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Há
muito tempo atrás, um condenado a morte estava na prisão, aguardando o
dia de sua execução. Um dia, ele resolveu fugir e, com muita
dificuldade, conseguiu realizar seu objetivo. O rei do país, então,
mandou um grande elefante em sua perseguição. A lei daquele país
determinava que os fugitivos da cadeia fossem esmagados por um elefante. O
fugitivo, sabendo que o elefante vinha em sua perseguição, corria com
todas as suas forças.
Entretanto, o passo do animal era
muito rápido e o fugitivo percebeu que não conseguiria escapar. Foi
então que ele viu um grande poço. O fugitivo ficou aliviado: percebeu
que se tratava de um excelente esconderijo e tratou de se esconder no
interior do mesmo. Por um breve instante sentiu-se salvo, mas ao dirigir
seu olhar para o fundo do poço, percebeu que lá se encontrava uma enorme
serpente com a goela aberta, pronta para engoli-lo se ele caísse lá
embaixo. Assustado, o fugitivo olhou em torno de si e viu que quatro
serpentes venenosas estavam enrodilhadas nos cantos do poço, prontas para
desferir um bote fatal sobre ele. O fugitivo percebeu, então, que aquele
poço estava longe de proporcionar a sonhada segurança. Entretanto, não
podia ele sair do mesmo, pois lá em cima permanecia o elefante alerta,
pronto para esmagá-lo. O fugitivo sentiu que não tinha escapatória,
mas, apostando na sorte pela última vez, agarrou-se a um cipó que
crescia na parede do poço. Apavorado, segurava firmemente no cipó, seu
último e frágil apoio. Foi então que ele percebeu a presença de dois
ratinhos, um branco e um preto, que alternadamente iam roendo o cipó.
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A cada roída o cipó ia ficando
cada vez mais fino, a qualquer momento poderia rebentar e o homem cairia
bem dentro da goela da serpente que o esperava lá embaixo.
O fugitivo sentiu que já estava
morto. O pavor não o deixava um segundo sequer. Sentia ele que já estava
no fim, que sua vida não valia mais nada. Foi então que, ao erguer os
olhos para o alto, se deu conta de que uma frondosa árvore se erguia à
beira do poço. Em um dos galhos da mesma havia uma colméia, da qual, a
cada golpe de vento, caiam cinco gotas de mel bem dentro da boca aberta do
homem. Aquele mel era realmente delicioso, sua doçura era comparável à
do néctar, a sublime bebida dos deuses imortais. À medida que aquele mel
delicioso refrescava sua garganta e aplacava sua sede, o fugitivo foi se
esquecendo de sua situação. Chegou o momento em que ele perdeu
totalmente a vontade de escapar daquele poço...
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A cadeia simboliza este mundo de sofrimento ao qual o homem está preso. O
condenado a morte representa cada um de nós. O elefante que o persegue é
a impermanência das coisas, que implacavelmente nos segue por mais que
tentemos fugir. O poço representa nosso lar. A serpente de goela aberta
simboliza a morte. As quatro serpentes venenosas simbolizam os quatro
elementos de que somos constituídos: terra, água, fogo e ar. O cipó é
a duração da vida humana. Os dois ratinhos representam os dias e as
noites. As doces gotas de mel simbolizam as fugazes, ilusórias, mas
envolventes alegrias da vida terrena que nos fazem esquecer nossa
verdadeira condição.
Muitos
têm medo de se aproximar do buddhismo, julgando-o difícil, mas ele será
mesmo tão difícil assim?
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Algumas doutrinas buddhistas talvez
sejam mesmo de difícil compreensão, mas desde os tempos do fundador do
buddhismo, o Buddha Shakyamuni, existe um método tradicional muito
eficiente para torná-las acessíveis a todos: o amplo emprego de fábulas,
parábolas e metáforas. Elas funcionam como ilustrações concretas que
mostram como doutrinas aparentemente muito complicadas se aplicam aos
problemas da existência humana.
A fábula do "doce sabor de mel" é uma das mais famosas da
literatura sagrada do buddhismo. Ela ilustra, de uma maneira facilmente
compreensível, os temas fundamentais do buddhismo: a impermanência, o
sofrimento e as ilusões do egoísmo que nos fazem perder de vista a
verdadeira natureza da existência humana.
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