Revª. Leninha Cipriani
Uma Interpretação do Tannishô


Perguntas e Respostas


AMIDA

Que é Amida?

É a grande luz infinita que beneficia a todos os seres viventes. É a fonte inesgotável da Compaixão, da Sabedoria, da Verdade, implícitas em Tudo, e impossíveis de serem avaliadas.

Amida, vem da palavra sânscrita Amita.

Não é um personalidade, uma entidade, racionalizando “grosso modo”, seria a Fonte da Luz Infinita, que origina e envolve todo o Universo.

É à luz Búdica, que chamamos de Amida, porque esta luz, é imensurável: (A = Negação, Ausência e MIDA = Medida). É então, a Luz sem medida que envolve todos os Seres. É portanto, o Sagrado, o Ininteligível, o Imensurável, que faz nascer a Fé dentro de nós, e não pode ser expressa em cor, cheiro ou forma. É invisível, é a Sabedoria Cósmica, é o Absolutismo, que passa a ser a Verdade, na vida de quem aceita sua Grandiosidade, por saber-se impotente perante o mesmo. Não podemos lutar contra Amida, pois ele, apesar de transcender a Razão e o Intelecto humano, sabemos que Ele existe pois sua ação quando desencadeada é implacável, nada o detém. O Nome, Amida, é apenas uma facilidade de ordem didática, não existindo uma boa tradução para ele.

ARAHAT

É o grau máximo no caminho da Disciplina, no Budismo Hinayana. Os praticantes que tentam superar as paixões humanas, e viver a Vida mais pura possível, são assim denominados.

Desde os primórdios do Budismo, os Monges do Hinayana abandonavam a Sociedade e iam para os Mosteiros nas montanhas, onde viviam como Ascetas, se fustigando tentando jogar fora todo o egoísmo humano, as paixões, para assim atingirem a Iluminação.

Mas sabemos que, como Seres Humanos, é impossível olharmos algo belo e não o desejarmos: é impossível sentirmos o cheiro de um alimento bem elaborado e não o desejarmos comer, se estivermos com fome. E o que faziam estes Monges? Eles trabalhavam a Mente, para desligá-la das sensações de desejo enviadas pelos órgãos sensoriais, afim de tornarem-se pessoas sem desejos próprios.

Neste nível eram chamados ARAHATS, e só assim atingiam a Paz.

Os Monges, do Budismo Mahayana porém, não buscam o Estado de Arahat mas sim o de Bodhisattva para chegar à Iluminação, à Paz.

O Mahayana (que é o nosso Budismo) coloca a Vida como objeto central de seus Ensinamentos.

E, buscando a Vida, eles não fogem da Sociedade como os Ascetas, como os Arahats. E por mais dura que seja a Realidade da Vida, os Bodhisattvas aceitam-na sem perda da tranqüilidade, procurando transformá-la, dirigindo-a para uma Integração à Vida Una, confiando no Outro Poder.

Já o Arahat, segue um caminho de Auto Poder, não aceitando e tentando esmagar sua Natureza Humana, lutando incansavelmente, na busca da eliminação das suas paixões dos seus desejos individuais. Ele tenta cada vez mais atingir a Perfeição, a Iluminação, imprimindo castigos, fustigações ao seu corpo e à sua mente.

AUTOCONHECIMENTO

É a retomada de consciência das nossas origens. Na medida em que vamos nos apegando às perspectivas lógicas de vida, vamos nos afastando das perspectivas subjetivas inerentes ao ser humano (essas perspectivas, afirmam que estamos todos fundeados numa mesma base numa mesma origem). Com a perspectiva lógica, passamos a olhar as pessoas como simples objetos. Quando falamos em Auto-conhecimento significa que temos em mente as perspectivas subjetivas e não as objetivas, significa que estamos retomando consciência das nossas origens, ligadas as Leis Naturais (que tem em si muitas coisas ininteligíveis ao homem eliminando assim a objetividade).

BODHISATTVA

Que é um Bodhisattva?

É aquele que prática o Budismo Mahayana, que percebe o nível egoísta existente em si e em todos os seres humanos, e procura transformá-lo. Seu grande objetivo é transmitir a Sabedoria, para a Salvação dos outros seres. O Bodhisattva, não foge às responsabilidades e inconveniências da vida, ele vai tentando resolver tudo que surge, jogando fora o egoísmo, promovendo uma vida harmoniosa dentro do seu grupo social.

E a partir deste modelo, surge um novo ser humano que supera o egoísmo de orar numa Igreja para obter proveitos pessoais, egoístas. Ele tende a ser menos Individual e passa a ser mais Global, assumindo a postura de beneficiar toda a Sociedade, aceitando e transformando a Realidade.

O ideal do Bodhisattva surgiu da negação do ideal do Arahat (que é abandonar a Sociedade e lutar incansavelmente para esmagar sua Natureza Humana).

O Bodhisattva transfere tudo a todas as formas de vida.  

BUDISMO : FILOSOFIA OU RELIGIÃO ?

O Budismo é mais Religião ou Filosofia de Vida?

Apesar de toda a complexidade que à primeira vista aparenta (principalmente para nós que não conhecemos a Língua Japonesa) podemos afirmar que o nosso ramo Budista, o Jôdo Shinshû, por ser baseado no Nembutsu (que resulta em cada coração, de um processo dedutivo que nos ensina a encontrar a Paz), por ser um Ensinamento não Dogmático, por ser sem Mistérios e sem Milagres, por não apresentar idéias Fantásticas, por nos ensinar a buscar a harmonização com as Leis Naturais através do Auto questionamento e do Autoconhecimento, por nos ensinar a observar a nossa Mente e harmonizá-la com Amida, por nos mostrar a Responsabilidade que assumimos em relação aos nossos atos (executados ou omitidos), podemos dizer que o Budismo é uma Filosofia.

Mas, sabemos que por outro lado, o Budismo nos convida a reflexões profundas, valoriza o Sagrado, faz brotar em nosso coração uma Fé no Imensurável, Ininteligível Independente Poder, no qual estamos imersos, possui os Ritos que reverenciam este Poder.

Por isso podemos dizer que o Budismo é uma Religião Filosófica.  

BUDA AMIDA

As palavras Buda Amida significa: “a Luz Imensurável” pois Buda significa Iluminação e Amida é o Imensurável. Seria portanto : A Grande Sabedoria Cósmica dentro da qual Todo o Universo está mergulhado. São as leis Inexoráveis que nos regem, com imparcialidade executando-se dentro do Princípio de Ação e Reação.

São forças tão poderosas que o raciocínio humano não entende em sua totalidade, mas aceita, por estarem muito evidentes no nosso dia a dia.  

BUDA SAKYAMUNI

É o nome dado ao Príncipe Indiano Sidarta Gautama, que aos 29 anos, abandonou a vida de apogeu no Palácio dos seus pais, (onde hoje é Nepal) em busca de Respostas às Perguntas que surgiram no seu íntimo, desde o dia em que resolveu ultrapassar os limites de seu Palácio.

Deparando-se com o sofrimento Humano à partir do contato que teve com a fome, a velhice, a doença e a morte, até então para ele desconhecidos iniciou uma profunda reflexão sobre a Realidade da Vida. Entendeu que no interior do seu palácio o mundo era irreal, ilusório.

Resolveu então, sair e procurar os Sábios da época, para tentar encontrar, entender a Verdade, que agora apresentava-se diante de si.

E assim inicia uma vida de práticas ascéticas.

Quando após vários anos de aprendizado percebeu que não encontrava as Respostas às suas Perguntas, abandonou os companheiros ascetas e seguir seu caminho, sozinho. Resolveu sentar à sombra de uma figueira, e ali permaneceu até que encontrou a Iluminação tornando-se Buddha. E tudo que ali ele entendeu, sentiu que teria de ser transmitido a todos os outros seres humanos, afim de eliminar aqueles Sofrimentos que ele conhecera ao sair do seu Palácio. Ele entendeu o Dharma e sentiu a necessidade de divulgá-lo. Já vemos aqui, a semente da Mahayana. E tudo isto passou a ser chamado de Budismo, e ele de Buda Sakyamuni ou Buda Histórico.  

BUDDHA

O que é um Buddha?

É um adjetivo atribuído a alguém, que abriu os olhos aos Sofrimentos da Vida. É uma pessoa Iluminada, integrada à Sabedoria Cósmica.

É aquele que transcendeu o Egoísmo Humano que carrega consigo as conveniências pessoais, transformando o Ego no Eu. É aquele que já entendeu, que a Vida, é expressão das Verdades contidas nas Leis. O Buda Sakyamuni já disse em vida, que todos os seres tem uma natureza búdica, que é a sua essência interior.

Esta essência seria aquela vontade muitas vezes não concretizada, que existe em todas as células, em todos os átomos, (de não serem agredidos pelas conveniências pessoais) de uma integração cósmica, de uma existência dentro da Verdade Búdica. A pessoa, o ser (animado ou inanimado), deve viver segundo esta verdade, segundo sua natureza búdica, mas a palavra Buddha é atribuída a uma pessoa que Despertou, que abriu os olhos para os Sofrimentos reconhecendo que eles existem, que são causadas pela Ignorância, que existe um Caminho para superá-los, e que busca este Caminho para enfim encontrar a Paz (da Integração à Sabedoria Cósmica).  

BUDISMO MAHAYANA

É o nosso Budismo. Este Budismo coloca a Vida como objeto central dos seus Ensinamentos. Os praticantes deste Budismo buscam o Estado de Bodhisattva, para atingir a Iluminação, e valorizam a Vida vivendo-a como ela se apresenta (dentro da Sociedade), enquanto os praticantes do Budismo Hinayana abandonam a Sociedade, e trabalham a Mente para desligá-la dos desejos, das paixões humanas, e é por este caminho que atingem a Iluminação.

O Mahayana aceita as condições do Ser Humano, o Hinayana tenta anulá-las. 

KARMA

Que é Karma?

