|
Gyomay
Kubose
Todos os homens procuram a felicidade, a paz e a liberdade. Onde existe liberdade, haverá paz e felicidade; portanto, a liberdade é um desejo fundamental do homem. A liberdade é o oposto do controle, da limitação, da servidão e da ignorância. O budismo ensina o caminho da liberdade, que é a iluminação ou o nirvana. O propósito do budismo é alcançar o nirvana, que é uma vida de liberdade. O homem não é livre enquanto estiver limitado pelo tempo e pelo espaço. Todos nós tememos a morte e não queremos morrer. No entanto, sem exceção, todos nós morremos. Por que tememos a morte? A morte é uma coisa natural. É um processo da vida, assim como o nascimento. Não precisamos temer a morte. Quando as flores passam do período de floração, é natural que se dispersem. Quando as folhas amadurecem, é natural que mudem de cor e caiam. Se você transcender a morte, então estará livre do nascimento e da morte. Na vida da verdade, nós não morremos. A morte não impede nossa verdadeira vida. Não existe o medo da morte no verdadeiro homem. O homem está livre do nascimento e da morte quando alcança o nirvana. O nirvana é o mundo da liberdade. O homem teme a punição ou as conseqüências. A punição, ou conseqüência é a lei do karma. Ninguém pode escapar ao karma. Ele é uma conseqüência natural. Se você nasce, você irá morrer. O nascimento inclui a morte. Todas as coisas que foram criadas estão sujeitas ao perecimento. O homem tenta evitar ou fugir das coisas inevitáveis. Isso é prova de ignorância. Aceite as coisas inevitáveis, não com relutância, mas com boa vontade e naturalidade. Quando você aceita com boa vontade, quando as coisas não lhe são forçadas, você é livre. A aceitação é a sua liberdade. Aceitação é transcendência. Transcendência significa aceitação. Transcendência e aceitação não são duas coisas, mas uma única e mesma coisa. E nela, existe liberdade. Se você nasceu mulher, seja uma mulher. Se você é baixo, aceite sua baixa estatura e não deixe nada atrapalhá-lo; você pode destacar-se em muitas coisas. Se você nasceu japonês, seja um bom japonês. As rosas são vermelhas, o céu é azul, a neve é branca, o açúcar é doce e a pimenta é ardida. E é assim que deve ser. Todas as coisas são boas e livres do jeito que são. Não devemos fazer comparações. Cada coisa tem seu lugar no mundo. Que assim seja. As flores são vermelhas e as folhas são verdes. Este é o mundo das coisas tais como elas são – o mundo livre e natural. O budismo ensina a iluminação, que é o oposto da ignorância. Iluminação é liberdade, ignorância é escravidão. Iluminação é ver as coisas tais como elas são. Quando à noite você vê uma corda na estrada e pensa que é uma cobra, você fica com medo; mas, se uma luz mais forte lhe permitir ver a corda como uma corda, não haverá medo. Se o indivíduo é capaz de ver as coisas tais como elas são, ele é livre. A ignorância é a causa de todos os problemas. Cometemos muitas tolices por causa da nossa ignorância. Ser ávido, ficar furioso, fazer queixas infundadas – todas estas causas de sofrimento são resultados da ignorância. Ser livre ou alcançar a liberdade é superar a ignorância, e isto é iluminação. É freqüente pensarmos que os outros atrapalham a nossa liberdade. A esposa culpa o marido, o marido culpa a esposa. Muitas vezes culpamos a sociedade e condenamos o “sistema”. Mas não é o meio ambiente que nos torna miseráveis ou nos priva da nossa liberdade. Por melhor que seja o meio ambiente, a menos que sua mente esteja livre você não conseguirá ser uma pessoa livre. Alguém me disse, um dia, que queria ser livre; mas, quando o semáforo vermelho o deteve numa esquina ele sentiu que não era livre. Para mim, o semáforo vermelho não é um obstáculo; eu não o avanço porque isto é perigoso. Eu trabalho porque quero trabalhar e não porque devo trabalhar. Eu ajudo as pessoas porque quero ajudá-las e não porque devo ajudá-las. Este mundo é livre. Nossa vida é livre. Este mundo é o mundo do nirvana. O nirvana não é alguma coisa que conquistamos ou agarramos. Pelo contrário, descobrimos a nós mesmos no mundo do nirvana, o verdadeiro mundo livre no qual estamos vivendo. O nirvana é exatamente aqui, agora. O céu e o inferno não são lugares para onde vamos depois da morte. Eles estão aqui, agora. Eles são o conteúdo da nossa própria vida. Nós criamos um lugar celeste ou infernal. Nós somos responsáveis. É a nossa ignorância que obscurece todo o nosso mundo. Quando nos iluminamos, todo o mundo se aclara. Não é o diabo que traz escuridão e miséria, nem os deuses que trazem felicidade ou clareza. Cabe a nós tornar nossa vida clara ou escura, ser livres ou viver em escravidão. A liberdade existe em nós. A liberdade não existe no mundo das relações e das comparações, mas apenas no mundo da unidade, do absoluto. Só quando sujeito e objeto se tornam um, existe a liberdade.
|
||