fiquemos tristes por um filho que estuda
do outro lado do mundo, por sabermos que ele está distante. Se tivermos a
compreensão correta da verdade da vida e do universo, encararmos a morte como
o começo de uma nova vida, e não como um ponto final, sem esperança,
poderemos perceber que nossos sentimentos de perda e pesar não passam de ilusões
através das quais somos enganados. Lamentar a morte é o resultado da ignorância
da verdade da vida e o apego a um corpo físico impermanente.
Oito
consciências
No
Budismo, aquilo que normalmente chamamos de "alma" é, na verdade, uma
integração das oito consciências. As consciências dos cinco sentidos —
visão, audição, olfato, paladar e tato – mais a sexta, que é o sentido
mental, que formula as idéias a partir das mensagens recebidas pelos cinco
sentidos. A sétima é o centro do pensamento (manas) que pensa, deseja
e raciocina. A oitava é a consciência ou, como também é chamada, o "armazém"
(alaya).
Os primeiros
seis sentidos não possuem inteligência fora de sua área de atuação; ao invés
disso, eles são reportados a manas sem interpretações. Manas é como um
general em seu quartel, juntando todas as informações enviadas,
transferindo-as, arranjando-as, e devolvendo ordens aos seis sentidos. Ao mesmo
tempo, manas está conectado com alaya. Alaya, o armazém, é o depósito onde
as ações do karma são armazenadas desde o início dos tempos. Ações ou
pensamentos praticados por uma pessoa são um tipo de energia espiritual,
acrescentada a alaya por manas.
As ações
armazenadas em alaya ali permanecem até que encontrem uma oportunidade favorável
para manifestar-se. No entanto, alaya não pode agir por si mesmo, já que não
possui nenhuma energia ativa. O agente discriminador, ou a vontade, é manas, o
centro do pensamento, o qual pode agir sobre alaya para que ele desperte de seu
estado dormente e seja responsável pelo nascimento de objetos individuais,
sejam eles bons, maus ou neutros. Uma pessoa pode ter acumulado incontável karma,
positivo ou negativo, em vidas passadas. No entanto, se ela não permitir que
ele se manifeste, é como se ele não existisse. É como plantar sementes no
solo. Se não houver condições adequadas para seu desenvolvimento, as
sementes não brotarão. Assim, se plantarmos boas ações nesta vida, as ações
de nosso karma negativo anterior não terá chance de se desenvolver nas
atividades discriminadoras. Manas está sempre trabalhando em conjunção com a
mente e os cinco sentidos; ele é responsável pelas conseqüências dos
desejos, paixões, ignorância, crenças, etc. É absolutamente essencial
manter manas funcionando corretamente, de forma a que ele interrompa a criação
de karma negativo, e, ao invés disso, deposite boas ações em alaya. Isto é
possível, já que manas não tem vontade cega, mas é inteligente e capaz de
iluminação. Manas é o eixo ao redor do qual toda a disciplina budista se
movimenta.
A morte é o
processo de ter essas oito partes da consciência deixando o corpo em seqüência,
sendo alaya o último. Isso leva cerca de oito horas para acontecer. Assim, o
processo da morte não acaba quando a respiração cessa ou quando o coração
para de bater, pois a consciência do ser que morre ainda vive. Quando a consciência
deixa o corpo, essa, sim, é a hora real da morte.
Os seis
reinos
Apesar de a
qualidade do renascimento ser determinada pelo acúmulo total de karma, o
estado de mente da pessoa que está morrendo, no momento da morte, está, também,
relacionado com seu próximo rumo na transmigração para um dos seis reinos da
vida. Os seis reinos da vida incluem seres celestiais, semideuses, seres
humanos e três reinos malignos: animais, espíritos famintos e seres
infernais. Atitudes incômodas e impróprias por parte das pessoas ao seu
redor, como lamentações ou movimentação do corpo, tendem a aumentar a dor e
a agonia daquele que está morrendo, causando raiva e apego que, quase sempre,
sugam a "consciência" emergente para os reinos malignos. Para ajudar a pessoa
que está morrendo, não se deve incomodá-la antes da morte até, pelo menos,
oito horas depois da parada da respiração; ao contrário, deve-se ajudá-la a
manter a calma e uma mente pacífica, ou oferecer suporte com práticas
espirituais tais como recitação de mantras.
Funeral
A prática
funeral budista é normalmente conduzida com solenidade. Não se estimula o
luto. Um altar simples, com uma imagem do Buda, é montado. Há queima de
incenso e oferenda de frutas e flores. Se a família assim o desejar, pode
haver monges budistas ministrando bênçãos e recitando sutras e os vários
nomes do Buda, juntamente com pessoas laicas. Estes procedimentos podem ser
seguidos de um elogio à memória do morto. Certos rituais de luto, como vestir
roupas brancas, caminhar com um cajado, lamuriar-se para expressar o grande
efeito do seu pesar, queimar dinheiro, casas ou roupas feitas de papel para o
morto, são, às vezes, considerados como sendo práticas budistas. Na
verdade, esses são costumes tradicionais chineses.
A cremação é prática usual no Budismo
– 2.500 anos atrás, o Buda disse a seus discípulos que cremassem seu
corpo após a sua morte. No entanto, alguns budistas preferem velar seus
mortos. A cremação pode ser escolhida, também, por questões de saúde ou de
custo.