Revª. Leninha Cipriani
Uma Interpretação do Tannishô


Capítulo VI


“É INCONCEBÍVEL QUE PESSOAS QUE VIVEM PELO NEMBUTSU, SE ENTREGUEM A DISPUTAS DO TIPO “ESTE É O MEU DISCÍPULO, MAS AQUELE É DISCÍPULO DE OUTROS”. EU, SHINRAN, NÃO TENHO NENHUM DISCÍPULO, PELO SEGUINTE MOTIVO: SE EU, NA MINHA INICIATIVA, FIZESSE OS OUTROS RECITAREM O NEMBUTSU, EU PODERIA DIZER QUE ELES SÃO MEUS DISCÍPULOS. ENTRETANTO, OS HOMENS RECITAM O NEMBUTSU POR OBRA DO PODER DE AMIDA; É UM ABSURDO POIS, QUE EU OS CONSIDERE MEUS DISCÍPULOS. AS PESSOAS SE APROXIMAM UMAS DAS OUTRAS, QUANDO SURGEM CONDIÇÕES FAVORÁVEIS PARA ISTO, E SEPARAM QUANDO SURGEM CONDIÇÕES TENDENTES À SEPARAÇÃO. NÃO DEVEMOS POIS DIZER, QUE ALGUÉM FICARÁ PRIVADO DO IR NASCER NA TERRA PURA POR TER DEIXADO SEU MESTRE, E ESTAR PRATICANDO O NEMBUTSU COM OUTRO INSTRUTOR. EM HIPÓTESE ALGUMA DEVE ALGUÉM, CONSIDERANDO COMO OBRA SUA UM CORAÇÃO PLENO DE PUREZA E SINCERIDADE CONFERIDO POR AMIDA, INTENTAR TOMÁ-LO DE VOLTA. QUEM VIVE CONFORME A LEI DA ESPONTANEIDADE DO REAL, DEVE TOMAR CONSCIÊNCIA DOS GRANDES BENEFÍCIOS RECEBIDOS DO BUDA E DO MESTRE. ”

Antes de começarmos a dissecar este Capítulo, vejamos o panorama do Japão daquela época, na qual viveram os Mestres Hônen e Shinran.

Tomando a Ilha Central do Japão, veremos Kyoto perto do maior lago do país. E foi ai que em 1173 nasceu Shinran, discípulo de Hônen. Com eles surge na Sociedade menos favorecida, o Shin Budismo, que veio libertar estas pessoas da escravidão cega aos interesse do Governo (Confucionismo). Surge então um Movimento para abafar o Budismo Shin, que foi então considerado subversivo, e os dois Mestres são exilados, um para o Sul outro para o Norte. Em Echigo (no Norte, hoje Niigata) Shinran permanece até 1211 quando foi anistiado. Seu desejo era voltar à Kyoto, mas resolve ir para Kantô (hoje Região da grande Tóquio) e isto por temer novas perseguições, desde que, era em Kyoto que havia maior concentração das forças governamentais. E ele queria divulgar o Dharma livremente. E assim, ele chega à Região do Kantô em 1214 tendo que trabalhar sozinho pois desde 1212 que o Mestre Hônen falecera. Trabalha praticamente, entre Gentios e Agricultores.

Viaja por toda esta Região para difundir os Ensinamentos do Shin Budismo, criando Centros Comunitários para leigos, pois naquela época não existiam Templos ali.

Organizando-se, em cada Centro, havia sempre um discípulo voluntário, que se responsabilizava por cada um destes locais, como se fossem Monges.

Onze anos depois: 1235, Shinran resolve ir para Kyoto (já com 60 anos de idade).

A PARTIR DA SUA IDA PARA KYOTO, começam a surgir vários conflitos sobre tudo o que ele ensinara naqueles Centros Comunitários. Os dirigentes, que faziam o papel de Monges, começam a disputar discípulos. Shinran passa então a receber muitas cartas relatando os acontecimentos. Como já estava idoso ficava difícil fazer as viagens desconfortáveis da época, a fim de visitar estes Centros e desfazer os conflitos, esclarecendo as discórdias. Resolve enviar em seu lugar, o filho, que nada consegue esclarecer (envolvendo-se inclusive nas disputas) pelo que, Shinran renega-o, como seguidor da sua linhagem Budista.

