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Em suma, entre os praticantes do Nenbutsu
de nossa
Escola, há que não vilipendiar as doutrinas alheias. Em primeiro lugar,
considerando as Províncias de Etchû e Kaga, temos Shirayama, Tateyama e outros
tantos templos nas montanhas. Já em Echizen, temos os Templos Heizen, Toyowara
e outros. Assim, já no Grande Sutra da Vida Imensurável existe uma
advertência contra isso: São excluídos apenas os culpados das Cinco Faltas
Capitais (1) e aqueles que vilipendiam o Correto Dharma. Isso nos
revela que os praticantes do Nenbutsu não devem vilipendiar as demais
doutrinas. Além disso, também os sábios das diferentes escolas do Caminho dos
Ascetas advertem que de maneira alguma se deve vilipendiar os praticantes do Nenbutsu. São muitas as provas textuais encontradas nos Sutras e nos
Comentários. Temos, em primeiro lugar, a severa advertência que o Bodhisattva
Nagarjuna, Patriarca das Oito Escolas (2), nos faz no Tratado da Grande
Perfeição da Sabedoria.
Assim diz o texto: Mesmo o praticante que observa os
Preceitos não escapará das penas infernais se, por amor a seu próprio Dharma,
vilipendiar as doutrinas alheias. Tais determinações tão claras se
fundamentam no fato de que todas as doutrinas foram pregadas pelo Buda. Não
vamos incorrer no erro de vilipendiá-las. Todas são escolas válidas, o que
ocorre é que apenas não recorremos a elas. É, pois, extremamente lamentável
que, em nossa linhagem, pessoas sem discernimento aviltem as demais escolas. Os
monges líderes de templos que incorram nessa falta, certamente deverão ser
punidos. Salve! Salve!
9º mês do 5º ano da Era Bunmei (1473)
Epístolas de Rennyo, I, 14
[1] As chamadas Cinco Faltas Capitais
são as seguintes: 1 - matar o pai; 2 – matar a mãe; 3 – matar um Mestre; 4 –
perturbar a harmonia da Comunidade Budista; 5 – derramar o sangue de um Buddha.
[2]
O Bodhisattva Nagarjuna (250 – 250),
doutor do Budismo do Grande Veículo, é considerado o Patriarca Fundador de oito
Escolas do mesmo: Sanron, Jôjitsu, Hossô, Kusha, Kegon, Ritsu, Tendai e
Shingon.
Tradução e
Notas: Rev. Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves. |

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