É a historicidade do Ser Humano. É o homem sendo construído, e, constituindo a história futura. É entender, que nós somos determinados, pelo nosso passado, e estamos agora determinando o futuro. É entender que, tudo que é hoje presente, originou-se no passado, e está gerando o futuro. E, para que este futuro seja gratificante, o presente deve ser submetido a severa crítica, e possuir no seu contexto o pensamento central, essencial do Budismo, que é a atenuação do Sofrimento. Este é o Conceito de Karma dentro de nossa Escola Jôdo Shinshû, ficando bem claro que todo este contexto está restrito à Vida Presente.

Dentro do Hinduísmo porém, este Conceito une-se ao de Reencarnação, e surge a idéia de “Karma-Resgate”, isto é, a pessoa tem um espírito que encarna, desencarna, reencarna, gerando um ciclo de Nascimentos e Mortes físicas. E dependendo como foi sua encarnação anterior, ela reencarna para Resgatar dívidas assumidas em vidas passadas. Os Sofrimentos seriam causados então, por Condicionamentos Kármicos, determinados em vidas passadas. No Jôdo Shinshû, isto pode ser chamado de Comodismo, pois os Sofrimentos para nós, estão determinados pelas nossas ações na Vida Presente, pelo que devemos despertar, para determinar um futuro integrado à Grandiosidade Cósmica, sem sofrimento. 

CONCEITO DE VIDA UNA

Que é conceito de Vida Una?

É o conceito que afirma que: a NOSSA VIDA DEPENDE DE TODOS OS SERES QUE NOS ANTECEDERAM (ANCESTRAIS) E TAMBÉM DOS ANIMAIS IRRACIONAIS E PLANTAS, QUE VÃO GERAR NOSSA ALIMENTAÇÃO, RESPIRAÇÃO E O BEM ESTAR FÍSICO E MENTAL.

Todos estes são indispensáveis, sem eles não estaríamos vivos. Devemos agradecer e reverenciar os que nos geraram, e estes que nos alimentam, com muito respeito, pois sem a existência deles não estaríamos aqui, agora.

A vida de cada um de nós, é UMA FRAÇÃO desta Vida Total, desta Grande Vida, inclusive os minerais.

Este Conceito de Vida Una nos leva ao Nembutsu: que é a Reverência à Unidade e a Grandiosidade Cósmica.  

CONDIÇÕES PROPICIATÓRIAS

O que seriam as Condições Propiciatórias no Budismo?

Como elas podem influir na Autonomia do Sujeito?

Precisamos entender, que apesar de sermos indivíduos, estamos mergulhados nas inter-relações, ou seja, tudo que acontece na vida depende das Condições Propiciatórias que levaram a isto, depende dos fatores que contribuíram para que isto aconteça. Muitas vezes, a falta de um dos fatores determinantes leva a uma resolução diferente.

A vida Real NUNCA vai acontecer só de acordo com a nossa vontade. Analisando as Condições Propiciatórias podemos encontrar o significado Real de um fato, e vivê-lo sem Ilusão.

Conseguimos também mais facilmente, transcender um Planejamento não ocorrido, adaptando o Fato ao que as leis estão tentando nos mostrar.

São portanto as Condições Propiciatórias que vão permitir os acontecimentos da Vida. 

CAMINHO DO MEIO

É o Princípio Budista, descoberto pelo Buda Sakyamuni por ocasião de sua Iluminação e que deu origem ao seu primeiro sermão, feito aos cinco ascetas antigos companheiros. Este Princípio diz que há dois extremos na vida, que devem ser evitados: um é a vida de prazeres e a outro é a vida ascética (com cruéis austeridades, auto-mortificações, etc). Há entre estes dois extremos uma vida média, o caminho do meio, uma vida humana normal natural, refreando as tendências egoístas que perturbam a mente.

É este Caminho do Meio que leva à Paz, à Sabedoria. E neste princípio fundamenta-se também a Nossa Escola Jôdo Shinshû, que refuta a Vida Ascética por um lado e a Vida de Prazeres, Concupiscência e Sensualidade pelo outro lado. Ambos perturbam a mente. Na Verdadeira Escola da Terra Pura ou Jôdo Shinshû, vivemos o Budismo Mahayana, no qual não abandonamos a Sociedade (para a vida dos mosteiros), mas também, não nos entregamos aos prazeres egoístas. Seguimos pelo “Caminho do Meio ”buscando a integração à uma Vida Pura, mas valorizando a família e a sociedade na qual vivemos. O Jôdo Shinshû pode ser definido como um barco com 2 remos, onde eliminando um, o barco tende para um lado ou para o outro. Ele é o Caminho do Meio, é a idéia do Vazio. 

COMPAIXÃO

O que seria a Compaixão?

A Compaixão é um das palavras-chave no qual centraliza-se a Doutrina Budista.

A mente dotado de Compaixão é aquela que tem o poder de propiciar Sabedoria para quem não a tem. Isto é Compaixão. O ser humano está sempre mudando a Realidade, sempre com postura contrária à qual as coisas são, à qual as coisas se mostram. O compadecer-se por esta condição de Ignorante da Realidade, apresentada pela grande maioria dos seres humanos, isto é Compaixão.

Um conceito próximo ao da Compaixão seria o de Amor.

A Compaixão Segundo o Caminho da Terra Pura, consiste em, tendo a Mente Búdica, isto é aceitando as Leis, receber a Grande Compaixão de Tathagata, e através deste recebimento BENEFICIAR TODOS OS SERES.

Mas, nesta Grande Compaixão devemos perceber a Compaixão da Vida Imensurável, onde não há referencia a uma Compaixão Individual mas sim a uma Compaixão Global que transcende o Ego, e recaiu portanto na nossa reverencia às Leis, beneficiando indistintamente todos os seres viventes. Daqui podemos também concluir que por mais que as pessoas à nossa volta estejam sofrendo não vamos poder ajudá-los de maneira individual, como queremos, porque as coisas não ocorrem como queremos. Por isso os seguidores da Compaixão segundo o Caminho da Terra Pura, afirmam que, a Compaixão pelo Esforço Pessoal (Budismo Hinayana) é limitada. Por isso o Caminho da Ascese, o Caminho Ascético é considerado Idealista e Limitado.

A Grande Compaixão não refere-se apenas ao período em que estamos vivos ela é da vida sem limites. O caminho da Compaixão da Terra Pura portanto é o abrir a Mente para receber a Grande Compaixão da Vida Imensurável, não é referencia a uma Compaixão Individual, não é o Amor individualizado de um Grupo que pratica o Bem, é um caminho que significa Ter Fé, aceitar a Grande Compaixão do Buda pela recitação do Nembutsu.

A Prática da Grande Compaixão portanto, expressa a Vida Infinita, sem Limites.

Nós porém, somos Seres Limitados, com períodos de Vida Limitados, mas à partir do encontro com a Vida Infinita, podemos transformar esta nossa vida limitada, através da Compaixão Ilimitada que recebemos, e vamos tentar transmitir às Gerações que virão, (através da tentativa de transmissão dos Ensinamentos) o encontro da salvação, da Paz.

Poderíamos dizer que:

A Grande Compaixão = Compaixão de Buda Amida,

Média Compaixão = Compaixão dos Ascetas

Pequena Compaixão = Compaixão do Homem Comum.

E é a atividade da Grande Compaixão em nós, que vai romper o nosso Ego.

Originalmente, estamos vivendo a Vida Infinita, Imensurável. Mas, somos seres finitos, com período limitado de vida, e, será O MODO COMO VIVEMOS ESTA VIDA, (que deverá ser integrado ao contexto de Responsabilidade para com o futuro) que legará a Paz à Humanidade. Será sobretudo respeitando a Ecologia sem a qual o Budismo não existiria.

Para termos esse Respeito implícito no nosso ser, precisamos perceber nosso Estado Original, e para isto, é preciso romper nosso ponto de vista egoísta. Para romper este apego à imagem do Ego, foi escrito o Sutra da Contemplação.

O Nembutsu, propicia o Despertar para os fatos básicos da Vida, da nossa Vida, QUE PODEMOS DIZER QUE É INFINITA, se considerarmos que fazemos a nossa transmissão para as gerações posteriores. É quando rompemos com o nosso Ego que podemos vislumbrar esta vida Infinita Imensurável.

Esta experiência de Romper com o Ego ocorre quando acontece uma proximidade com a morte. Mas, precisamos rompê-la sem esta proximidade, precisamos fazê-lo, Aqui e Agora.

O recebimento da Grande Compaixão Búdica nos encaminha corretamente no rompimento do Ego Aqui e Agora, quando vislumbramos a aceitação das Leis Naturais. O Nembutsu é como um chamado para este Despertar: conseguimos romper com os nossos pontos de vista, e nos iluminarmos para esta Vida Infinita. Não podemos separar Iluminação de Vida Infinita, e o Nembutsu nos chama para esta. O Ego nasce na idéia de que não queremos morrer e é rompido quando percebemos que somos uma unidade da Vida Infinita, que surgimos para dar continuidade a essa Vida, que está em movimento desde os primórdios do Universo.  

CHO CHIN GUE

O que é o CHO CHIN GUE?

É o Poema da Verdadeira Fé no Nembutsu, baseado no Grande Sutra da Vida Imensurável.

O CHO CHIN GUE é basicamente dividido em duas partes:

1) Essência do Budismo (Sutra da Vida Imensurável).

2) Ensinamentos dos 7 Patriarcas.

Os seus Ensinamentos transcendem épocas e culturas continuam sendo atuais e isto porque atingem o âmago do ser, trazendo um sentido para a vida. O Mestre Shinran escreveu o CHO CHIN GUE, como expressão da sua alegria e gratidão por receber a Grande Compaixão de Tathagata, que ilumina e beneficia igualmente a todos, sem descriminação. Nele encontramos a Essência de todo o Ensinamento de Shinran.

É importante lembrar que ao lermos o CHO CHIN GUE, estamos lendo uma “Louvação da Vida, uma Reverência a Vida do Voto Original”.

Os textos do CHO CHIN GUE foram originalmente escritos em Chinês.  

DESAPEGO

Como o Desapego pode ser alcançado ?

O Mestre Nagarjuna rompe com a visão dualista do: SER/NÃO SER, TER/NÃO TER, EXISTE /NÃO EXISTE, CERTO/NÃO CERTO, etc.

