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Kenryo Kanamatsu
xpressa esses princípios em uma linguagem simbólica e mítica. Segundo certos Sutras da Terra Pura, há muito tempo atrás, um Bodhisatva chamado Dharmakara fez o Voto de que, ao atingir o Budato, todos os seres das dez direções do Universo, ao pronunciarem seu nome, teriam seu nascimento garantido no Paraíso Ocidental, que ele engendraria com os méritos de sua realização. Se isso não ocorresse, ele abriria mão da realização do Budato. Na medida em que ele atingiu o Budato, essa possibilidade já existe para todos os seres. Na escola do Mestre Shinran, essa doutrina vai se relacionar com a teoria dos três períodos, ou da decadência progressiva do Budismo, que propicia aos homens perceberem que a realização búdica não acontece por seus próprios esforços, tendo que depender, para sua libertação, do Outro Poder, ou seja, a força dos méritos de Buda, que lhe são transferidos. A Terra Pura do Buda Amida é uma representação simbólica do Absoluto. O Namuamida-butsu, ou invocação do Buda Amida representa a ponte entre o mundo do Absoluto e o mundo dos fenômenos. O ato de pronunciar o nome de Buda tem sua origem no Absoluto e não na intenção humana. Em última instância, o sentido da Doutrina é o seguinte: o homem é levado a tomar consciência da impermanência e finitude de sua existência e a abrir-se à ação do Absoluto, que encontra sua expressão no Nembutsu ou repetição do nome de Buda. O aspecto original do Budismo Amidista está em colocar a iniciativa do Absoluto, que se expressa como uma força viva e compassiva, e não como um princípio metafísico abstrato, como Tathata ou Sunyata.
A idéia de traduzir o livro "Naturalidade" deve-se ao amigo Benjamim Watanabe, que foi também quem proporcionou a possibilidade de um contato com a Verdadeira Escola da Terra Pura. Este contato representou não só a descoberta de novas dimensões da vivência budista, como também a possibilidade de trabalhar para sua difusão no Brasil, através do Instituto Budista de Estudos Missionários, fundado pelo falecido superior do Templo Higashi Honganji de São Paulo, Rev. Sussumu Hoshinobori, e assessorado pelo Prof. Ricardo Mário Gonçalves, do Depto. De História da Universidade de São Paulo. Quanto ao “Naturalidade”, seu valor está basicamente em ser a expressão poética da vivência budista de seu autor, o Rev. Kanamatsu, professor da Universidade Otani, expressão esta muito própria daquilo que é característico da Verdadeira Escola da Terra Pura, ou seja, sua linguagem simbólica e mítica. Não é certamente esse livrinho uma obra sistemática sobre a Doutrina e filosofia budistas. Na medida em que o desconhecimento dos princípios básicos do budismo, pela maioria dos possíveis leitores desse livro, pode levá-los a uma certa incompreensão de seu conteúdo, parece justificado incluir uma exposição desses princípios e sua relação com a linguagem da Verdadeira Escola da Terra Pura. Sou muito grato ao Sr. Joaquim A. B. C. Monteiro que, traduzindo meu livreto Naturalidade, tornou-o acessível ao público brasileiro.
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