Shunko Tashiro
O Respeito à Vida


2. A Concepção de Vida do Homem Contemporâneo


A Insensibilidade da Vida

Diante de tais questionamentos, como é que nós concebemos a vida? Em primeiro lugar, não estaremos vendo a vida como uma mera coisa? Um garoto pediu à mãe que lhe comprasse um escaravelho numa loja. Na manhã seguinte, o bichinho estava morto. O garoto disse:

— Mamãe, a pilha do escaravelho ficou descarregada.

Isso é um relato da vida real. Para o garoto de 2 ou 3 anos o escaravelho não se distinguia de um robô movido a pilha vendido nas lojas. Talvez, até se justifique que ele pensasse assim. Hoje os robôs são confundidos com a verdadeira vida e não se limitam ao mundo das crianças. Nós adultos também incorporamos a vida humana às engrenagens da economia e calculamos custos de robôs e vidas humanas. Órgãos são transplantados de uma pessoa para a outra como se fossem objetos e são considerados peças que podem ser trocadas quando não servem mais.

A Conversão da Morte em Tabu

Em segundo lugar, a morte tornou-se um tabu. Evitam-se números e palavras que evocam a morte como sendo nefastos. Nos funerais do Japão usa-se o sal como agente purificador. É algo realmente irracional, usar sal purificador na despedida dos pais que nos criaram e dos avós que nos acariciaram, considerando sua morte como uma impureza! No Budismo não existem tais costumes e pensamentos. Trata-se de uma superstição japonesa. Quanto mais a morte é vista como tabu, mais aumenta a inquietação em relação à mesma.

A Apropriação da Vida

Em terceiro lugar, a vida é transformada em propriedade privada. Encaramos nossa vida, nossa existência como algo privativo, mas será assim mesmo? Será que nós nascemos sozinhos? Podemos morrer como desejamos, com nossas próprias forças? Podemos viver nosso dia-a-dia tal como almejamos? Nosso cotidiano não será uma sucessão de eventos inesperados?


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