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Gyomay
Kubose
Tenho, sobre a minha escrivaninha, uma pequena pedra redonda que apanhei num córrego perto do Heart Mountain Relocation Center, em Wyoming, onde estive confinado durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial*. Não é uma gema preciosa; é uma pedra comum, sem valor, que poderia ser encontrada em qualquer lugar. Mas, para mim, essa pedrinha comum e insignificante é uma fonte de grande inspiração, uma grande mestra, uma companheira, além de uma lembrança da vida naquele campo de confinamento. Nesta pedrinha redonda sinto um caráter pacífico, harmonioso e perfeito – um caráter adquirido através de muitos anos de dificuldades. Ao afagar sua superfície suave e arredondada, eu sei que nem sempre ela foi assim. Ela tinha arestas agudas quando foi arrancada da pedra-mãe e começou sua longa jornada pelos rios e córregos, suportando o calor, as tempestades e o inverno rigoroso do Wyoming. Por quanto tempo, é difícil dizer, talvez por milhares de anos; e rolando, atirada contra as outras rochas e pedras, ela foi sendo polida, alisada e as arestas agudas desapareceram. E hoje, quando admiro sua beleza redonda e suave, eu sei que ela levou muitos milhares de anos – não um único dia – para ficar redonda e suave. Por trás de sua simples beleza, percebo um caráter maravilhoso. E à medida que sigo o córrego da vida, esta pedrinha me ensina a paciência e a persistência. Ela me ensina a aprender o máximo das situações tais como estas se apresentam, a aceitar e flutuar nas ondas do meu karma, pois muitas coisas que ocorrem estão além dos limites do meu poder. Deste modo, encontro paz e contentamento nos sofrimentos da vida. À medida que vejo muitas asperezas e arestas agudas em mim, sinto que sou bem menor que esta pedrinha, que sou bem inferior a ela. Esta pequena pedra sobre a minha escrivaninha é, na verdade, uma grande mestra para mim. Todos os nossos sofrimentos neste mundo são causados pela nossa ignorância. A mais profunda ignorância é não conhecer a si mesmo. Sempre sentimos dificuldades e obstáculos ao lidar com as coisas e os acontecimentos, porque não conhecemos a nós mesmos, e esta é a causa das nossas dores e sofrimentos. Muitas pessoas pensam que a causa da maioria dos nossos problemas está em geral nos outros ou é devida ao sistema social ou ao ambiente social. Mas este ponto de vista considera o ser humano como um esqueleto, esquecendo o lado espiritual. O homem não é apenas uma existência física; o homem não é maquinalmente influenciado por outras coisas, como as matérias físicas. Nosso espírito tem o poder de atrair paz e bem-estar em quaisquer circunstâncias. Podemos fazer com que todas as coisas existentes, físicas, e espirituais, tenham um lugar digno. Todas as pessoas, coisas e circunstâncias podem contribuir para embelezar e aprimorar nossa vida através da nossa introspecção e correta compreensão. Não devemos viver pelo estímulo ou ação reflexa dos nossos nervos periféricos. Se somos claros com nós mesmos, nunca sentiremos obstáculos ou sofrimentos provenientes das coisas e acontecimentos ao nosso redor, quaisquer que sejam as circunstâncias. Portanto, como meio de aliviar os sofrimentos da humanidade, Buda nos revela a verdadeira natureza do nosso caráter; e conhecer nosso caráter é a mais elevada sabedoria. A sabedoria de conhecermos a nós mesmos é a nossa virtude.
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