Um
Apocalipse Budista Sino-Indiano do Século IV:
O Fa-Mieh-Chin-Ching (Sutra da Extinção da Lei)
Ricardo
Mário Gonçalves
Instrutor da Cadeira de História da Civilização Antiga e Medieval da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo
(USP)
Comunicações. I. História Geral
Sociedade Brasileira de Pesquisa Histórica (SBPH). Anais da VII Reunião
São Paulo. 1988
1. Introdução
O texto budista chinês,
cuja tradução, feita diretamente do chinês clássico, agora apresentamos ao
público estudioso brasileiro, é um interessante exemplo da literatura
apocalíptica dentro da tradição budista. Está vinculado com o culto de Maitreya
(Mi-lo-fo, em chinês), uma tradição de conotações messiânicas bastante difundida no mundo budista, particularmente na China e no Japão. Ao contrário da maior parte dos Sutras (textos canônicos que contêm discursos doutrinários atribuídos a Buda), este texto não traz nenhuma indicação sobre a data de sua tradução para o chinês nem o nome do seu tradutor. A análise de seu conteúdo permite concluir que ele foi composto no século IV d.C.1
Segundo o pesquisador Shôkei Watanabe, ele pode ser um dos numerosos Sutras apócrifos compostos na China, sem referência a nenhum original indiano escrito em sânscrito.2
O principal interesse deste Sutra está em ser o mesmo uma fonte primária para o estudo das idéias que inspiraram os movimentos sociais de cunho messiânico no Extremo-Oriente tradicional. A história da China tradicional é rica em guerras camponesas contra a autoridade imperial. Muitas delas tomam a forma de movimentos messiânicos que aspiram à instalação na terra, do reino de Maitreya, o Buda Futuro, verdadeiro Messias do Budismo, cujo culto, de origem indo-iraniana, penetrou no Celeste Império juntamente com os textos e doutrinas budistas. Os principais movimentos messiânicos chineses vinculados com o culto de Maitreya são os seguintes:
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Usurpação do trono dos Tang em 690 pela imperatriz Wu Tser-Tien, que promoveu, para garantir apoio popular, ampla campanha de divulgação de um texto budista apócrifo, o Sutra da Grande Nuvem, em que se apresentava como a encarnação de Maitreya;
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Revolta popular contra a Dinastia Song em 1047;
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Revoltas da Seita do Lótus Branco contra o domínio mongol em 1281 e 1308;3
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Movimentos de resistência contra os mongóis de adéptos de Maitreya no Henan em 1335, no Hunan em 1337 e dos Turbantes Vermelhos (1335-1366);
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Revoltas da minorias tibeto-birmanesas no início do século XVI liderados por Pu Fae, que pregava o iminente advento de Maitreya;
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Insurreição da Seita do Lótus Branco contra a Dinastia Mandchu em fins do séc. XVIII e início do séc. XIX;4
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A rebelião Tai-Ping (1850-1864) que, embora influenciada pelo milenarismo cristão, não pode ser explicada senão como herdeira de uma longa tradição de movimentos messiânicos budistas5. No Japão também encontramos movimentos milenaristas ligados ao culto de Maitreya, principalmente nos sécs. XIX e XX. Foram particularmente intensos nos anos da chamada Restauração Meiji, entre 1860 e 1880, compreendendo agitações camponesas de caráter revolucionário e a formação de comunidades religiosas populares à margem das religiões oficializadas pelo Estado.6
2. O texto e sua estrutura
O texto que aqui apresentamos revela nítida conotação escatológica e messiânica. Consiste num discurso que teria sido enunciado por Sâkyamuni, o fundador do Budismo, pouco antes de sua morte, no bosque de Kusinagara, na Índia setentrional. O Buda anuncia o declínio progressivo de sua doutrina, a crescente degradação moral da humanidade em geral e dos monges budistas em particular, a existência de um grupo de justos que embora perseguidos perseverarão no caminho do bem, a destruição quase total da humanidade através da água (influência das tradições sobre o Dilúvio) e, finalmente, a regeneração do mundo e a instalação de um reino utópico de paz e felicidade sob a égide do salvador Maitreya. Essa estrutura é praticamente a mesma de textos apocalípticos compostos na mesma época no mundo mediterrâneo sob a influência de idéias iranianas, como o Pequeno Apocalipse do tratado hermético Asclepius7
o que nos permite concluir pela presença de idéias persas em nosso texto. Estas
explicam-se facilmente pela penetração do Maniqueísmo e de correntes budistas "iranizadas"na China.8
3. Tradução do texto9
O SUTRA DA EXTINÇÃO DA LEI
Pregado por Buda
Assim eu ouvi:
Certa ocasião, o Buda estava Kusinagara10, três meses antes de penetrar no Nirvana11. Estavam junto ao Buda numerosos monges, Bodhisattvas12 e uma multidão inumerável. O Senhor Bem-Aventurado permanecia imerso em profunda calma, mantinha-se calado, não pregava a doutrina e não emitia luz.