E, são as disputas dos discípulos nestes Centros Comunitários, que constituem o assunto deste Sexto Capítulo. Passemos ao mesmo:

“É INCONCEBÍVEL QUE PESSOAS QUE VIVEM PELO NEMBUTSU SE ENTREGUEM A DISPUTAS DO TIPO: ESTE É MEU DISCÍPULO, MAS AQUELE É DISCÍPULO DE OUTROS... ”

Sendo o Budismo um Ensinamento Universal, entendível por qualquer pessoa em qualquer lugar... porque estes tipos de divergências? Shinran dizia: “Não sou Mestre, o Ensinamento não é fixo, é móvel como a fumaça do incenso.”

Em meio a toda esta confusão pela disputa de discípulos, surgiu Shingyô, que desligando-se do seu grupo levou consigo Textos Sagrados, provavelmente com a intenção de formar e dirigir um Centro. Os dirigentes dos outros Centros, procuraram Shinran e pediram que intercedesse junto ao Shingyô, pedindo de volta os textos sagrados. E Shinran responde: “Mesmo que ele não queira os textos e jogue-os fora, se alguém encontrando-os, estudá-los e entendê-los, já fico satisfeito, a missão dos textos está cumprida.” E prossegue: “Se a saída de Shingyô servir para difundir os Ensinamentos, independente de serem meus ensinamentos, também já é bom, pois como o que tem ali não é Ensinamento nem obra de AMIDA, não é preciso que nos preocupemos com a devolução. Em hipótese alguma deve alguém achar que um coração pleno de pureza e sinceridade é obra sua, por isso, em verdade não devemos nos considerar mestres, porque Pureza e Sinceridade de um coração são conferidos por Amida.”

Por isso Shinran não aceitava, que pessoas que vivem pelo Nembutsu disputassem discípulos, porque o Resgate da Vida Pura, advinda do Coração Puro e Sincero, é atribuição conferida por Amida.

E o Mestre prossegue:

... “EU SHINRAN, NÃO TENHO NENHUM DISCÍPULO, PELO SEGUINTE MOTIVO: SE EU NA MINHA INICIATIVA FIZESSE OS OUTROS RECITAREM O NEMBUTSU, EU PODERIA DIZER QUE ELES SÃO MEUS DISCÍPULOS; ENTRETANTO, OS HOMENS RECITAM O NEMBUTSU POR OBRA DO PODER DE AMIDA; É UM ABSURDO POIS, QUE EU OS CONSIDERE MEUS DISCÍPULOS. AS PESSOAS SE APROXIMAM UMAS DAS OUTRAS, QUANDO SURGEM CONDIÇÕES FAVORÁVEIS PARA ISSO E SEPARAM QUANDO SURGEM CONDIÇÕES TENDENCIOSAS À SEPARAÇÃO. NÃO DEVEMOS POIS DIZER QUE ALGUÉM FICA PRIVADO DO IR NASCER NA TERRA PURA POR TER DEIXADO SEU MESTRE, E ESTAR PRATICANDO O NEMBUTSU COM OUTRO INSTRUTOR. EM HIPÓTESE ALGUMA DEVE ALGUÉM, CONSIDERANDO COMO OBRA SUA, UM CORAÇÃO PLENO DE PUREZA E SINCERIDADE, CONFERIDO POR AMIDA, INTENTAR TOMÁ-LO DE VOLTA”...

Então, Shinran acha que os discípulos não são seus, não são de ninguém, porque a compreensão só é dada a um coração através de Amida. Para compreender algo, precisamos dos sentidos, da percepção. Se não houver a compreensão de “Como a coisa é”, ainda restam os Instintos, que estão também presentes para ajudar. Há ainda as circunstâncias que propiciam esta compreensão. Sem circunstâncias propiciatórias, haverá uma enorme dificuldade para se conseguir compreensão das coisas como elas são. Temos então, os Instintos dentro de nós, mas precisamos das Circunstâncias Propiciatórias, (das condições favoráveis, para desenvolver a compreensão dos fatos). Ex.: crianças criadas com lobos que cresceram com lobos, apesar de trazerem dentro de si características humanas, elas não falarão como humanos, não se comportarão como humanos, etc. Por que? Porque não receberam as condições, que iriam propiciá-las revelarem-se como humanas. NÃO HOUVE O ANTECEDENTE HUMANO (condição propiciatória) para lhes transmitir a herança, o HUMANO. Faltaram as condições para elas entenderem que são humanas.