Ele rompe assim com a Mente Discriminatória, afirmando que não há Parcialidade, que há uma entrega total ao Tathagata confiando-se no seu cumprimento. Nós, não podemos saber o que é, ou o que não é. Devemos confiar na execução das Leis, pois estas Leis são o Tathagata, só elas trazem consigo a Verdade Ilimitada, e esta Verdade surge automaticamente como resultado do acionamento de qualquer Lei.

Se entendemos isto, nos desapegamos desta ou daquela opinião. Nasce assim o DESAPEGO na nossa vida, por sabermos que, tudo se manifesta de acordo com as leis, de acordo com o Princípio da Originação Dependente, de acordo com as Condições Propiciatórias.

Se entendemos isto, vamos saber que tudo é como é, que todos os fenômenos são vazios, que não existe parcialidade para as leis, que nada está separado, nada é individual, todos são o Tudo.

Com isto alcançamos o Desapego porque entendemos que tudo é como é, os princípios geradores são como são: matemáticos, imutáveis, imparciais, vazios. Entendido que não adianta querer mudar o Imutável, a Mente se desapega deste desejo de mudança e passa a viver sem a insatisfação do desejo irrealizado, deixando de Sofrer. Ela reconhece que os fenômenos são vazios, (não adianta acionar a sua vontade contra as Leis que os determinam). 

DEUS

Quem é Deus?

Façamos um paralelo entre o Deus Cristão (para os seguidores de Cristo, o Criador do Universo), e, Sabedoria Cósmica:

O Buda Sakyamuni (Sidarta Gautama, ou ainda o Buda Histórico) despertou para a Verdade, para a Sabedoria Cósmica, e entendeu que o Universo funciona de uma determinada maneira, percebeu e legou-nos que: existe VIDA em tudo, por ex, numa mesa, (existem os átomos componentes das moléculas que constituem o Vegetal que a originou).

Assim como existe vida nas pessoas, existe também nas plantas, nos minerais, etc. pois todos este seres, possuem os ÁTOMOS na sua constituição, que são os elementos portadores da Energia Cósmica.

Se alguém criou ou não a Vida (os átomos as moléculas, as células os tecidos, os órgãos os sistemas e aparelhos que compõem os seres vivos) há bilhões e bilhões de anos é um assunto muito complexo para provarmos concretamente. Qualquer tentativa até hoje tem trazido sempre suposições, o que obriga a Mente buscadora, a parar e calar. Os grandes físicos não conseguiram até hoje nos mostrar o marco zero da nossa existência em sua total extensão. Nunca conseguiu-se chegar ao nascimento da primeira partícula cósmica.

Se alguém (por trás de todo este raciocínio) criou ou não a Vida, a Verdade é que aqui nós estamos, e cientes de que: EXISTE UMA SABEDORIA CÓSMICA UNIVERSAL, pois, o Sol não está no centro do nosso sistema Solar com os Planetas e Satélites girando ao seu redor? Temos que aceitar, que eles são regidos por uma Sabedoria que mantém um equilíbrio entre eles, que é a Lei da Gravidade.

Mas, também temos que aceitar o fato de que, mesmo antes do descobrimento desta Lei ela já existia! Não há necessidade de anjo nem espírito para que esta Lei cumpra-se Ela não falha. Ela é a Sabedoria Cósmica. Existem também muitas Leis que nossa Ciência não descobriu, e que executam-se independente de serem por nós entendidas.

Agora vejamos o Conceito de Deus vigente no Cristianismo:

Este conceito diz, que Deus é um indivíduo que rege e habita o espaço cósmico, que criou o Universo, o Paraíso Celeste, almejado pelos Cristãos no pós morte. Para os Cristãos portanto, Deus é uma pessoa (um espírito porque ele não tem corpo físico) uma Individualidade Sagrada, habitando um paraíso distante no qual todos desejam habitar após a morte. Mas, para os Budistas, o Sagrado não é uma Individualidade, não é uma entidade, o Sagrado é a Sabedoria Cósmica que se revela a tudo e a todos, com toda a sua força e é dentro desta Sabedoria Cósmica que o homem existe, e é por esta Sabedoria Cósmica que o homem é regido, apesar de não existir uma entidade que a individualize. Para O Budismo, esta Sabedoria Cósmica é Global, é expressão da Totalidade Universal, e é Eterna, porque não temos provas concretas da sua origem.

Quem o desejar, pode chamar esta Sabedoria, de Deus, ou dizer que, o Deus Cristão é o portador da Sabedoria Cósmica, e rege a vida desses Cristãos através dessa Sabedoria.

Este seria o Relacionamento mais aproximado entre estes Dois Conceitos.

Para nós Budistas esta Sabedoria Cósmica está habitando dentro de cada um de nós, e tende sempre a nos encaminhar de modo a não contrariarmos o que ela determina através das suas Leis. E identificar o que ela está nos Transmitindo, pode ser chamado de: Identificação da Vontade Original. 

DHARMA

O que seria o Dharma?

Dharma, é tudo que, no mundo, conserva suas características, que não está sujeito ao Princípio de Impermanência. É aquilo que não muda: são as Leis Cósmicas, ou seja, as Leis Universais, que estão contidas (até onde nos é possível entender) dentro dos Ensinamentos Budistas, que nos despertam, abrindo o Caminho para que vivamos dentro da harmonia com estas Leis, para alcançarmos a Paz.  

ENTREGA AO GLOBAL

Como seria o Ato de Entrega ao Global, à Vontade Original, à Sabedoria Cósmica?

O Budista Amidista, busca a postura de entrega, total ao Global, à Realidade, à Sabedoria Cósmica, deixando-a atuar em si, esvaziando a mente e adquirindo o pensamento puro e verdadeiro de abandonar o Ego, não deixando-o atuar. Esta postura tende a ser de globalização máxima de suas ações. O Budista não vai pedir auxílio ao invisível através de preces, pois fazendo isto, está tentando satisfazer o seu Ego.

Pela Fé adquirida, é que ele Globaliza, pois é através desta Fé, que ele sabe que as forças da Natureza agem incontestes em todos os seres, e não adianta tentar fazê-las agirem individualmente, NEM MESMO ATRAVÉS DE PRECES. O Budista vai perceber que estas forças são tão complexas que ele jamais irá entendê-las na sua totalidade. Ele verá que nem através do seu intelecto vai entender esta Totalidade, porque ela está além desta capacidade humana, ela é imensurável, é Amida. Esta Totalidade, estas forças são a REALIDADE implícita em tudo que nos cerca.

Sem a atuação do Ego, há esta entrega ao Global, à Sabedoria Cósmica. A Vida flui, sem contrariar a mensagem que esta Sabedoria está tentando nos transmitir através dos fatos.

E é esta a verdadeira Postura Budista.  

ENSINAMENTO (MAIS IMPORTANTE DO BUDA SAKYAMUNI)

Qual o mais importante Ensinamento do Buda Sakyamuni?

É a busca da Sabedoria que consiste em esvaziar a Mente e adquirir o pensamento puro e verdadeiro de abandonar o Ego, não deixá-lo atuar, e isto significa, transformar na mente, as paixões, as ilusões, os preconceitos, etc. Quando o Seguidor do Caminho Budista chegar a este nível, chegar a compreender a Realidade, a Verdade das coisas, ele chegou à Sabedoria.  

ECOLOGIA

Qual a Relação do Budismo com a Ecologia?

O Budismo tem uma profunda relação com a Ecologia, com a Natureza. Sem a Ecologia o Budismo não existiria, pois em seus conceitos (básicos) ele já toma-a como responsável pelo seu surgimento, pois sem as Leis Naturais que são as mesmas Leis que constituem o Budismo não alcançaríamos a Paz.

SEM LEIS NATURAIS, SEM ECOLOGIA, NÃO HÁ BUDISMO.

Ser Budista é aceitar a Natureza como responsável pela sua existência, é integrar-se a ela para alcançar a Paz (ou Salvação). Isto é extensivo à Ecologia, a qual devemos preservar, sabendo que, tudo no nosso planeta, pela Originação Dependente, está inter-relacionado.

Daí se conclui que: qualquer animal ou planta que seja sacrificado, merece o nosso respeito, pois TUDO, que comemos está sacrificando a sua vida em prol da nossa. Está dando-nos a Vida.

Respeitando-os, estamos nos respeitando, pois somos todos (e cada um) uma unidade do Global. Esta foi a Grande Verdade expressa pelo Buda Sakyamuni na sua Experiência de Iluminação, quando ele percebeu que tomando aquele leite, naquele momento, estava também se alimentando da vaca (que o produziu) e também do capim que a vaca comeu e também bebendo a água da chuva que regou o chão para dar vida ao capim. E ele entendeu o Todo que nos envolve, entendeu que cada ser vivo tem sua razão de existência.

Esta Verdade é expressa também pelo Buda Amida, pela Sabedoria Búdica.

Respeitar a Natureza é um compromisso com o futuro, com os nossos filhos, com os nossos netos e bisnetos.

Respeitar a Vida, é o que de mais importante há na nossa Vida, só assim haverá a continuidade da humanidade.  

ESCOLAS BUDISTAS

Ao estudar as Escolar Budistas temos que situar cada uma claramente, porque o Budismo é muito amplo, e foi assumindo novas roupagens, à medida que foi sendo expandido.

Assim vemos, que há os vários ramos do Budismo como: O Zen Budismo, o Shin Budismo, o Tendai, o Nichiren, o Shingon, o Kegon etc.

Podemos chamar de Verdadeiramente Japonesas: a Nichiren e o Shin Budismo, porque todas as outras existentes no Japão, são consideradas nascidas na China.

Dentro do Shin Budismo, vamos encontrar a ramificação JÔDO SHINSHÛ que é a nossa Escola, cuja tradução para o Português é : Verdadeira Escola da Terra Pura. Podemos dizer que, em relação a maioria das ramificações Budistas a nossa Escola manteve-se fiel ao Budismo Puro. O fundador do Jôdo Shinshû, foi o mestre Shinran, que viveu entre os séculos XII e XIII, é tido como descendente de Nobres (mas sem comprovação) sendo porém comprovadamente descendente de Eruditos. A sua prática religiosa ocorreu quando foi exilado no Norte do Japão, (Echigo) e, para onde foi mandado exatamente por tentar difundir o Shin Budismo, que na época, o Governo considerou subversivo, porque trazia ao povo, a liberdade do controle que aquele exercia, para obter lucros.