O sábio Ananda13 saudou o Buda e dirigiu-lhe a palavra dizendo:
— O Senhor Bem-Aventurado sempre prega a doutrina e manifesta sua luz. Agora, uma grande multidão está reunida, mas a luz não se manifesta. Isto deve ter um profundo significado. Suplico-vos que nos explicai essa razão.
O Buda, calado, não deu resposta e por três vezes Ananda enunciou sua súplica dessa maneira.
Disse então o Buda a Ananda:
— Depois de Eu penetrar no Nirvana, quando se aproximar a época da extinção da Lei Búdica, numerosos serão os praticantes dos cinco crimes capitais14, e no mundo impuro predominarão as práticas diabólicas. Seres diabólicos assumirão a aparência de monges e se infiltrarão na comunidade e no meio dos fiéis, tumultuando e destruindo a doutrina de dentro para fora. Os monges diabólicos se deliciarão em vestirem trajes de leigos e se alegrarão envergando mantos e vestes de cinco cores não autorizadas pela tradição. Os monges diabólicos beberão álcool, comerão carne com avidez e matarão seres vivos, nada os detendo na busca insaciável de sabores agradáveis. A compaixão estará totalmente ausente de seus corações. O ódio e a inveja os lançarão uns contra os outros.
Entretanto, mesmo nessa época existirão Bodhisattvas, Pratyeka-buddhas15 e Arahats16 que com perseverança se entregarão à ascese e à prática das virtudes, alcançando o respeito e a veneração das pessoas. Eles instruirão de maneira equânime todas as pessoas, terão compaixão dos pobres, tratarão com carinhos os velhos, proporcionarão socorro aos desamparados e alimentarão e protegerão as vítimas das calamidades. Eles sempre terão consigo Sutras e imagens búdicas, ensinarão a importância da dedicação ao serviço do próximo e pregarão a veneração aos Budas. Praticarão todas as virtudes. Sua vontade, seu caráter e seus pensamentos serão benévolos. Não agredirão nem prejudicarão qualquer pessoa. Sacrificar-se-ão em prol da salvação das coisas de outrem. Serão pacientes e delicados com as pessoas.
Quando existirem homens assim, os monges diabólicos os invejarão, os insultarão e os caluniarão. Divulgarão amplamente seus pontos fracos entre o povo, para desacreditá-los. Eles serão expulsos dos mosteiros e dos templos, não mais lhes será permitido residirem nos mesmos. Quando dessa forma os verdadeiros praticantes desaparecerem de suas vistas, os monges diabólicos, como não se entregam à prática do caminho correto, não se preocuparão em restaurar os mosteiros e os templos quando estes se arruinarem, entregando-os ao abandono. Apenas se empenharão em ambicionar e em entesourar bens e dinheiro em seu próprio benefício, não se preocupando com a prática da caridade. Entregar-se-ão ao comércio de escravos. Ararão e semearão os campos e farão queimadas na floresta, ferindo os seres vivos, já que não possuem compaixão em seus corações.
Escravos se tornarão monges e escravas serão monjas. Não existirá mais nenhuma moral. Não haverá nenhuma distinção entre homens e mulheres quanto à prática do mal e ao desregramento sexual. O Caminho de Buda entrará em declínio por causa das ações dessa gente.