Vemos então que o Mestre Shinran nega a Relação Mestre-Discípulo, porque, TUDO, existe como um potencial dentro de cada pessoa, que aflora de acordo com as Condições Propiciatórias. E Shinran atribui este Despertar a Amida. A compreensão, a percepção do Ser Humano, da sua ligação com o Absoluto, com o Global é uma Atividade de Amida, da Verdade. Isto vai diretamente ao coração de cada um sem intermediário. Portanto, a capacidade de Despertar é IGUAL PARA TODOS, mesmo que eles vivam numa Comunidade onde haja os que já compreenderam melhor os Ensinamentos. O Despertar é Individual, porém oferecido a Todos por Amida, aguardando apenas as condições propiciatórias.

ISTO EXPRESSA A IGUALDADE ABSOLUTA ENTRE OS SERES HUMANOS, ou seja: Ninguém deve dominar os outros, considerando-se Melhor, considerando-se Mestre. Fica difícil saber quem é o Mestre, quem é o Discípulo, quem é o Certo. Também ninguém ficará privado da Terra Pura, por trocar de grupo, de Instrutor.

COMO podemos afirmar que somos TODOS IGUAIS?

Resposta:

Todos nós temos a vida Impermanente.

Todos somos discípulos de Tathagata

Todos temos capacidade de entender nossa ligação (de ser humano) com as Leis, a Natureza e à partir disto temos a capacidade de transformar o Individualismo (característica do homem ignorante) no Eu Liberto, rompendo as amarras do Ego.

Como o Ego transforma-se no EU LIBERTO?

Sabemos que na História da Humanidade houve na Idade Média, o Período da Renascença quando surgiu a Reforma Religiosa de Lutero no Ocidente, trazendo o Individualismo, porque até então o Esquema Religioso Vigente no Ocidente era constituído por 04 pilares:

DEUS ® BÍBLIA ® IGREJA ® FIÉIS, dentro do qual o Papa era Autoridade Máxima (e aqui estamos referindo-nos ao Cristianismo que na época, no Ocidente era Maioria). Este Papa era considerado Infalível, Absoluto. Mas, este Esquema era estanque, rejeitando tudo que vinha de fora. Com um pouco de Questionamento, começaram a surgir as Guerras Religiosas, surgiu a Santa Inquisição (que exterminava tudo que a Igreja considerava herético) proveniente da Insegurança e Questionamento dos Fiéis. É então que surge Lutero propondo tirar a Igreja do Sistema, ficando então:

DEUS ® BÍBLIA ® FIÉIS, isto é, apenas a Bíblia ligaria Deus aos Fiéis. E, esta postura, automaticamente nega o Papa. Este grito de Protesto foi chamado PROTESTANTISMO, que agora, valoriza o indivíduo, dando-lhe: Liberdade de Expressão, Consciência, fazendo com que ele, deixe de receber de cabeça baixa tudo que a Igreja (agora ausente do esquema) lhe impunha, (e condenava se ele não aceitasse). Como vemos, antes da Reforma de Lutero, havia um achatamento do indivíduo, que era preso ao que a Igreja ditava.

E... dentro do novo Esquema, que é: DEUS ® BÍBLIA ® FIÉIS, aparece uma grande mudança, que é a Valorização do Fiel (que à partir de agora chamaremos: Indivíduo ou Ego). Com esta valorização, o indivíduo adquire Liberdade e Autonomia, para estudar e interpretar a Bíblia, sem sentir-se obrigado, a prender-se no que a Igreja (agora ausente) antes impunha.

Mas, segundo o Budismo, a Comunidade (no caso, a Igreja) é importantíssima no Esquema, pois através dela, é que divulga-se o Dharma. A Sangha deve ser o objetivo de qualquer ser já envolvido e sensibilizado pelo Dharma, pois só assim o Seu Ego caminha para o Eu. O esquema ideal tem que trazer consigo a Comunidade. Sem esta, o Individualismo evidenciará cada vez mais o Egoísmo, não conseguindo transformar o Ego no Eu.