Com o Shin Budismo, o Mestre Shinran pode mostrar a este povo, que sua vida não dependia (para ser boa) de todas as contribuições que eram feitas, aos monges manipulados pelo Governo para alcançarem a Paz. Quando a maioria das pessoas entendeu isto, modificou-se o panorama político-social do país. E, o mestre Shinran, juntamente com o Mestre Hônen (de quem fora discípulo) e mais alguns seguidores, foram condenados ao Exílio. Este exílio, foi fomentado, principalmente pelas Escolas Antigas, que, descontentes com a queda dos seus prestígios, articularam junto ao Governo, uma maneira de deter o processo de expansão do Shin Budismo: separando os Mestres, enviando-os para regiões opostas do país.

O Budismo então vigente em Kyoto, que combateu o Shin Budismo, não respondia aos anseios do povo: era voltado para a Nobreza, que estudava e tornava-se um pequeno grupo de Monges, que comandava o povo, mas sempre defendendo os interesses do Governo.

Porém, o Mestre Shinran entendera que a experiência religiosa, profunda, NÃO necessitava de estudos acadêmicos, (apesar de que estes estudos completavam e aprofundavam), e, ensinou ao povo, um Caminho Direto, SEM intermediários (os monges), SEM teorias rebuscadas, SEM rituais muitos elaborados. Ele mostrou que, para atingir a experiência religiosa não havia necessidade do afastamento da Sociedade (como era o comum na época), e que havia um caminho de Experiência Direta no Budismo: o Caminho do Nembutsu. É o Budismo do Grande Veículo sendo oferecido ao povo japonês também conhecido por Budismo Mahayana. E a nossa Escola, fundamentada neste Caminho, é um dos mais importantes florescimentos desse Budismo, que não necessita o afastamento da Sociedade para ser vivido: é a Verdadeira Escola da Terra Pura ou Jôdo Shinshû. Mas, não vamos atribuir os Ensinamentos da Terra Pura a esta época e a estes mestres. Em verdade eles originaram-se na Índia. Os textos que os relatam, provavelmente foram escritos cerca de 300 anos após a morte do Buda Sakyamuni. Estes textos, descrevem a “Terra dos Budas”, a “Aspiração do Ir Nascer na Terra Pura”, onde vemos a concretização do objetivo prático do Budismo, ou seja: a concretização dos Ensinamentos dentro de si mesmo, desde que a expressão “Aspiração do Ir Nascer na Terra Pura” traz consigo a Aspiração à Perfeição.

O florescimento pleno dos Ensinamentos da Terra Pura, no Japão, ocorreu no século XIII. E a Verdadeira Escola da Terra Pura, manteve-se fiel aos Ensinamentos originais do Buda Sakyamuni, porque resguardou dois pontos fundamentais por ele ensinados: a Autoconfiança e a Sabedoria do Despertar.

Os Ensinamentos da nossa Escola, culminam numa forma especial de Meditação que é o Nembutsu.

A palavra Nembutsu, vem da expressão Namu Amida Butsu, que significa: “Reverencio o Buda da Vida Imensurável”.

O Namu é uma palavra derivada da usada no cumprimento Indiano, que é Namastê, e no qual pelo contexto social da Índia, juntam-se as mão elevando-as um pouco acima da cintura para mostrar que não porta arma.

O Amida significa, o Infinito, o Sem Medida, e é uma palavra originária do Sânscrito: Amitayus, Amitabha.

O Butsu, significa Buda, ou seja, o Despertar para a Verdade.

A Meditação pelo Namu Amida Butsu é a percepção, do quanto o Ego está vendo a Realidade deformada; é saber que deve deixar a Mente aberta para que a natureza lhe fale. Com o Namu Amida Butsu, despertamos para receber a Vida Infinita.

E, podemos dizer, que ainda hoje, a nossa Escola, a Jôdo Shinshû, como na época em que eclodiu com o Mestre Shinran, e reuniu a massa populosa do Japão, continua sendo dentro do Budismo a ramificação que conta com maior número de adeptos.

Quanto às Outras Escolas, há uma diversidade muito grande dentro do Budismo, porque em cada local onde ele penetrou, fundiu-se com muitas práticas e crenças locais, razão pela qual nem sempre os seguidores de um Escola compreendem a(s) outra(s). E, segundo o Mestre Shuichi Maida “Quando nos colocamos diante do Ensino Búdico, com o objetivo de responder à pergunta: O que é Budismo? ficamos algo perplexos diante de um gigantesco sistema que se desenvolveu através de múltiplas ramificações. Ficamos hesitando sem saber por onde começar a compreende-lo”.

E como vimos o próprio Budismo Japonês é dividido em várias Escolas diferentes, uma das quais é a nossa Jôdo Shinshû. 

EU

O que seria o Eu?

O Eu é o somatório de nossa alimentação, habitação, instrução, educação, enfim, é o que resulta da herança que recebemos dos trabalhos dos nossos antecedentes e de tudo que nos envolve, determinado pelas condições propiciatórias.

A pessoa não encontra a Paz de sentir-se integrado e protegido (pela execução das leis) enquanto não entender, que NÃO EXISTE UM EU SEPARADO DOS OUTROS. Não há condições que propiciem a paz a um Eu isolado. É o princípio da Originação Dependente. Na hora em que compreendemos este Ensinamento, valorizamos cada pessoa e reconhecemos o Não-Eu.  

EXPERIÊNCIA RELIGIOSA

O que seria Experiência Religiosa?

Podemos dizer que para expressar o NAMU AMIDA BUTSU, é necessário viver primeiramente a Experiência Religiosa que é: a compreensão dos fatos, vivenciando-os dentro da Verdade. No Budismo, as Experiências Religiosas fazem parte do cotidiano, isto é, o Budista busca as mensagens do Absoluto em relação ao dia a dia, e busca a harmonização com Este Absoluto.  

FÉ DO VOTO ORIGINAL

Quem pode receber a Fé do Voto Original?

Mesmo uma pessoa que tenha cometido um ato muito ruim, se ela perceber a Realidade da Vida, a Realidade da sua existência, ela pode transformar-se e passar a ter uma vida plena. Alguém que mesmo sem haver cometido um ato ilegal, mas que interiormente seja sombria, vazia, ela não possui vida plena, ela não poder ser considerada uma manifestação da Realidade da Vida. Alguém que transcende os valores sociais, e transforma as vontades egoístas do seu Ego, tem uma vida plena. E se ela consegue tudo isto, é porque recebeu a Fé do Voto Original, ou seja ela crê no Desejo de Amida, ela crê nas Leis Naturais confia na sua execução. Assim sendo, mesmo havendo cometido uma má ação, se ela se conscientiza em seguida do Grande Esquema Causa/Efeito, ela está então percebendo a Realidade da Vida. E baseando-se nisto, ela pode transformar-se. Dizemos então que ela recebeu a Fé do Voto Original.

Então qualquer pessoa Boa ou Má, pode transformar sua Consciência Poluída, perceber corretamente a existência da Realidade, e passar a ter uma Vontade Pura.

Muitas pessoas, a maioria, possui complexos de inferioridade, de culpa, e isto está relacionado com a falta de percepção da correta existência. Sim, porque a Realidade da existência é um Realidade dada com igualdade a todos os seres. Portanto se a correta percepção desta existência for alcançada haverá uma liberação destes complexos, porque todos somos iguais, e esta correta percepção nos leva a uma vida Global.

A verdadeira Fé, transcende o Conhecimento.

A Fé é o ponto fundamental do Shin Budismo.

Existe a Fé ligada à devoções, sentimentos (a pessoa dedica cegamente sua devoção à uma Divindade).

Mas há também como vimos a Fé próxima à Correta Compreensão, à Sabedoria (que tem também muito a ver com a Intuição). Quando falamos nesta Correta Compreensão, Correto Conhecimento, Correta Fé estamos nos referindo à uma Mente Correta, que é o Estado de Espontaneidade mais pleno que a pessoa pode sentir.

É uma fé-força que libera a pessoa dos medos. Por ex: alguém que mata outro, fica de consciência pesada, sentimento de culpa, medo de ser preso e sua vida também se acaba. Ele não vai se liberar disto. Do ponto de vista Budista, porém, isso pode ser encarado como ponto de partida para uma nova vida, ele pode ver que, apesar de ter feito isto, pode reconhecer que errou e modificar-se radicalmente..

A verdadeira Fé portanto, consiste em romper com os apegos, com os modos de pensar aos quais você está preso. Crer no Nembutsu é a Grande Fé.

As pessoas que atingiram a GRANDE FÉ crêem na Natureza, na Física (nas Verdades que estas mostram automaticamente) são as seguidoras da Verdadeira Escola da Terra Pura.

No Tannishô vemos que o Mestre Shinran sentiu-se incapaz de realizar todas as práticas de Auto Poder e sentindo estes limites entregou-se a Fé no Outro Poder, que definiu como sendo a Força Maior que nos rege. 

HÔNEN, MESTRE

Quem foi o Mestre Hônen?

Foi o fundador da Escola Jôdo Shû, cujo pensamento básico está no Tratado chamado: “Senjaku-Hongan-Nembutsu-Shu”, que foi escrito pelo seu seguidor e principal discípulo o Mestre Shinran, e que traduzimos por: “Coletânea Referente à Escolha do Nembutsu do Voto Original.”

O conteúdo dessa obra, explica que eles viveram numa época de grande revolução social e política, quando surgiram os Samurais, os Feudos, e, paralelamente, no Ocidente, a Revolução Religiosa de Lutero.

Até então, no Japão, o Budismo era eclético, com duas grandes Escolas: Tendai e Shingon, que tinham suas raízes vindas da China e da Índia.

Surge então o mestre Hônen, e com ele novas roupagens para este Budismo vigente no Japão, que era um conglomerado de crenças e práticas, contendo o Nembutsu no seu todo. O Mestre Hônen, retira -o deste Budismo Global, e surge um Novo Budismo, baseado no Nembutsu. Mas, o poder político, não aprova esta revolução budista baseada no Nembutsu, porque ela traz a Salvação para o povo oprimido, subjugado pelas distorções que este poder político, havia imprimido ao Tendai e ao Shingon.