Muitos procurarão se tornar monges para escaparem aos cobradores de impostos. Serão monges apenas na aparência, não praticarão as regras e preceitos. A leitura quinzenal das regras será feita com má vontade e negligência, não haverá esforço para ouvi-las com atenção nem para ensiná-las na sua totalidade. Não estudarão os Sutras e, ainda que haja alguém capaz de lê-los, o sentido de suas palavras não mais será compreendido. Embora sua leitura seja falha, inventarão explicações arbitrárias ao invés de recorrerem aos que entendem as palavras. Embora sua compreensão seja deficiente, ambicionarão se tornarem famosos, serão orgulhosos e sempre procurarão o elogio das pessoas. Embora não possuam sabedoria e virtudes, andarão com ares imponentes e procurarão reverência das pessoas.
Quando a vida desses monges diabólicos se extinguir, seus espíritos serão precipitados no inferno dos sofrimentos sem intervalo, onde se juntarão aos praticantes dos cinco crimes capitais. Experimentarão os mundos dos fantasmas famintos e dos animais, onde renascerão por um período imensurável, superior a dez milhões de anos. Mesmo quando forem resgatadas suas faltas, renascerão em países onde as Três Jóias17 são desconhecidas.
Quando a Lei estiver para se extinguir, as mulheres serão diligentes e constantemente acumularão virtudes. Os homens, porém, serão negligentes, não farão o menor esforço para ouvir a Lei de Buda. Aos olhos dos homens, os monges serão semelhantes a esterco misturado com terra, ele não terão nenhuma fé.
Quando a Lei se extinguir, todos os deuses derramarão lágrimas e se lamentarão. Os cereais deixarão de crescer, epidemias grassarão, muitos morrerão e inúmeros serão os sofrimentos dos homens. Os impostos serão pesados, serão cobrados impostos totalmente contrários ao bom senso. Os homens promoverão desordens e aproveitarão todas as oportunidades para obter prazer. Os maus serão tão numerosos quanto os grãos de areia do oceano e só serão encontrados um ou dois bons.
Quando o mundo estiver na iminência de se acabar, os dias e meses serão mais curtos e a vida humana também irá encurtando paulatinamente. Com quarenta anos as cabeças estarão cobertas de cabelos brancos. Os homens se entregarão à libertinagem, perderão logo seu sêmen e morrerão jovens. Ainda que tenham vida longa, não passarão dos sessenta. A vida dos homens será curta e a das mulheres alcançará setenta, oitenta, noventa ou cem anos. Grandes inundações infindáveis aparecerão inesperadamente. Como as pessoas do mundo não têm fé, julgarão que este mundo permanecerá para sempre. Com as inundações, tanto os ricos como os miseráveis se afogarão, serão arrastados pelas águas e transformados em comida para os peixes. Então, os Bodhisattvas, Pratyeka-buddhas e Arahats serão perseguidos por numerosos demônios com a aparência de monges. Refugiar-se-ão nas montanhas dos Três Veículos18, de onde passarão para a Terra da Felicidade e da Virtude19. Praticarão todos eles a Lei com firmeza e obedecerão os preceitos, nisso encontrando sua alegria. Sua vida será prolongada e eles serão protegidos pelos deuses.
Então, o Bodhisattva Candra-prabha20 se manifestará neste mundo e durante cinqüenta e dois anos promoverá minha Lei. Desaparecerão primeiro os Sutras Surangama21 e Pratyutpanna-samadhi22. As doze coleções de Sutras23 também desaparecerão progressivamente e não mais será possível ver suas letras. Os mantos dos monges passarão a ser brancos24.
Quando a Lei de Buda se extinguir, ela será semelhante à luz de uma lâmpada de azeite que ganha um brilho repentino pouco antes do combustível se extinguir. Nada mais posso ensinar além disto.
Algumas dezenas de milhares de anos depois de tudo isto, Maitreya25
descerá a este mundo e através de sua ascese se transformará em Buda. Reinará a
paz sob os céus e todos os fluídos venenosos serão eliminados. As chuvas serão
frescas e abundantes e os cereais crescerão com vigor. As árvores alcançarão
grande altura e a estatura dos homens será de oito "jo"26. A duração das vidas humanas será de oitenta e quatro mil anos. Impossível será contar o número de seres viventes que atingirão a iluminação búdica.
Então, o sábio Ananda reverenciou o Buda e dirigiu-lhe a palavra dizendo:
— Que nome deverá ter este Sutra e de que maneira devemos nos consagrar a ele?
O Buda respondeu:
— Ananda! O nome deste Sutra deverá ser Sutra da Extinção da Lei. Poderá ser pregado a todos os seres, sem discriminação, o que produzirá incontáveis méritos.