Mas como re-introduzir neste Sistema a Comunidade (Igreja) sem tirar a Liberdade adquirida pelo Indivíduo? Precisamos aqui, introduzir o Conceito de Capitalismo para facilitar esta resposta, para facilitar o entendimento do Sistema Ideal: O Capitalismo nasceu junto com a Reforma de Lutero, pregando que: “Se cada indivíduo se preocupa com o seu Bem-Estar, o Bem-Estar da Coletividade será automaticamente satisfeito”. Vemos aqui o reforço do Conceito “Indivíduo - Ego” e não o “Comunidade - Eu”.

Vemos, portanto, um indivíduo carregado de Egocentrismo. E à partir disto, o Budismo prega um Caminho para o Eu, possível apenas pelo REQUESTIONAMENTO PROFUNDO DA SUA VIDA: e aqui o Ego verá que: CADA SER E CADA FATO SURGEM À PARTIR DE CAUSAS E CIRCUNSTÂNCIAS RECAINDO NO “PRINCÍPIO DA ORIGINAÇÃO DEPENDENTE”, PELO QUAL, TODOS OS SERES ESTÃO INTERLIGADOS, COMO SE FOSSEM OS PONTOS DE UMA MALHA DE TRICOT, ONDE APENAS UM PONTO QUE SEJA CORTADO TRAZ PREJUÍZO PARA TODA A MALHA (A COMUNIDADE).

Entendendo isto, o Indivíduo vai entender que a apresentação ideal da malha (o bem estar da Coletividade) só será automaticamente feita, com a cooperação de todos, e que todos têm sempre algo a oferecer. A AJUDA MÚTUA É INDISPENSÁVEL. Sem esta ajuda mútua, sem trabalho em grupo, perguntamos: Na Agricultura, cada um teria que produzir sua alimentação? No Sistema Educacional cada um seria Autodidata? A ausência de Cooperação traz prejuízo global.

CONSCIENTE DISTO, O EGO BUSCA O SEU PAPEL NA COMUNIDADE, E TRANSFORMA-SE NAQUELE EU COOPERATIVO, DESEJOSO DE AJUDAR, DE SALVAR A TODOS.

AGORA ESTE EU NÃO PREOCUPA-SE APENAS CONSIGO.

ESTÁ ELIMINADO O INDIVIDUALISMO.

Estamos agora, imersos na Comunidade Cooperativa, onde todos colaboram, mas, mesmo assim veremos que HÁ DIFERENÇAS ENTRE ESTES INDIVÍDUOS, geradas principalmente pelo dinheiro,. Mas, é muito importante, como Budistas, que olhemos qualquer ser humano, como tendo pontos em comum conosco. Isto vai ajudar a transcender o Egoísmo, a agir sempre como o Eu que nasceu do Ego.

Vemos assim, que todos têm capacidade para transformar o Ego no Eu, o que é conseguido quando os Ensinamentos são assimilados.

Quando isto ocorre, percebemos o Poder de Amida, e o reverenciamos com o Nembutsu.

É Amida quem atribui o Conhecimento ao Coração das pessoas, e esta atribuição é igual para todos. O que diferencia a sua maior ou menor assimilação, é a presença ou não de condições propiciatórias. Nesta transformação do Ego para o Eu, vemos que há um ponto importante que é a necessidade de um coração pleno de pureza e sinceridade conferido por Amida.

Isto significa que nosso coração é nossa Natureza Humana, carregada de desejos que podem ser rompidos quando existem condições propiciatórias que levam ao Conhecimento (que vai fazer aflorar para sempre a Pureza e a Sinceridade de Amida, que transformam o Ego no Eu).

Ocorrida esta Transformação veremos que haverá no Indivíduo uma maior capacidade para a vida em Comunidade, ajudando os demais a encontrarem a Salvação, “Sem disputa de discípulos, porque, as pessoas não são o Caminho, o Caminho é Amida”.

Mas, quem consegue suplantar o Ego, dá uma prova da Veracidade do Caminho, e pode ser visto como Mestre, como Ensinamento Vivo, (como o foram Hônen e Shinran).