Por desmascarar a falsidade que o Governo injetava no Budismo, por dar uma nova visão ao povo, onde a Salvação poderia ser alcançada, Hônen foi perseguido e exilado, para serem preservados os interesses do Governo.  

HINAYANA, BUDISMO

É o Budismo praticado desde os primórdios pelo Monges ascetas, aqueles que isolavam-se da Sociedade e entregavam-se a toda sorte de austeridades, penitências, automortificações, chegando a elevados graus de esgotamento quase morrendo de fome, para extinguirem os desejos egoístas, as paixões humanas, e chegarem ao Conhecimento, à Iluminação.

Este Budismo é também chamado do Portal Sagrado, ou do Pequeno Veículo, ou Monástico ou dos Monges Ascetas.

O Budismo Hinayana tem a Meditação como a prática mais importante. Neste Budismo, só os Monges se iluminam.  

ILUMINAÇÃO

Como começa um processo de Iluminação?

Começa quando há um Questionamento sobre si mesmo, sobre o processo de vida.

Então é feito automaticamente um contato com a Religião (no caso, o Budismo), e a pessoa entra numa fase muito importante de tentativas de Autoconhecimento (conhecimento do Ego).

A seguir vem a fase de contato com o Dharma, o Despertar.

Surgem então as perspectivas de Mudança de Vida, passando-se da perspectiva de vida lógica, objetiva, para uma perspectiva mais subjetiva, de entrega do Esquema Ação/Reação, baseado na Fé trabalhada, na Fé do Voto Original. É uma vida mais interiorizada, com conhecimento da Realidade.

A pessoa que atinge este estágio, que alcançou a Fé trabalhada, já atingiu um determinado grau de Iluminação.

Segundo Gyomay Kubose, a Iluminação é um novo ponto de vista em nossa Vida e no Mundo, é a descoberta de um novo ângulo para vermos as coisas.

É o Satori, abertura dos olhos da Mente.

 

IGUALDADE ABSOLUTA ENTRE OS SERES HUMANOS

Como explicar a Igualdade Absoluta entre os Seres Humanos, pregada pelo Budismo?

O Budismo ensina que há igualdade absoluta entre os seres humanos, e que ninguém deve tentar dominar outro.

Somos iguais PORQUE todos temos uma vida Impermanente : tudo que É agora, já não É igual no próximo momento.

Com a existência da Impermanência, percebemos que somos todos iguais, e estamos entrelaçados, pelo Princípio da Originação Dependente. Ninguém existe isoladamente. Cada Pessoa tem um papel na sua Comunidade. Vemos então que Indivíduo e Comunidade são inseparáveis. Cada indivíduo tem Direitos dentro da Sociedade, ao que o Budismo chama Autonomia do Sujeito.

Mas esta Autonomia não é só do Sujeito, ela tem profundas relações com a Comunidade à qual ele pertence. Por isso, todo Indivíduo tem Responsabilidades com a sua Comunidade. Isto determina Direitos e Deveres Iguais para todos os seres humanos.

Nenhum indivíduo deve tentar dominar outro. Estas responsabilidade se fazem sentir principalmente nos campos da Ecologia, Educação e Alimentação. Enquanto não percebermos nossa Responsabilidade dentro da Comunidade não vamos transcender o Egoísmo.

Por outro lado, à medida que nos percebemos como uma unidade da Comunidade, e com determinada função dentro da mesma, entendemos que este nosso Relacionamento, nos ajuda a obter a transcendência do Egoísmo, nos ajuda a transformar o Ego no Eu, despertando-nos para a conscientização da Interdependência existente: na Vida, as coisas não acontecem apenas de acordo com a Autonomia do Sujeito, as Condições Propiciatórias existentes na Comunidade vão influir nos acontecimentos desta Vida. Portanto tudo está inter relacionado, estamos entrelaçados, somos todos iguais.  

IMPERMANÊNCIA

É o princípio Budista que nos ensina que nascer, crescer, envelhecer e morrer é o processo natural da vida. Nenhum ser é permanente.

E, apesar de não querermos envelhecer, adoecer e morrer este é um processo natural, é a atividade da lei se manifestando em nós, independente da nossa vontade. É triste adoecer, envelhecer e morrer mas temos que experienciar isto. É a Realidade, implacável, e temos que aceitar, transformando esta Realidade que continua a existir, mas deixa de ser um obstáculo, quando passamos a viver a Vida, genuinamente. Nós passamos a valorizar mais a vida, principalmente por ser uma vida que vai se acabar. Temos que, por isso, dar mais importância a ela. A experiência de estar doente, ou, para morrer é triste, dolorosa, mas, passando por ela a pessoa vai sempre valorizar mais a vida. Os obstáculos deixam de ser obstáculos, quando nos conscientizamos da Impermanência. Eles passam a ser experiências, que nos levam a valorizar o Aqui e Agora.

Segundo o Princípio da Impermanência, tudo muda a cada instante, tudo está em fluxo. Mas as Ilusões não nos deixam perceber esta impermanência e criam os Apegos que geram os Sofrimentos. O apego a algum fato que ficou no passado e já mudou, gera sofrimento. O Auto Controle nos ajuda a extinguir estas Ilusões. Devemos nos conscientizar da transitoriedade da Vida, evitando os apegos.

Mas não adianta abafar, devemos transformá-los. 

INTRODUÇÃO DO BUDISMO NO JAPÃO

Como o Budismo adentrou o Japão, e propagou-se às massas populares?

O Budismo entrou no Japão em 538 d.C.

A Coréia era já dividida em Norte e Sul como hoje. E, o Rei do Norte, presenteou o Imperador do Japão com Sutras Budistas, dando uma conotação de que este presente era um tesouro, e isto, porque, ali na Coréia o Budismo era respeitado como uma Grande Filosofia. Nesta Época havia no Japão dois partidos políticos: um Nobre, poderoso, liderado pela família Soga, que era favorável à Introdução do Budismo, desejando também receber a Indústria Artesanal, e o Comércio Exterior; o outro partido era Militar e ligado ao Xintoísmo e contra o Budismo e o Comércio Exterior. Como nesta época houve um epidemia de cólera no Japão, o partido Militar aproveitou para divulgar nas massas populares, que a epidemia fora trazida pelos Deuses estrangeiros. E um grupo rebelde entrou no Palácio Imperial, roubando os Sutras para em seguida jogá-los ao mar. E assim, o povo japonês entendeu o Budismo como sendo algo ruim para eles.

Surge então um importante personagem que entende corretamente o Budismo: O Príncipe Shôtoku (574-622). Foi ele um grande político, conseguindo unificar o Japão como uma Nação. Foi por volta do ano 600 e sob a regência deste Príncipe Shôtoku, que entraram no Japão: As leis da China, outra vez o Budismo, o Taoísmo, a Escrita Chinesa, a Arquitetura, a Cerâmica, a Tecelagem e ainda a Tecnologia avançada da época (metalurgia e textos impressos).

E foi junto com toda esta importação Cultural, que os Sutras voltaram ao Japão.

O Príncipe Shôtoku foi grande estudioso do Budismo, e pode-se dizer, que isso muito influiu, quando ele, expressando os seus pensamentos, emitiu a Primeira Constituição Japonesa.

Vemos assim, que em verdade, foi através do Príncipe Shôtoku que o Budismo entrou no Japão. E ele, estudou-o buscando a Verdade, não com o intuito de manipular ideologicamente o seu povo. E o Mestre Shinran que a ele dedicou um profundo respeito, chamou-o de “O Sakyamuni do Japão”.

E apesar desta Constituição haver sido influenciada pelo Budismo Puro que o Príncipe Shôtoku assimilara, com o tempo, ela foi utilizada, como um forma de domar o povo, e isto porque o Budismo foi perdendo o seu verdadeiro papel de busca das Verdades, tornando-se Instrumento do Estado, situação que perdurou até o aparecimento dos Mestres Hônen e Shinran, em torno do ano 1200 d.C. 

MENSAGEM MAIOR DO BUDISMO

Qual a Grande Mensagem Budista?

É a aceitação e total entrega às Leis Naturais, à realização dessas forças, contra as quais não podemos lutar por serem Absolutas, muito embora algumas transcendam a nossa capacidade de entendimento.

Isto entendido, está entendida a Grande Mensagem Budista. Brota então deste coração a vontade de Recitar o Nembutsu, como uma Reverência a este Todo, a este Absoluto, a este Real, e significa que ele já encontrou a Paz, a Salvação e não mais mergulhará no desespero que atinge o homem comum.  

MAHAYANA, BUDISMO

É o Budismo que surgiu como contestação ao Hinayana (ou Budismo Monástico). É o Budismo que evita os extremos da Vida (Prazeres Egoístas de um lado e Ascetismo de Outro). Ele ensina que há um caminho do meio entre esses dois extremos, que deve ser seguido. O seu seguidor valoriza a família e a comunidade tendo inclusive como Grande Meta, transmitir os Conhecimentos adquiridos à família e à sua comunidade.

E como nada sacrifica, vive uma vida natural, é portador de muitos discípulos, e por isso também chamado do Grande Veículo. Tem suas raízes, na experiência de iluminação do Buda Sakyamuni, quando ele compreendeu que tanto os prazeres egoístas como o ascetismo perturbam a Mente, e que o equilíbrio do Meio leva à paz.  

MORTE

O Budismo, não é uma Religião que dedica-se exclusivamente à veneração das pessoas falecidas, como à primeira vista parece (principalmente para os japoneses e seus descendentes que não buscam o aprofundamento na Doutrina). É um Ensinamento para os Vivos. A prática normal da Realização de ritos Fúnebres, é tradicional, cultural, do Japão, trazida por vários séculos. Mas tem que ficar bem claro, que para nós, isto são apenas meios temporários utilizados para difundir o Dharma entre os participantes dos Ritos.