Os discípulos das quatro categorias27, ao ouvir este Sutra, mergulharam em profunda tristeza e por esse mesmo motivo despertaram seus corações para o Supremo Caminho da Nobre Verdade. Então, todos reverenciaram o Buda e se retiraram.
O Sutra da Extinção da Lei, pregado pelo Buda.
4. Algumas questões
Não sendo possível, neste pequeno espaço, comentar em profundidade todo o texto, limitar-nos-emos a apontar algumas questões significativas.
4.1. Ordenação de escravos
O texto alude à ordenação de escravos como um dos indícios da decadência do Budismo no fim dos tempos:
“Escravos se tornarão monges e escravas serão monjas.”
A ordenação de escravos era proibida pelo Vinaya, coletânea das regras monásticas que data dos primeiros séculos da história da comunidade budista28.
O tema é lembrado por pensadores budistas que se ocupam do tema da decadência do Budismo, como por exemplo o patriarca japonês Shinran (1173-1262), fundador da Verdadeira Escola da Terra Pura (Jôdo-Shinshû), que, em seu Shôzômatsu Wasan (Hinos das Três Épocas), alude ao costume, vigente no Japão de seu tempo, de se designar escravos e servos por títulos monásticos:
“Como prova dos males e das cinco impurezas
Os veneráveis nomes de monges e mestres
Serão aplicados a escravos e criados
Por serem considerados nomes vis.
Como prova do desprezo em que é tida a Lei de Buda,
Monges e monjas são tidos como escravos,
E os títulos veneráveis de mestres e monges
São atribuídos aos criados.”29
4.2 Monges e imunidade fiscal
O texto alude a elementos que se tornam monges apenas para gozar de imunidade fiscal:
“Muitos procurarão se tornar monges apenas para escaparem aos cobradores de impostos.”
Uma vez que os Estados extremo-orientais garantiam imunidade fiscal aos monges, freqüentemente encontramos, ao longo da história da China, do Japão e outros países budistas decretos imperiais e outras disposições governamentais procurando controlar e restringir as ordenações budistas para evitar essa prática. Lembremos, como exemplo, os decretos imperiais no Japão do período de Nara (710-784) contra os chamados Shidosô (pessoas que assumiram a condição de monges sem autorização do Estado).
4.3 Crenças sobre a sexualidade
O texto alude à crença segundo a qual o desperdício de sêmen por parte dos homens libertinos acarreta enfraquecimento e encurtamento da vida:
“Os homens se entregarão à libertinagem, perderão logo seu sêmen e morrerão jovens.”
Essa é uma crença básica dos chineses em relação à sexualidade:
“Voici donc deux notions fondamentales que la littérature sexuelle chinoise ne se lasse pas de mettre em avant. La primière c'est que la semence d'um homme est sa possession la plus précieuse, la source non seulement de sa santé, mais de sa vie même; toute émission de semence diminuera cerre force vitale, à moins qu'elle ne soit compensée par l'acquisition d'une quantité équivalente d'essence yin féminine... L'onanisme est entièrement interdit à l'homme, car il entraine une perte complète d'essence vitale... On considère avec inquiétude les émissions involuntaires qui se produisent pendat le sommeil.”30
É interessante lembrar que idéias semelhantes existiam também no mundo mediterrâneo na Antigüidade tardia, sendo difundidas por médicos como Soranos, que consideram a abstinência sexual como fundamental para a saúde:
“Foi num livro de ginecologia que Soranos afirmou: toda emissão de sêmen (masculino) é nociva à saúde; as relações sexuais são prejudiciais em si mesmas.” (I, 30-31).31
Cumpre lembrar, porém, que em nosso texto o encurtamento da vida através do desperdício de sêmen é apenas um aspecto de um tema mais amplo, o da degeneração conjunta física e moral no fim dos tempos. Na literatura apocalíptica indo-iraniana o físico e o moral aparecem estreitamente interligados. Nas épocas de perfeição moral, a duração da vida é calculada em dezenas de milhares de anos e o próprio tamanho do corpo humano atinge proporções gigantescas. À medida que a degeneração se desencadeia, tamanho do corpo e duração da vida vão diminuindo progressivamente para serem restaurados em suas proporções originais por ocasião da regeneração. A própria natureza é envolvida no processo: as colheitas abundantes e as condições naturais aprazíveis das eras de perfeição são substituídas pelas más colheitas, pelas inundações e toda a espécie de catástrofes naturais das eras de degeneração. Tais idéias não podiam deixar de encontrar ampla aceitação na China, onde a longevidade é um ideal almejado por todos e particularmente enfatizado na mística taoísta e onde as correspondências entre a ordem moral e a ordem cósmica constituem um dos temas fundamentais da historiografia oficial de inspiração confuciana. Semelhantes convergências de idéias certamente facilitaram o processo de aclimatação do Budismo no universo cultural chinês.