Todos devemos nos considerar iguais, não devemos nos considerar Mestres, muito embora as outras pessoas assim nos considerem. São as Condições Favoráveis que vão aproximar as pessoas, criar Discípulos e Mestres, muito embora Shinran dissesse que não devemos considerar ninguém como Discípulo, colocando-nos na posição de Mestre assim como não devemos dizer que alguém ficará privado do Ir Nascer na Terra Pura, por haver deixado seu Mestre, e estar praticando o Nembutsu com outro. Isto porque o Nembutsu é obra do poder de Amida. As Condições Favoráveis que aproximam as pessoas promovem o Conhecimento, põem em suas mãos os Ensinamentos sem os quais, caímos no Individualismo Egoísta.

Quando alguém afirma: “Este é meu discípulo” ele ainda está preso ao Ego, ainda não transcendeu o Egoísmo Humano, ainda sente a vaidade de ser Mestre (paixão humana).

As palavras do Buda Sakyamuni antes de morrer, foram: “Não me tomem como Refúgio, mas meu Ensinamento sim, porque, não sou eu que vou libertá-los, mas o meu Ensinamento (que provém de Amida).”

Esta deve ser a postura do Mestre: sempre considerar Amida como o Mestre de todos como o Grande Mestre, aconselhando a não se tomar Refúgio nas pessoas que transmitem o Ensinamento, e sim no próprio Ensinamento.

... “QUEM VIVE CONFORME A LEI DA ESPONTANEIDADE DO REAL, DEVE TOMAR CONSCIÊNCIA DOS GRANDES BENEFÍCIOS RECEBIDOS DO BUDA E DO MESTRE ”

Ao encontrarmos o Ensinamento, despertamos. O Tathagata, atua no nosso Núcleo-Ignorante de Paixões, transformando-o em um Núcleo de Fé, através destes Ensinamentos.

E é aqui que surge a Postura Búdica.

Este núcleo ignorante é o Ego, que pela atuação de Tathagata transforma-se no Eu. Este sujeito transformado é um Dharma-Kara. (onde Dharma = Dharma, Verdade, e, Kara = depósito de).

Todos os sujeitos, todos os seres, possuem a capacidade de se transformarem em um Dharmakara, de tornarem-se discípulos de Tathagata, adquirindo um Núcleo de Fé, que substitui o Núcleo Ignorante, adquirindo a Postura Búdica, passando a viver conforme a Lei da Espontaneidade, do Real, ou seja, conforme o Voto Original, dentro de uma Verdade que não se abala com os artifícios do Ego. E, como somos membros de uma comunidade, devemos assumir a nossa responsabilidade, o nosso papel neste grupo, pois enquanto não percebermos isto, a Transcendência do Ego não vai ser realizada.

Para viver conforme a Lei da Espontaneidade do Real, a Lei do Voto Original de AMIDA, a Lei da Verdade Imutável, temos que perceber nossa Interdependência dentro da nossa comunidade, e quando isto ocorre, dizemos que foi encontrado o Sentido da Vida.

Vemos então, que para chagar a este encontro, temos que suplantar o nosso Ego, assumindo as responsabilidades de Membro desta Comunidade. E, à partir desta suplantação devemos perceber que, dependemos de tudo que hoje nos cerca para sermos quem somos, para a Vida acontecer. Por exemplo: se a minha saúde não está como desejo, ela está sendo o resultado das condições propiciatórias que lhe são oferecidas.

Portanto, vemos que a Vida não ocorre como queremos, ela depende das circunstâncias existentes, para ocorrer, de uma ou de outra forma.

Quem vive de acordo com a Lei da Espontaneidade do Real, achou o Verdadeiro Significado de Vida, mesmo que esta esteja em desacordo com o seu planejamento. Pode-se dizer, que esta pessoa suplantou o Ego, vive Globalmente (e não Individualmente), pode-se dizer que ela recebeu a Sabedoria do Tathagata e percebe agora os grandes Benefícios recebidos do Buda Amida, que podem chegar às suas mãos, através do Instrutor que explica a Salvação à partir do Voto Original de Amida (no caso do Mestre Shinran o Instrutor foi o Mestre Hônen).

Estes grandes benefícios recebidos, podem ser resumidos numa única palavra: PAZ.


Templo Budista Apucarana Nambei Honganji
Travessa Dorizon, s/n
86802-265 — Apucarana — Paraná
Telefone/Fax:
(0xx43) 3423-0315
Monge Responsável:
Rev. Wagner Bronzeri (Sh. Haku-Shin)
E-mail: honganji@dharmanet.com.br

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