O objetivo maior destes Ritos Fúnebres na nossa Escola, é Despertar os, Vivos ali presentes. Este Culto, que no Japão é chamado “Culto aos Mortos ” é tão difundido, que os Japoneses, hoje, muito ocupados com isto, estão esquecendo os Ensinamentos para os vivos. E, o Budismo da Nossa Escola, é um Ensinamento, para a Vida que estamos vivendo Aqui e Agora, não se pré-ocupando com a Vida Pós-Morte, porque há muito o que resolver Aqui e Agora, para chegar-se a Paz nesta vida.  

MACRO E MICROCOSMOS

O homem e o mundo são semelhantes. A verdade que encontramos no homem, encontramos no Universo. Assim sendo, o Verdadeiro Eu que deixou de ser Ego (homem) é o próprio Universo Absoluto Impessoal. O homem (Micro) é a fração do Todo (Macro), com as mesmas características.  

MEDITAÇÃO

Na Nossa Escola Jôdo Shinshû, os Ensinamentos culminam numa forma especial de Meditação que é o Nembutsu.

A Meditação pelo Nembutsu consiste na percepção do quanto o Ego está vendo a Realidade deformada e saber que deve deixar a Mente aberta para que a Natureza lhe fale.  

NEMBUTSU OU NAMU AMIDA BUTSU

Que é o Nembutsu?

Segundo o Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves no livro “Textos Budistas e Zen Budistas”, a palavra Nembutsu, “Exprime a recitação da frase Namu Amida Butsu, que expressa o ato de entrega ou refúgio incondicional do praticante, em Amida ou no Absoluto. É a resposta do homem ao chamado do Absoluto, que apela para que ele desperte para a Real. Ela pode ser traduzida por: “ Reverencio o Buda da Vida Imensurável. ”

É uma palavra-símbolo que expressa a Verdade Absoluta.

Chamaremos de Doutrina do Nembutsu, ao conjunto de Ensinamento Budistas, que leva à expansão da Mente, na qual o Eu se entrega ao Absoluto, aceitando as Leis Naturais sem contestação, por saber que elas são imutáveis. Com isto, a mente rompe suas limitações (preconceitos, descriminações), recebendo a Sabedoria do Absoluto, de Tathagata. No Jôdo Shinshû, a Reverência ao Absoluto é feita com a recitação da frase Namu Amida Butsu, que traz no seu contexto, esta abertura da mente, esta Entrega ao Absoluto.

O caminho do Nembutsu, propicia a Sabedoria às pessoas, independente delas serem pobres, ou sem instrução, etc., enquanto há outras Religiões, que não oferecem o Ensinamento, limitando-se a imprimir um cunho de Castigo ao que a pessoa faz de errado (pecado). No Budismo do Nembutsu, NÃO SE CONDENA, tenta-se transmitir o Ensinamento, para que a pessoa desperte para a Realidade e Transforme a Vida. As novas Religiões, que tem surgido nos últimos tempos, aproveitam a insegurança espiritual na qual a humanidade encontra-se mergulhada, para colocarem-se em evidencia, oferecendo soluções para os problemas que afligem as pessoas. Mas, se estas pessoas raciocinam, elas logo percebem, que tudo que estas Religiões oferecem, é Ilusão.

Mas, Modernamente, estas Religiões crescem aumentando o Vazio da Humanidade. O Caminho do Nembutsu porém, leva à Sabedoria, e não ao Vazio, não ao caos da decepção de não encontrar o que foi prometido (cura às doenças, muito dinheiro, felicidade, etc.) Não é graças a Recitação das palavras Namu Amida Butsu, que vamos nos Iluminar, mas graças a conscientização de que estamos presos às Paixões, e que para transformá-las e alcançarmos a Paz, temos que Ouvir o Dharma, ou seja ouvir a Vontade Original, a Verdade. Após esta Prática que é muito importante no Caminho do Nembutsu, temos que Viver o Dharma, e por fim Transmitir o Dharma, pois a recitação do Namu Amida Butsu, é resultado de todo este Processo.

Ao mesmo tempo quando recitamos o Namu Amida Butsu repetidamente, o subconsciente recebe isto, associado ao “Conceito da Subconsciência Coletiva” ou “Pertinência ao Grande Todo”. E, isto atua em você. e integra-o cada vez mais ao Grande Todo, às leis Naturais, à Pureza dos Princípios Imutáveis.

Portanto ele não é apenas Verbalização do Nome. É tudo que passa a fazer parte da Nossa Vida, do Nosso Núcleo.

Mas ainda dizemos, que não é preciso recitar o Nembutsu repetidamente, porque passando pelo processo de Ouvir, Viver e Transmitir o Dharma, ele já está sendo vivido por nós a cada instante: a própria vivência dos nossos atos já o estão recitando, e isto porque1 “O Verdadeiro Nembutsu é uma manifestação do Verdadeiro Eu, que ocorre quando o Ego se dissolve”. (Se portanto vivenciamos atos em harmonia com o Dharma estamos manifestando o Verdadeiro Eu, o Verdadeiro Nembutsu).

Isto porque, ele é uma atividade, presente no nosso dia a dia, que nos transforma constantemente, alertando-nos para a percepção da Realidade.

O Nembutsu é afastamento do Ego, é libertação dos apegos, é avanço da Mente para o Global. 

NIRVANA

Que é o Nirvana?

Em seu último Sermão, o Buda Sakyamuni disse aos Monges Ouvintes:

– “Ó Monges, aquele que tem muitos desejos, busca muitas vantagens e por isso tem muitos sofrimentos. Aquele que tem poucos desejos nada busca e por isso não tem preocupação. Por isso aquele que tem poucos desejos, alcança o Nirvana (Iluminação)”.

O Nirvana é a Luz, que toma a forma de Namu Amida Butsu e que nos está sendo doado na forma de palavras.

O Nirvana enfim é a Esfera do Real. 

POSTURA BUDISTA

Qual a Postura, a Forma de Proceder da pessoa integrada no Caminho Budista?

Em primeiro lugar, devemos estabelecer, que a pessoa ao refletir sobre uma possível postura Budista, tem que ter passado por um QUESTIONAMENTO em relação à si mesma, submetendo-se a uma AUTO-CRÍTICA. Assim sendo ela vai perceber que o homem comum perdeu o Modo Original de Vida, a Maneira Pura de Viver.

Percebendo isto, a pessoa vai estabelecer como meta muito importante na sua vida, O RESGATE DESTA PUREZA OU ORIGINALIDADE DA VIDA.

Esta pessoa continuará percebendo que esta perda na humanidade atual, é devida aos Anseios (paixões para o Budismo) que tornaram as pessoas imediatistas, isto é, elas buscam apenas o prazer imediato, refutando o questionamento.

Assim vive o Homem Moderno: apenas lutando pelo prazer de acumular tudo que é produzido pela sociedade de consumo, sem querer PARAR para se requestionar.

ASSIM VIVE O HOMEM IGNORANTE: sem saber, que uma pausa, um questionamento, uma autocrítica, e o resgate da pureza de princípios, ou da originalidade da vida, vão trazer-lhe a Paz que ninguém rouba.

Se retomarmos a Originalidade da Vida, conseguiremos viver genuinamente, verdadeiramente, e isto significa em linguagem búdica: viver na Terra Pura, que podemos concluir, só é alcançada por quem estiver preparado.

A Verdadeira Postura Budista é então: escapar da condição de ignorante, buscando a Originalidade da Vida, através do despertar para as Leis Cósmicas.

Vemos assim, que a MENTE é um fator muito importante neste esquema. Dizemos até, que segundo o Budismo, é na mente que está a solução da Iluminação, não é acreditando num Deus que está nos céus (fé cega) nem tampouco desacreditando e caindo no Materialismo.

O Budismo, portanto, afirma que, a Mente é a Grande determinadora do nosso processo em busca da Originalidade da Vida, e também da nossa condição de não ignorante.

A pessoa integrada na postura budista, vai automaticamente viver dentro de 5 importantes preceitos (para saber onde terminam os seus direitos e começam os dos outros seres viventes):

1º) Não Matar

2º) Não Roubar

3º) Não Mentir

4º) Não Cometer Adultério

5º) Não Tomar Tóxicos.  

POSIÇÃO DO BUDISMO FRENTE AO MUNDO MODERNO

A Objetividade é um fato do Mundo Moderno.

Estamos correndo o risco de sermos engolidos por este mundo objetivo. Em outras palavras: somos escravos da Tecnologia, e isto embota o nosso lado subjetivo, espiritual, não nos deixando perceber o verdadeiro sentido de ter nascido. O ser humano, parte, surge, de dentro de uma Natureza COM LEIS. E a verdadeira essência do ser, do sujeito, surge apenas quando este toma conhecimento e aceita o Caminho das Leis.

No Mundo Moderno porém, este Sujeito, está sufocado pela Tecnologia que redunda na busca alucinada da tríade:

DINHEIRO - SAÚDE - SORTE

Estas são as buscas alucinadas do homem moderno.

E tudo isto é oferecido pelas Religiões Ocidentais (principalmente as mais novas) dirigidas as classes sociais mais baixas. Mas, como falamos, é oferecido, mas não é facilmente alcançada como apregoam. Este trio dinheiro - saúde - sorte representa a segurança para o homem ignorante, significa a Paz. Mas, isso pode ser roubado quando encontrado, se encontrado, pois a Verdadeira Paz, é mais segura e irreversivelmente encontrada, a partir de uma Mente Pura e Sincera, que se enquadra no retorno às Origens, ao Natural. O Esquema Budista de Valorizar o lado espiritual, com o desapego ao Ego, vai manifestar o verdadeiro sujeito. Só o apego ao Ego, faz alguém sentir-se uma grande personalidade, porque em verdade, temos que nos sentir como parte do Todo.

ISTO É O ENCONTRO COM TATHAGATA, abandonando o Ego. É uma mudança radical e irreversível, que tem suas raízes nas Leis Naturais.  

PAZ PROFUNDA

Como conseguimos transcender o nosso Ego (os nossos planejamentos), e encontrar a Paz Profunda?

a) Nos conscientizando de que somos parte de um Todo e assumindo nossa fração de responsabilidade para com este Todo.

b) Buscando viver nossa vida, identificando as leis e as condições propiciatórias nela implícitas, mesmo que estejam em desacordo com o nosso planejamento, pois a Sabedoria do Tathagata, nos mostra que lutar conta o que independe da nossa vontade, só gera Sofrimento, e a cooperação com o que é imutável, é a fonte da Paz.

