Muitos
são os que nos procuram pensando que o Buddhismo seja uma tendinha de
milagres para fazê-los melhorar de condições financeiras, curar suas
doenças físicas, etc. Aqueles que procuram uma religião unicamente com
esses objetivos deveriam se dirigir a outros lugares, porque o Buddhismo não
é nada disso.
O Buddhismo não faz milagres, não
cura ninguém, nem melhora a vida de ninguém. O Buddhismo não dá nada.
Muito pelo contrário, ele tira. Ele despoja. Ele destrói.
O Buddhismo tira de nossos olhos os
véus que nos impedem de ver a realidade como ela é. Ele despoja o homem,
das ilusões que lhe são mais caras, nascidas de seu egoísmo e de seus
sentimentos e instintos descontrolados. Ele destrói todos os pontos de
apoio externos e ensina o homem a caminhar com suas próprias pernas, sem
recorrer a deuses, santos ou milagreiros.
O Buddhismo é um caminho de libertação através do conhecimento de si
mesmo. Ele nos ensina a nos libertarmos das angústias deste mundo
impermanente, não fugindo dele, mas sim o dominando com as armas do
desapego, da compaixão e da sabedoria.
O Buddhismo é um caminho prático
de vida que repousa sobre três pilares: a Ética, a Contemplação e a
Sabedoria.
A
Ética é o primeiro passo para a libertação. Através da abstenção da
violência em todas as suas formas, do roubo, da mentira e de todos os
tipos de desregramento, o homem se prepara para obter a paz interior
necessária para o conhecimento de si próprio. Através da prática do
desapego e da compaixão ele enfraquece os laços do egoísmo que mantêm
a mente humana aprisionada às mesquinharias grosseiras e insignificantes
deste mundo.
Entretanto, o Buddhismo não é
apenas um sistema de ética. A ética é apenas uma preparação indispensável
para um caminho místico de realização espiritual que tem na Meditação
e na Contemplação duas condições absolutamente indispensáveis. Sem
Meditação e Contemplação não há Buddhismo. Os mestres buddhistas
beberam na fonte da antiqüíssima tradição indiana do Yoga e
desenvolveram inúmeros sistemas práticos de meditação e contemplação
que hoje em dia podem ser encontrados nos diferentes ramos do Buddhismo.
Esse é o aspecto do Buddhismo que mais atrai e fascina o Ocidente.
Os próprios cristãos procuram
hoje adotar as práticas contemplativas Buddhistas, encarando-as como
caminho para Deus. Entretanto, para o Buddhista, elas são vias
libertadoras de toda espécie de apego, inclusive o apego aos deuses.
A Sabedoria Libertadora ou Gnose,
designada pela palavra Prajna nos textos buddhistas indianos, é o
corolário de toda vida regida pela prática Buddhista.
Ela é a conseqüência natural da
prática da Ética e da Contemplação, e seu desenvolvimento pode também
ser auxiliado pelo estudo e pela reflexão.
Entretanto, cumpre lembrar que a
Gnose não tem nada a ver com o conhecimento intelectual de quem estuda
Matemática ou Sociologia, embora o conhecimento intelectual também possa
ajudar o despertar da Gnose. A Gnose Búddhica é uma forma de conhecimento
total, abrangente, caracterizado pela anulação da dualidade entre o
sujeito que conhece e o objeto que é conhecido. É o Conhecimento
Libertador, do Real que se esconde atrás de todos os pares de opostos,
como nascimento e morte, prazer e dor, bem e mal.

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