1. ONO, Genmyô
(Editor). Bussho Kaisetsu Daijiten (Grande Dicionário Explicativo de Textos Budistas), Tóquio, Daitô Shuppansha, 1977, 10º vol., p. 121.
2. WATANABE, Shôkei. Shirasarenakatta Shakuson no Oshie (O Ensinamento de Buda que foi mantido oculto), Tóquio, Shirogane, 1975, p. 25-26.
3. MICHIBATA, Ryôshu. Chûgoku Bukkyo-shi (História do Budismo chinês), Kyoto, Hozokan, 1966, p. 192-195.
4. GERNET,
Jacques. O mundo chinês, Lisboa, Cosmos, 1975, 2 vols., 1º vol: p. 350-351 e 389; 2º vol: p. 74-75.
5. Para estudo do movimento Tai-Ping e outras insurreições populares dos séculos XIX e XX ver: CHESNEAUX,
Jean e outros. Mouvements populaires et sociétés secrètes en Chine aux XIX e et Xxe siècle, Paris, François Maspero, 1970.
6. KASAHARA, Kazuo
e outros. Shukyô-shi (História religiosa), Tóquio, Yamakawa, 1964, p. 327-377.
7. HERMÈS TRISMÉGISTE. Corpus Hermeticum, Paris, Les Belles-Lettres, 1954, 4 vols., 2º vol., p. 326-331 e 379, nota nº 201.
8. Sobre o Maniqueísmo na China: DECRET,
François. Mani et la tradition manichéene, Paris, Seuil, 1974, p. 130-134; TARDIEU,
Michel. Le Manichéisme, Paris, P.U.F., 1981, p. 69, 79 e 119-123.
Sobre a "iranização"do Budismo: BREUIL, Paul de. Zarathustra et la transfiguration du monde, Paris, Payot, 1978, 364-371. Lembremos ainda que um dos primeiros missionários-tradutores budistas que atuaram na China, Na Shih-Kao (séc. II d.C.) era natural da Pérsia (cf. MICHIBATA, Ryôshu. op. cit., p. 15). Um excelente estudo atualizado sobre as influências iranianas no Budismo chinês é: SUGIYAMA, Jiro. Gokuraku Jôdo no Kigen (A origem da Terra Pura da Suprema Alegria), Tóquio, Chikuma, 1984.
9. Na presente tradução seguimos a edição japonesa Taishô
(Taishô nº 396) cotejando-a com a tradução para o japonês moderno de Shôkei Watanabe (cf. WATANABE, Shôkei. op. cit., p. 6-13).
10. Localidade da Índia setentrional, próxima da atual aldeia de Kasya onde, segundo as escrituras, Sâkyamuni faleceu aos 80 anos de idade.
11. Nas escrituras budistas usa-se a expressão “penetrar no Nirvana”, ou seja, no absoluto incondicionado, para designar o falecimento do fundador do Budismo.
12. Ascetas leigos que representam o ideal de perfeição espiritual proposto pelo Budismo do Grande Veículo.
13. Primo do fundador do Budismo e um de seus principais discípulos. Segundo a tradição, era dotado de memória prodigiosa e, após a morte de Buda, foi encarregado pelos demais discípulos da transmissão dos sermões do mesmo sob a forma de sutras ou discursos que, mais tarde, vieram a constituir a primeira parte do Tripitaka ou tríplice coleção de textos canônicos.
14. Cinco crimes cruéis passíveis da mais pesada condenação aos infernos: 1) matar o pai, 2) matar a mãe, 3) matar um Arahat (discípulo iluminado), 4) ferir um Buda derramando seu sangue, 5) quebrar a harmonia da comunidade budista, provocando cisões.