PAIXÕES

Que seriam as Paixões Humanas?

Seriam os defeitos característicos dos Seres Humanos, aos quais estamos sujeitos independente de querermos ou não. São elas que fazem aflorar o Egoísmo inerente ao homem.

Foi por conscientizar-se de que não adiantava tentar eliminar as paixões, (porque isto é impossível), que o Buda Sakyamuni, quis abandonar seus companheiros ascetas, e tentar buscar a Iluminação de outra forma.

E é aqui que vamos encontrar as sementes da Doutrina do Nembutsu, que não condena o afloramento das paixões apenas tenta transmitir o Ensinamento, para que a pessoa desperte para a Realidade, e transforme sua Vida. Consideramos que são 108 as paixões humanas, que por serem de difícil eliminação, tentando transformá-las já estamos na Senda das Virtudes.  

QUESTIONAMENTO (DA VIDA)

O questionamento é fundamental para se começar a procurar o Caminho da Verdade. A partir disto, é que conseguimos perante a Realidade da Vida (tristezas, dores, sofrimentos) procurar este caminho. Então, perante a Vida Real, questionamos, sentimos o Vazio gerado pela Ignorância, e surge o desejo de superar isto. Este anseio vem da base, do alicerce da vida. É no desejo de realizar este anseio, que surge a busca do caminho da Verdade (para nós o Caminho Búdico).

E para enveredar neste Caminho, o ponto de partida é o autoquestionamento, que processualmente levará ao Autoconhecimento.  

SALVAÇÃO

A melhor definição para a palavra Salvação dentro do Budismo seria: O encontro com a Paz.

Aceitando-se o Imutável, o Absoluto, as leis Naturais, automaticamente se encontra a Paz.

E isso é o que chamamos Salvação. Difere do Conceito Ocidental (Cristão por ser esta a Religião da maioria) no qual a Salvação tem a conotação da conquista de um bom lugar, de algum pedaço de céu após a morte (Céu é o lugar para onde se dirigem os espíritos das pessoas falecidas desejosos de encontrarem seus familiares também falecidos e ali viverem juntos para sempre).

No Budismo, a Salvação é alcançada Aqui e Agora, pela certeza da execução das leis, que nos tornam confiantes no futuro (que será então o resultado do hoje, do Aqui e Agora, vivido plenamente sem omissões e sem más ações).  

SAGRADO

 O que é Sagrado para o Budismo?

Para o Budismo, o homem se manifesta no Espaço cósmico como um onda dentro do mar, isto é, o homem existe, dentro da Sabedoria Cósmica que o rege.

Por ex: o meu coração bate sem cessar, mesmo quando me desligo. É lei Cósmica, é a Sabedoria Cósmica Atuando. Estamos imersos neste Sabedoria da mesma maneira como a onda está no mar.

Assim, como a força do mar impulsiona a onda, a Sabedoria Cósmica impulsiona a Vida.

O Sagrado para o Budismo portanto é a Sabedoria Cósmica que é Impessoal, e revela-se em tudo e em todos. E é Eterna porque não temos provas concretas de sua Origem.

Não usamos a palavra Deus (que é o Sagrado para o Cristão) porque esta palavra traz consigo a conotação de pessoa, de individualidade de personificação.

Se para o Cristão, Deus é a Verdade Suprema, se ele personifica este Deus, ou se situa-o no Paraíso Celeste, para o Budista, a Verdade Suprema é a Sabedoria Cósmica, implícita em Tudo, em Todas as Leis que regem a Natureza. Mas, o Budista não personifica esta Sabedoria, tampouco a situa no espaço cósmico. Ela é o Todo.

E como podemos adquirir, ou seja, conhecermos esta Sabedoria, para melhor vivermos?

Esta Sabedoria que nos leva ao caminho búdico a uma nova forma de vida, para ser adquirida depende de 3 itens:

- Ouvir os Ensinamentos

- Pensar nos Ensinamentos

- Praticar os Ensinamentos, que são os mensageiros da Sabedoria, do Sagrado.  

SATISFAÇÃO COLETIVA

 Como o Budismo leva à Satisfação Coletiva?

Aqui, o Ego Individual, assume a postura de um Ego Coletivo Universal.

A libertação, ou Salvação da Humanidade vai estendendo-se a todas as formas de vida.

A pessoa que consegue Despertar com este desprendimento, ou seja, com o desprendimento de tudo transferir a todas as formas de vida, percebendo que o mundo é para todos e ninguém deve escravizar outrem, esta pessoa é um Bodhisattva.

O Buda Sakyamuni teve este despertar universal e por isso a sua vida continua presente até hoje na humanidade, através dos seus Ensinamentos.  

SIGNIFICADO DA VIDA

 Qual o Grande significado da vida, qual o objetivo da Sabedoria Cósmica ao determinar o nosso, nascimento?

É o compromisso que temos de transmitir a Sabedoria ao futuro, aos nossos descendentes.

Devemos nos considerar, elos de uma corrente, tendo atrás de nós os nossos antepassados, que nos legaram o que eles apreenderam da Sabedoria Cósmica, para que tivéssemos condições propiciatórias para uma vida melhor. A nossa frente virão os nossos descendentes, pelos quais devemos nos esforçar, para que a qualidade de vida, seja cada vez melhor.

Devemos pensar que a nossa vida pós morte, está aqui no presente, é hoje, é agora que a estamos determinado. É agora que podemos contribuir para a Salvação dos nossos descendentes.

A Vida, deve ser encarada, como um legado à posteridade, através da Transmissão dos Ensinamentos.

Devemos corrigir os erros do Passado, Agora no presente, e o Futuro melhor, já estará nascendo.

Tentando passar os Ensinamentos à partir do momento presente, estamos assumindo a postura de Bodhisattvas.  

SOFRIMENTO

 Que é o sofrimento?

É o estado mental causado pelas paixões desenfreadas (desejo de ir contra a Vontade Original, as leis Naturais) que originam o apego baseado na ignorância, no desconhecimento das leis.

O Sofrimento surge, porque fundamentalmente, não sabemos o significado de nossa própria existência, nem o significado do Cosmos, e queremos ser como nos agrada: ricos, bonitos, saudáveis, felizes, pertencentes a uma “raça pura” etc., etc. E como não é possível sermos como queremos surgem os Sofrimentos.

Estes apegos que geram os Sofrimentos, são atividades da Mente. Devemos procurar suas causas na própria mente, isto é, dentro de nós mesmos, pois encontrando-as podemos transformá-las, eliminando os Sofrimento. É objetivo do Budismo transformar o Estado Mental de Apego (Sofrimento) para o Estado Mental de Desapego (Paz Interior).  

SHINRAN, MESTRE

 Quem foi o Mestre Shinran?

Foi o principal discípulo do Mestre Hônen, que foi por este honrado, recebendo a permissão de copiar o “Tratado-Coletânea Referente à Escolha do Nembutsu do Voto Original”, em 1198. Com isso, ele estava sendo reconhecido como sucessor de Hônen.

Este tratado, escrito em 16 capítulos, traz várias opções onde vai-se descartando umas e ficando com outras, numa série de alternativas possíveis, até chegar a Recitação do Nembutsu, por um Método Lógico de Opções.

É pressuposto que o Budismo já foi escolhido entre as outras Religiões.

Vem à seguir, a escolha entre: o Caminho Sagrado (vida monástica Hinayana) ou Caminho da Terra Pura (Vida Comum, Mahayana).

É escolhido o Caminho da Terra Pura, e isto porque a Humanidade está passando por uma fase de decadência, cujas faculdades mentais estão embotadas pela corrupção, não sendo viável o Caminho Sagrado (que ficou restrito a pouquíssimas pessoas) porque este exige um esforço pessoal muito grande inclusive com o abandono da Sociedade na qual se vive. Hoje, a corrupção mental não permite ao homem, realizar-se como antigamente, apenas alguns de caráter muito elevado o conseguem. Por isso foi feito no tratado, a escolha do Caminho da Terra Pura.

A seguir, outra escolha feita, foi entre os textos Budistas, e a escolha recaiu no Tratado da Terra Pura, que possuía os requisitos necessários à criação de uma Escola Independente.

Outra escolha: qual a Linhagem Patriárquica dentro da Tradição da Terra Pura a ser escolhida. Foi escolhida a de Tao Chao.

Todo este processo de escolha do Caminho a ser seguido, foi reunido num livro chamado Tannishô (que é o objeto do nosso estudo) que traz no seu conteúdo a essência da nossa Escola Jôdo Shinshû, e que, como vimos, surgiu do aprofundamento de tudo que Hônen nos legou através de Shinran.

Shinran, como principal discípulo do Mestre Hônen, (como este também) foi exilado (para o Norte do Japão) onde desenvolveu e começou a aplicar os ensinamentos do seu Mestre nascendo assim a “Verdadeira Escola da Terra Pura ou Jôdo Shinshû ”que visa a eliminação do Sofrimento através do Nembutsu.

Após 5 anos de exílio em Echigo (e foi aqui que ele casou) o Mestre Shinran foi absolvido e resolveu ir para a Região do Kantô onde ficou por 20 anos e fez muitos discípulos. Em, seguida, ele passou a residir em Kyoto onde acabou de escrever sua obra, o Tannishô, provando a veracidade dos Ensinamentos do Mestre Hônen, sobre os quais na época incidiram muitas dúvidas, e perseguições, que os levaram ao exílio.  

SER HUMANO

 O que é o Ser Humano?

