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Gyomay
Kubose
Eu sei que devemos ser gratos às nossas mães, mas eu não consigo sentir gratidão pela minha mãe, porque ela não fez muito por mim. Meus pais eram divorciados e eu fiz tudo por mim mesmo. Na verdade, minha mãe me deu mais problemas e sofrimentos do que bem. O que eu tenho para lhe agradecer? A troco de que? Estas palavras foram ditas por um rapaz bastante inteligente. Perguntei-lhe se ele era feliz do jeito que estava agora; e depois lhe perguntei se sentia uma verdadeira alegria ou prazer na vida, e se seria capaz de afirmar, “Estou grato por estar vivo”. Sua resposta foi “Não”. A menos que sejamos gratos a nós mesmos, agora, não poderemos ser gratos a ninguém mais. Mesmo se a mãe desse rapaz tivesse feito muito pelo filho, não acredito que ele pudesse ser realmente grato à mãe, pois não consegue ser grato a si mesmo do jeito que ele é hoje. Por outro lado, se esse rapaz descobrisse a si mesmo e vivesse uma vida significativa e gratificante, não poderia deixar de sentir-se grato à sua mãe, que lhe deu a vida, independentemente do que ela fez ou deixou de fazer por ele. Do ponto de vista da moral comum e do utilitarismo moderno, se alguém nos trata com gentileza então expressamos nossa gratidão. Isto equivale a dizer que, se recebemos algum benefício, então expressamos nossos agradecimentos e apreciação. Esta espécie de relacionamento humano nada mais é que um “dar e receber” comercial. No mundo da verdade, da religião e do amor, é totalmente diferente. Na verdade, é o oposto. O ponto de partida não é a mãe nem as coisas externas, e sim nós mesmos. Se estamos salvos agora, todo o nosso passado estará salvo. Nossa “salvação” recua até o nosso passado. Se encontramos significado na nossa vida agora, então o mundo todo se torna significativo; do mesmo modo que, quando estamos alegres, o mundo todo está alegre. O verdadeiro significado de “Eu me empenho pela iluminação de todos os seres” é alcançarmos a nossa própria iluminação. Shinran Shonin disse que não recitava o nembutsu por seus pais, mas que, quando era capaz de recitar o verdadeiro nembutsu, era um digno filho de seus pais. O Mundo de Buda é o mundo no qual transcendemos o mundo da dualidade e nos tornamos um. Quanto ao rapaz de quem falamos acima, o problema não é que sua mãe fez, mas sim o fato de que foi ela quem lhe deu a vida. Sua mãe e ele não estão separados no mundo da verdade; eles são um. O mundo e nós não somos dois, somos um. O mundo é você e você é o mundo. Enquanto pensamos dualisticamente, teremos problemas.
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