15. Praticantes do Budismo do Pequeno Veículo que alcançaram a Iluminação sozinhos, sem ouvirem as pregações de Buda.
16. Praticantes do Budismo do Pequeno Veículo que atingiram o mais alto grau de perfeição individual depois de ouvirem as pregações de Buda.
17. TRIRATNA em sânscrito. Compreendem o Buda (Mestre), o Dharma (Doutrina) e o Sangha (Comunidade), os três elementos básicos que constituem o Budismo. Por extensão, essa expressão designa o próprio Budismo.
18. As doutrinas dos Bodhisattvas, Pratyeka-buddhas e Arahats.
19. O Nirvana.
20. Literalmente, o Bodhisattva da Luz Lunar.
21. Importante Sutra do Budismo do Grande Veículo, uma das principais exposições das bases teóricas da prática do Budismo Zen.
22. Sutra do Budismo do Grande Veículo que ensina um tipo de meditação que provocaria a aparição das divindades do panteão búdico a seus praticantes.
23. O Budismo indiano dividia os Sutras em doze coleções distintas, conforme a forma e o conteúdo.
24. Na Índia o branco é a cor típica das vestes dos leigos, enquanto que os monges costumam usar mantos e hábitos amarelos ou cor de açafrão.
25. O Buda futuro ou o Messias budista. Segundo a tradição, foi discípulo do Buda Sâkyamuni que lhe anunciou sua futura realização como Buda alguns milhões de anos no futuro. Desde sua morte até sua futura encarnação como Buda permanece no Céu Tusita, o mesmo mundo paradisíaco em que Sâkyamuni viveu sua derradeira existência antes de renascer na terra pela última vez para se tornar Buda. Alguns lhe atribuem origem iraniana e mesmo helenística, outros preferem explicar a formação e a evolução de seu culto dentro de um contexto exclusivamente indiano e budista. Assim, Sylvain Lévy e toda uma corrente de orientalistas vê sua origem no culto iraniano de Mithra. Existe aliás um parentesco etimológico entre Mithra,
deus salvador iraniano ligado ao Sol, Mitra, deus védico dos contratos e
juramentos e Maitreya (Metteya em páli). A palavra “mitra” significa “amigo” e é aparentada ao termo “maitri” que no vocabulário budista designa a virtude da compaixão. Por isso Maitreya é também chamado o Senhor da Compaixão. Da mesma forma com que influenciaram o mundo judaico-cristão, as tradições messiânicas iranianas teriam penetrado também no mundo indiano, estimulando o culto de Maitreya no Budismo e o do Kalkin-Avatara no Hinduísmo. Segundo a tradição hinduística registrada em textos como o Visnu-Purana, o deus Visnu, que já se encarnou na Terra muitas vezes sob diversas formas manifestar-se-á pela última vez com o nome de Kalkin-Avatara no fim do Kali-Yuga, a idade sombria de decadência e corrupção que corresponde à época atual. Já outros orientalistas como André Bareau e Shoko Watanabe explicam a formação do culto de Maitreya a partir das tradições referentes a um discípulo de Sâkyamuni do mesmo nome, natural de Varanasi (Benares) a quem Sâkyamuni teria predito sua realização como Buda no futuro. O estudioso canadense George Woodcock chega a admitir uma influência helenística, ao dizer que por detrás da figura de Maitreya e outros salvadores messiânicos indianos se encontram influências das tradições que faziam de Alexandre o Grande um rei-salvador de origem divina.
26.
Aproximadamente 24 m. O "jo" é uma medida de comprimento sino-japonesa que, conforme a época, varia entre 2,25 m. e 3,11 m.
27. Monges, monjas, leigos e leigas.
28. Vinaya I, 39-51, cf. HAJIME,
Nakamura. Genshi Bukkyo no Seiritsu (A formação do Budismo primitivo), Tóquio, Shunjû-sha, 1969, p. 246 e 248.
29. TABATA, Ôjun
e outros. Shinran-shû, Nichiren-shû (Textos de Shinran e Nichiren), Tóquio, Iwanami, 1966, p. 107 e 108.
30. VAN GULIK,
Robert. La vie sexuelle dans la Chine ancienne, Paris, Gallimard, 1971, p. 76-77.
31. ROUSSELLE,
Aline. Pornéia. Sexualidade e amor no mundo antigo, S. Paulo, Brasiliense, 1984, p. 24.
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