É aquele ser vivente, que tem uma maneira especial de Realizar sua Natureza Búdica, porque ele pode romper com a Ignorância, pode chegar ao Auto Conhecimento, e, ao invés de buscar o Prazer, ele busca a Verdadeira Alegria de Viver. Ao invés de satisfazer as Paixões Humanas (como arrogância, vaidade, gula, que levam a um prazer, uma gratificação egoística, pela auto afirmação que trazem consigo) ele busca a Verdadeira Felicidade de Viver, à partir da harmonização com a Vontade Original. Para Buda Amida, somos seres carregados de paixões, das quais é difícil conseguir libertação. Por isso ele nos envolve com o Voto Original. Mas as Paixões Humanas, não permitem que o nosso coração sinta vontade de alcançar a Terra Pura, o mais rapidamente possível. As paixões nos prendem e inquietam, não deixando florescer em nós a vontade de abandonar a Terra Impura (dos Sofrimentos). Quando porém, apesar do apego às condições humanas, conseguirmos desfazer estes laços de condicionamento que nos prendem irremediavelmente, a Luz (maior que a do Sol e a da Lua) será por nós enxergada, e o “nosso barco” que antes estava sem rumo, vagando nas águas da Terra Impura, nas águas das Inverdades, das Ilusões, das Paixões etc. atravessará conosco as águas agitadas, (que estão sempre trazendo sofrimento), rumo à Terra Pura.  

SUTRAS

 O que são os Sutras?

São os Discursos Doutrinários atribuídos ao Buda Sakyamuni, ao Buda Histórico. Sendo assim os Sutras designam, determinado tipo de Texto Sagrado, sendo um gênero literário com forma própria, pela qual são reconhecidos. A forma dos Sutras é a mesma de uma Notícia de Jornal dando ao leitor as informações de onde, quando, quem e o que foi feito.

Há Sutras Simples, apenas narrados, como há os dialogados, onde o Buda responde perguntas dos discípulos. No final, vem a conclusão.

Então nem todos os textos sagrados são Sutras, (há poemas, parábolas, etc.) mas são eles os mais utilizados na divulgação do Dharma.

A Essência dos Ensinamentos do Shin Budismo, é baseada nos três Sutras da Terra Pura:

- Sutra de Amida ou Pequeno Sutra

- Sutra da Vida Imensurável ou Grande Sutra

- Sutra da Contemplação 

SHÔTOKU, PRÍNCIPE (JAPONÊS)

 O Príncipe Shôtoku, foi um grande político japonês que viveu de 574 a 622.

Foi durante o seu Governo que entraram no Japão: as Leis Chinesas, o Budismo o Taoísmo a Escrita Chinesa, a Arquitetura, a Cerâmica, a Tecelagem, e ainda a Tecnologia avançada da época (Metalurgia e Textos Impressos). e junto com toda esta importação cultural, os Sutras que haviam sido roubados do Palácio Imperial e jogados ao mar, retornam ao Japão.

Foi durante o seu governo que criou-se uma Estrutura Burocrática no Japão, com prestação de serviços, funcionários públicos estatais (sendo copiado na China) preparação de elementos, para pontos chaves na Administração do país, etc. Nesta época foram enviadas muitos pessoas a China, para estudarem o Modelo da Sua Cultura.

Foi ainda durante o seu governo, que foram construídos muitos templos, visto que foram muitos os japoneses que foram a China, estudar especialmente o Budismo. Como vemos, o Príncipe Shôtoku tomou medidas que aceleraram o processo evolutivo do Japão, e de Introdução do Budismo, ali.

A Primeira Constituição Japonesa, foi por ele elaborada, recebeu influência profunda do Budismo, e é considerada Texto Sagrado para o Shin Budismo, isto, porque o mestre Shinran tinha uma devoção especial por Shôtoku, considerando-o o “Precursor de Shin Budismo no Japão” e também, o “Sakyamuni do Japão” 

O SILÊNCIO

Há uma grande valorização do Silêncio na vida espiritual, buscando alguma coisa que não se revela em palavras, mas sim na ausência das mesmas. O ato de isolamento da Sociedade, retirando-se para as montanhas ou para o deserto, é para vivenciar o silêncio e obter a evolução.

As formas mais profundas de Espiritualidade, nasceram entre os Essênios que viveram no Mar Morto e foram considerados na época em que existiram modelo de Sabedoria, Foi no seio deste povo que nasceu Jesus Cristo. Eles viviam em cavernas buscando o silêncio.

Nas Artes Orientais é importante o papel do silêncio e da Imobilidade, como no Teatro, no qual há momentos em que Tudo pára, e estes momentos são até mais importante na estrutura da peça do que os de movimento.  

TERRA PURA

O que significa esta expressão Terra Pura?

Seria a verbalização do estado de compreensão das origens e, da necessidade de preservação da vida.

Seria a integração total com a Natureza.

A expressão Terra Pura vem da vontade de integração à Pureza (que existe na Natureza) de integração as leis, de preservação da vida.

É a volta à pureza dos princípios imutáveis que chamamos de Terra Pura. É um estado mental de compreensão, e retomada das originalidades do ser vivo, é a volta ao estado de ausência de influencia das Paixões, das Descriminações.

Foi baseada neste retorno às Leis Naturais, que nasceu a nossa Escola: A Verdadeira Escola da Terra Pura (Jôdo Shinshû).

Os 3 Estados de Espírito necessários ao “Ir Nascer na Terra Pura” são:

1 - coração puro

2 - coração sincero

3 - profunda vontade de renascer espiritualmente.

O “Ir Nascer na Terra Pura” é a expressão usada para definir o processo mental de integração às leis, indo em direção à Paz. É transcender a Parte Lógica e viver de bem com a Natureza, o que torna-se difícil diante da Modernidade.

A Terra Pura, é o Mundo do Nirvana e da Bem-Aventurança, isento das sensações do Ego, sem interferência dos Pensamentos. É a Sabedoria Búdica de Amida, ou Ausência das Ilusões. Na Terra Pura as Paixões não tem espaço.  

TEXTOS SAGRADOS DA VERDADEIRA ESCOLA DA TERRA PURA

Os Textos Sagrados nos quais fundamenta-se a Nossa Escola são: O Sutra da Vida Imensurável, o Sutra da Contemplação, o Sutra da Amida, e, o Tratado sobre a Terra Pura.  

TATHAGATA

Quando o Mestre Shinran encontrou o Mestre Hônen, o primeiro falou que Buda Amida estava vindo até ele, através dos Ensinamentos recebidos.

Esta atuação de Buda Amida, que nos leva ao Ir nascer na Terra Pura, é o que chamamos de Tathagata.

Todos os seres tem a capacidade de receber Tathagata, mas nem todos o recebem.

E somente os que o recebem no seu coração, estão imersos na Verdade. Os que não o encontram, continuam presos ao Ego.

Tathagata é o Outro Poder, que quando nos envolve, nos faz despertar, para o Caminho Búdico, para o Ir Nascer, para a Conscientização do nosso papel na incontável sucessão de gerações e nascimentos.

E com isto chegamos a Paz.

Tathagata desperta em nós, a Responsabilidade que temos, em relação a tudo que nos cerca.  

TRANSFERÊNCIA DE MÉRITOS

As pessoas acham que a recitação do Nembutsu tem o seu valor a partir do próprio esforço em recitá-lo. Acham que ela tem o Poder de Beneficiar Parentes Falecidos. Acham que recitando-o, acumulam-se méritos, benefícios, que podem ser transferidos a estes falecidos. Por isso, é mantida até hoje a tradição originária da Índia, de que o espírito do falecido recebe Méritos, Benefícios, nos ritos fúnebres. No entanto, a única Transferência de Méritos possível é a de Buda Amida para nós. A transferência de Méritos é aquele desejo de Amida, de que vivamos de acordo com as Leis Naturais, e assim sendo, alcancemos a Paz.  

VONTADE ORIGINAL

O que seria a Vontade Original?

A Vontade Original é uma voz interior, à qual devemos ficar atentos, e que está sempre tentando dizer-nos “Volte as suas origens, volte a Vida Primordial, volte a Natureza”.

No entanto só vamos ouvir este chamado interior quando jogarmos fora nossos pensamentos de Auto Poder. Enquanto pensarmos que a vida acontece de acordo com a nossa vontade, que temos o Poder Próprio para mudar a Vontade Original de Amida, que somos auto suficientes e independentes, vamos sofrer. E isto, porque estamos sujeitos tanto à Lei da Impermanência, como à de Originação Dependente, como à das Condições Propiciatórias. Estamos incondicionalmente imersos nas Leis que atuam independendo das nossas vontades (inclusive enquanto dormimos) nas nossas vidas (que são formas de manifestação destas leis). E, entregando-nos à Vida, aceitando os obstáculos como a velhice e as doenças sem revolta, tentando transforma-los em fonte de estímulo para viver intensamente o Aqui e Agora estamos entregando-nos a Vontade Original, à Sabedoria Cósmica.

A Vontade Original é também chamada de Voto Original, ou Vontade Primordial, e constitui a Essência da Compaixão de Amida.  

VERDADE BÚDICA

O que é a Verdade Búdica?

É a Realidade implícita no nosso dia a dia.

É a Realidade da Vida, que está presente em tudo que nos cerca. É a Verdade das Leis.

Conhecer a Verdade Búdica não é conhecer algo mostrado pela Mente, pelo Ego, não é conhecimento adquirido pela percepção egocêntrica (porque todas as percepções adquiridas pelo Ego são manchadas pelas nossas conveniências pessoais). Conhecer esta Verdade é agir à partir do Dharma, à partir do Auto Conhecimento, à partir do Eu, à partir da Voz Interior que nos impulsiona de volta as nossas origens. É ser Buda.

A Verdade Búdica transcende o Egoísmo Humano que carrega consigo as conveniências pessoais, pois na nossa percepção cotidiana, o que achamos Real, está submetido às nossas conveniências. Buda é aquele que despertou para este fato e o transcendeu, ou seja, o tornar-se Buda, o Despertar, é a transformação do Ego no Eu. É entender que a Vida é a expressão da Verdade das Leis, e que todos os seres originam-se e estão submissos a esta Verdade, quer queiram quer não.


 1. Nota do Prof. Ricardo Mário Gonçalves no Livro “Textos Budistas e Zen Budistas”, pag. 68.


Templo Budista Apucarana Nambei Honganji
Travessa Dorizon, s/n
86802-265 — Apucarana — Paraná
Telefone/Fax:
(0xx43) 3423-0315
Monge Responsável:
Rev. Wagner Bronzeri (Sh. Haku-Shin)
E-mail: honganji@dharmanet.com.br

Voltar para a página anterior